Tarifa

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Uma placa no centro histórico informa que a “muy nobre cidade de Tarifa” foi reconquistada aos mouros em 21 de setembro de 1292, por Sancho IV, o Bravo. Apesar dessa vitória, no fim do século XIII, a marca árabe paira ainda hoje sobre a cidade. África continua dominando o horizonte, irresistivelmente, para lá do estreito a que chamaram de Gibraltar[1], em honra do berbere Tarik ben Ziyad,[2] que, em abril de 711, desembarcou junto ao rochedo, iniciando a ocupação muçulmana da Península Ibérica, derrotando, cidade após cidade[3], os visigodos, sempre que estes ofereciam alguma resistência[4].

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A presença árabe duraria mais de setecentos anos na Península[5] e, pelo menos, quinhentos anos, aqui, em Tarifa. Não admira, portanto, que se faça sentir ainda hoje e, provavelmente, sempre, já que o nome da cidade deriva do de outro berbere, enviado por Tarik para explorar o território e preparar o terreno para a invasão – Tarif ibn Malik.

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Na bela praia onde Tarif desembarcou os ventos são constantes, e há por isso quem considere Tarifa a capital mundial dos wind e kitesurf. Baleias e golfinhos podem ser avistados nas águas transparentes, onde o Atântico se junta ao Mediterrâneo[6]. Existe ampla oferta de hotéis, casas para alugar, parques de campismo e todos os visitantes têm  lugar assegurado para banhos de sol e de mar, pois a praia, além de ser muito bonita, é enorme, com quilómetros de extensão[7].

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E quem quiser sentir o que Tarik e Tarif experimentaram, embora em sentido contrário, pode sempre apanhar um ferry para Tanger ou Ceuta, e embrenhar-se em África. Tarifa orgulha-se de ser  o ponto da Europa mais próximo do continente negro. Dar o salto, para lá ou para cá, é uma tentação eterna.

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[1] Gibraltar deriva de “Gebal-Tarik” (montanha de Tarik). Todas as cidades europeias do estreito de Gibraltar têm nomes de origem árabe. Também Algeciras deriva do árabe “Al-jazeera” (a ilha).

[2] Os berberes são um povo cuja origem se mantém obscura, embora seja quase certo que são uma mistura de vários povos, incluindo de alguns judeus que se refugiaram  no Norte de África. Há quem refira a sua origem canaanita (da terra de Canaan), portanto, israelitas. O próprio Tarik acreditava ser judeu, descendente da tribo de Simeão (“Raízes dos Judeus em Portugal”, de Inácio Steinhardt, Vega, Lisboa, 2012).

[3] Em junho de 712, Mussa bin Nussair atravessou o estreito à frente de um exército de 1800 homens, desta vez quase todos árabes. Desembarcou em Algeciras e rumou a ocidente, conquistando Sevilha, Huelva, Faro (Ossónoba) e Beja. A região do sul da Península não era já a Bética dos Romanos, mas ainda a que tinha sido ocupada pelos Vândalos Silingi, que, depois de derrotados pelos Visigodos, passaram para o Norte de África. O nome da terra dos Vândalos era pronunciado, em árabe, Al Wandalus ou Andaluz. Daí deriva o nome Andaluzia.

[4]Em contraste com os visigodos, os árabes mostrar-se-iam um povo tolerante. Os habitantes da Península Ibérica, cansados dos germânicos, receberam os muçulmanos com alegria. A dinastia árabe que governava o império era a omíada, com califado em Damasco. Após lutas com os abássidas, que se reclamavam descendentes de Maomé (Abbas era tio do profeta), estes venceram e transferiram o califado para Bagdad. Porém, o omíada Abderramão I, emir de Córdova, manteve a independência e, quase 200 anos depois,  em 929, Abderramão III instaurou o califado de Córdova, que perduraria por mais de cem anos, aprofundando ainda mais a independência em relação aos abássidas. Os omíadas sempre governaram em convivência pacífica com os outros povos e com as restantes etnias árabes. Os judeus, por exemplo, viveram em paz e tiveram inclusive cargos importantes na administração, experimentando uma atmosfera de liberdade que não existia em mais nenhum lugar da Europa.

[5] A ocupação da península Ibérica pelos árabes foi sempre muito variável ao longo do tempo. Ela nunca foi absoluta – o reino das Astúrias resistiu sempre – e chegou, na parte final (a ocupação terminou em 1492), a ser diminuta – limitada ao emirato de Granada – uma pequena faixa que incluía as atuais cidades de Granada, Málaga e Almeria.

[6] Será fácil encontrar em Tarifa uma das várias empresas que fazem passeios no mar (em geral de duas horas) para observação de cetáceos.

[7] O único ponto em que os espanhóis parecem não ter aprendido nada com os árabes, nem com qualquer outro povo, é o da cozinha. O Sul de Espanha continua a ser uma zona gastronomicamente pobre. Aliás, excetuando a Galiza, come-se (geralmente) mal em Espanha.

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Madrid e Barcelona

Madrid
Madrid.

São as duas cidades espanholas mais importantes e durante muitos anos pertenceram a reinados diferentes. A rivalidade entre ambas é acentuada, em parte devido às equipas de futebol, dois colossos mundiais, O FC Barcelona e o Real Madrid.

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Barcelona.

Essa rivalidade nunca foi completamente superada, como se sabe, e existe mesmo um movimento muito forte para que a Catalunha (região a que pertence Barcelona), apesar da autonomia que detém, se torne um Estado independente.

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Madrid.

Estes movimentos nacionalistas da Catalunha baseiam-se em grandes diferenças culturais, por um lado (desde logo, a língua), e numa rejeição da superioridade política de Madrid (enquanto capital do estado espanhol), por outro.

Barcelona
Barcelona.

Finalmente, Madrid e Barcelona são, de facto, bastante diferentes. A primeira no coração de Espanha, com seus importantes museus, a segunda virada para o Mediterrâneo, orgulhosa das obras de um dos expoentes máximos da arquitetura mundial – Antoni Gaudí.

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Equador, Galápagos

Mapa das Galápagos. (Retirado de: https://www.galapex.com/galapagos-holidays/).

As Galápagos1 são um arquipélago situado a cerca de 1.000 quilómetros do continente sul-americano, constituído por treze ilhas maiores, seis menores e mais de cem ilhotas e rochedos. A forma mais comum de chegar às Galápagos é de avião. Há voos diários de Quito e Guayaquil (por cerca de 400 dólares, ida e volta), quer para a ilha de Baltra, quer para a de San Cristóbal, duas das cinco ilhas povoadas, para além de Isabela, Floreana e Santa Cruz. Nesta última, no extremo sul, fica a cidade mais povoada de todo o arquipélago – Puerto Ayora2. Nós ficámos hospedados numa pousada fora da cidade, a uns sete quilómetros, numa localidade chamada Belavista, e não nos arrependemos. A pousada chama-se Twin Suite Galápagos, e são os proprietários — José e Esperanza — quem recebe e orienta os hóspedes. Este alojamento é altamente recomendável por várias razões: a área verde onde está inserido é muito agradável, com variadas árvores, plantas, flores e frutas, e uma pequena piscina, tudo muitíssimo bem cuidado; os quartos são amplos, limpos e confortáveis; a simpatia dos proprietários é inexcedível; a distância até Puerto Ayora é facilmente vencida em 10 minutos, de táxi, por um custo de três dólares (moeda oficial do Equador); e, acima de tudo, a senhora Esperanza é uma excelentíssima cozinheira.

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Tartaruga gigante na ilha de Santa Cruz. Calcula-se esta espécie esteja presente nas Galápagos há mais de 2 milhões de anos.

Em Puerto Ayora podem comprar-se passagens para várias ilhas. Todas as que são povoadas ficam a menos de duas horas, de barco, desta cidade. Assim é possível fazer o que aqui chamam de “tours diários” a essas ilhas e também à ilha de Bartolomé. Viagens maiores, como sejam circuitos que incluem várias ilhas, terão de ser realizadas em navios de cruzeiro, com comida e dormida a bordo, o que encarece substancialmente a viagem. Mas deve valer a pena. Esses circuitos, no mínimo, são de quatro noites, mas podem ser de uma semana ou mais, e o custo é na ordem, sempre, dos milhares de dólares. Como turistas pobres, nós fizemos apenas os “tours” diários, e visitámos todas as ilhas habitadas (uma por dia), com a exceção de Floreana. Isto porque cometemos um erro: ficámos um dia em Santa Cruz, visitando alguns pontos turísticos do interior da ilha, como Los Gemelos, o Pontudo ou a Reserva “El Chato”, os quais, sinceramente, não valem a pena em contrapartida a uma visita a outra ilha. Em “El Chato” podemos observar as tartarugas gigantes, mas isso também é possível, por exemplo, em Isabela, acompanhado por guia turístico e tudo. É sempre bom fazer as visitas às ilhas com guia, o que pode custar entre 85 e 120 dólares, por ilha, consoante as agências. Há um quiosque, em Puerto Ayora, entre o porto de pesca e o pontão de embarque, que vende as passagens mais baratas. Já agora, atravessando a rua, em frente ao cais, há um restaurante popular, facilmente identificável, que serve “almuerzos” (prato do dia, sopa e bebida) por 2,5 dólares3. E não se come nada mal. A gastronomia, aliás, é uma das boas surpresas das Galápagos, sobretudo a que se relaciona com peixes4 – albacora, espadarte (aqui chamam peixe-espada), palometa, um peixe vermelho de nome “brujo” e bacalhau5, entre muitos outros. Comemos uma palometa assada dentro de folhas de bananeira, cozinhada pela senhora Esperanza, que ficará para sempre memorável.

Venda de peixe em Puerto Ayora (Santa Cruz).

Em Santa Cruz, quando caminhamos na direção da Estação Charles Darwin, na rua marginal, ou seja, virando à esquerda quando estamos de frente para o mar, encontramos uma pequena lota onde se vende peixe e marisco. O ambiente ali, por si só, é um espetáculo. Lobos marinhos, pelicanos, fragatas e outras aves convivem com os humanos, esperando os sobejos do peixe. Ao fim da tarde, monta-se no local um aparato, com mesas e bancos de plástico, bancadas com fogões, frigideiras onde se fritam em óleo bananas, peixes, lagostins e lagostas, e muita gente esperando por um lugar para se sentar e comer. Vale a pena desfrutar do ambiente e do peixe ou do marisco. Ainda em Puerto Ayora, junto do mercado municipal, mais para o interior da cidade, mas bem pertinho (a cidade é minúscula) encontram-se vendedores populares, com produtos de vários tipos. Aí provámos uma agradável bebida quente, chamada Colada Morada. A sua composição inclui farinha de milho vermelho, abacaxi, morangos, amoras, canela, pimenta da jamaica, limão, laranja e açúcar mascavado. Provámos, também, isto já durante a visita à ilha Isabela (que inclui, no preço do “tour”, um almoço em restaurante local), uma sopa de peixe, que continha, para além deste, mandioca e banana6. Estava deliciosa. Os equatorianos têm o (bom) hábito de comer sopa, algo que não se vê tanto, por exemplo, no Brasil.

Ilha Isabela.

Isabela, a maior ilha das Galápagos7 tem uma história curiosa. Os americanos montaram ali uma base naval durante o período da II Guerra Mundial, com a intenção de controlarem o Pacífico. Construíram a primeira estação de dessanilização das Galápagos8 e foram eles que construíram também o aeroporto de Baltra, dando origem ao desenvolvimento de Puerto Ayora, na ilha de Santa Cruz, uma vez que Baltra é minúscula e Santa Cruz está logo ali, separada apenas pelo estreito canal Itabaca. Um pouco mais tarde, em 1946, o governo equatoriano9 decidiu desterrar para Isabela cerca de 300 presos, alguns bastante perigosos10. Em princípio andavam à solta, mas, em 1948, iniciou-se a construção de um perímetro, que nunca chegaria a ser acabado, através de um muro, com cerca de 25 metros de altura, erguido, pedra sobre pedra11, pelos prisioneiros. Muitos morreram, a maioria soterrada, debaixo das pedras desmoronadas, numa espécie de tarefa de Sísifo. À mínima desobediência ou revolta eram fuzilados. Em 1959, os sobreviventes da Colónia Penal assaltaram, pela calada da noite, um iate que estava ancorado na baía de Puerto Villamil, sequestrando os ocupantes, uma família dos Estados Unidos, e fugiram não se sabe para onde, não tendo sido mais encontrados. Assim, ao fim de 13 anos, extinguia-se a Colónia Penal da Ilha Isabela.

Ilha Santa Fé.

Decorreu muito tempo até que a riqueza natural das ilhas e o seu interesse científico fossem reconhecidos, apesar da passagem de Darwin pelo território. As Galápagos foram povoadas por pescadores, baleeiros, piratas, corsários e desterrados de todo o mundo, que aqui se fixaram temporariamente. As tartarugas (cuja carne dizem ser deliciosa) e os lobos marinhos12 serviam-lhes de alimento e isto, a par da colonização dos mamíferos, introduzidos pelos humanos, destruiu algumas espécies e quase provocou a extinção das tartarugas gigantes que dão o nome às ilhas. Formigas, ratos, burros, cães, gatos, porcos, bois, cabras, todos, cada um à sua maneira, matam, direta ou indiretamente, as tartarugas. Assim, as autoridades do Parque Nacional atuam em duas vertentes para preservá-las. Por um lado, criam as tartarugas em cativeiro até aos 10 anos13, enquanto as suas carapaças ainda não são suficientemente fortes para resistirem, por exemplo, às mordidas de um cão; por outro lado, eliminam sistematicamente todos os animais, sobretudo mamíferos, que vivam em estado selvagem, e que possam pôr em perigo a sobrevivência da espécie e várias subespécies terrestres das tartarugas gigantes. Assim,  elas podem atingir uns surpreendentes 300 anos.

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Iguana marinha na praia Tortuga Bay, em Santa Cruz.

Quando se viaja pela primeira vez para as Galápagos, inevitavelmente se cria a expectativa de encontrar muitas espécies, diferentes das que fazem parte do nosso quotidiano, já que 80% das aves e 90% dos répteis (assim como uma em cada cinco espécies marinhas) só existem neste arquipélago. Essa expectativa não é gorada, tanto no que diz respeito à flora, quanto à fauna, também. Dos animais emblemáticos das ilhas, podem observar-se facilmente tartarugas gigantes, lobos marinhos, iguanas terrestres e marinhas, pelicanos e fragatas, em convívio perfeito com os seres humanos, nas ilhas habitadas. Mais difícil é encontrar os belos atobás de patas azuis, aqui conhecidos como piqueros de patas azules14. Queríamos muito encontrar nem que fosse um único exemplar, e conseguimos, quase em desespero de causa, topar com um, numa zona rochosa da ilha de San Cristóbal. Parecia que estava à nossa espera! Observou, curioso, os nossos movimentos de aproximação e deixou-se ficar o tempo suficiente para que tirássemos dezenas de fotografias, algumas apenas a 3 metros de distância. Depois, em jeito de despedida, levantou um voo suave e circular, desaparecendo por trás dos rochedos.

Atobá na ilha de San Cristóbal. O atobá de patas azuis foi amplamente estudado por Darwin. Tal como outras espécies do arquipélago, está acostumado à presença humana.

As cores — do mar, dos animais, das plantas e das flores — parecem mais vivas nas Galápagos. Porém, o mais surpreendente de tudo são as pessoas que, aliás, convivem de forma harmoniosa com os animais. Educadas, simpáticas e generosas, agem de forma simples, ao ritmo da natureza, e, por isso, vivem mais e melhor. Para além da longevidade, a criminalidade nas Galápagos é (quase) nula, e não admira que cada vez mais pessoas procurem estas paragens. Isto constitui um problema, dado que a ocupação do território pelos humanos não pode exceder os 3%15, se se quiser que o estatuto de Património Natural da Humanidade, atribuído pela UNESCO em 1979, continue vigorando nas Galápagos. Afinal, só alguns podem viver no paraíso, embora, potencialmente, todos possamos visitá-lo.

Na pousada Twin Suites, com Telma, senhora Esperanza e a filha desta.

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Notas:

1 Embora os guias locais digam que a palavra “Galápagos” deriva de “sela”, dado que as carapaças das tartarugas se parecem com selas de cavalo e esta também se diz “galápago”, em castelhano, uma investigação mais profunda parece indicar que a origem mais provável seja celtibérica, dadas as palavras “galàpet” (em catalão) e “cágado” (em português), embora também possa derivar de “calapaccu” ou “carappaceu”, origem de “calabaza” e “carapazón”, respetivamente. Seja como for, Galápago transformou-se, sem dúvida, em sinónimo de tartaruga.

2 Cerca de 20.000 pessoas vivem em Santa Cruz.

3 O mesmo se passa na capital, Quito, onde os “almuerzos” valem, igualmente, 2,5 dólares.

4 O peixe e o marisco são, de facto, muito bons porque as águas do mar são relativamente frias, se as compararmos, por exemplo, com as do Nordeste do Brasil, apesar de, nas Galápagos, estarmos praticamente em cima da linha do equador. Isto tem que ver com a corrente fria de Humboldt (todas as correntes do Pacífico são frias). Apesar disto, a temperatura da água do mar nunca cai abaixo dos 21 graus e pode atingir os 27 no mês de março, o mais quente do ano. A temperatura média rondará, assim, os 23/24 graus. A temperatura do ar é, também, relativamente amena.

5 Na Semana Santa é típico comer nas Galápagos, e em todo o Equador, um prato feito com ervilhas, milho, feijão, queijo, ovos cozidos e outros ingredientes, que leva bacalhau cozinhado em leite – a fanesca. Ver a receita aqui: http://www.confirmado.net/receta-para-la-preparacion-de-la-fanesca/

6 A banana é omnipresente na cozinha “galapagueña”.

7 Nesta ilha habita a maior parte das tartarugas selvagens. As cabras aqui introduzidas pelos humanos chegaram ao número impressionante de 100.000. As cabras destroem a vegetação de que se alimentam as tartarugas e foram por isso exterminadas pelas autoridades do Parque Nacional e da Fundação Charles Darwin. Aqui fica o vulcão Sierra Negra, um dos mais ativos em todo o mundo. Em 1905, a população da ilha era apenas de 200 habitantes. A costa oeste é o melhor local das Galápagos para se observarem baleias e golfinhos.

8 Não existe água potável no subsolo das ilhas. A água tem de ser dessanilizada. Várias empresas fazem esse trabalho, vendendo depois a água à população. Estão a ser construídas estações com energias eólica e fotovoltaica. Nota-se uma grande preocupação com o ambiente nas ilhas.

9 Foi o presidente equatoriano, José María Velasco Ibarra, quem instituiu a Colónia Penal da Ilha Isabela. As prisões saturadas do Equador continental, a política conturbada da época e a concepção, no imaginário equatoriano, de que as Galápagos eram um lugar desterrado e de piratas, parecem ter sido as principais razões para esta decisão.

10 isto foi o que nos “vendeu” o guia local, mas a investigadora equatoriana Paola Rodas, da universidade de San Francisco de Quito, afirma que à colónia chegaram presos condenados por delitos menores, que não seriam presos perigosos.  De acordo com esta pesquisadora, a ideia da alta perigosidade constitui um mito, forjado em torno de um assunto propício ao imaginário popular.

11 Pedras vulcânicas de basalto.

12 As tartarugas serviam para produzir óleo, também. Os lobos marinhos podem estar semanas sem comer e, por isso, eram muito úteis aos marinheiros, pois estes podiam ter carne fresca durante bastante tempo, mantendo os lobos marinhos vivos nas embarcações.

13 Em algumas ilhas existem estações do Parque Nacional onde os ovos, recolhidos nos locais de nidificação, são guardados e regulados até o nascimento das tartarugas. Com uma temperatura de 28 graus nascem fêmeas e com 26 graus, machos, podendo assim controlar-se o equilíbrio da espécie. As tartaruguinhas passam por determinados estádios e processos até atingirem os tais 10 anos e serem devolvidas à Natureza.

14 O atobá de patas azuis foi amplamente estudado por Charles Darwin durante a sua viagem pelas Galápagos. A fêmea põe de um a três ovos de cada vez e esta espécie pratica a chamada “eclosão assincrónica”, isto é, os ovos que se põem primeiro são incubados antes dos ovos seguintes, resultando isto numa desigualdade de crescimento e uma disparidade no tamanho entre irmãos. A cria maior ataca e expulsa frequentemente do ninho a menor, perante a indiferença da mãe. A cor das patas do macho é importante na escolha da fêmea. O brilho da tonalidade azul diminui com a idade, pelo que as fêmeas tendem a escolher machos com patas brilhantes e coloridas, sinónimo de juventude. Elas preferem os machos jovens, dado que estes têm maiores fertilidade e capacidade para proporcionar cuidados paternais que os machos de maior idade. Assim, os machos praticam uma espécie de dança, erguendo as patas, para que as fêmeas vejam bem sua cor.

15 Os restantes 97% constituem o Parque Nacional das Galápagos, criado em 1959. Em 1986 o governo equatoriano criou também a Reserva de Recursos Marinhos das Galápagos.

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Fontes:

http://www.bbc.co.uk/mundo/noticias/2013/11/131118_ecuador_carcel_galapagos_jrg.shtml

http://www.lareserva.com/home/Alcatraz_patas_azules

http://animals.nationalgeographic.com/animals/birds/blue-footed-booby/

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As ruas mais belas do mundo

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Rua Augusta, Lisboa.

A revista de viagens espanhola Condé Naste Traveler publicou esta semana um artigo sobre “As 31 ruas a percorrer antes de morrer”[1].

Duas delas ficam em Portugal e outras tantas no Brasil. Em Portugal foi eleita a Rua Augusta, em Lisboa, e o Cais da Ribeira, no Porto.

Escreve-se, na revista, sobre a Rua Augusta: “Ampla, brilhante, obrigatória para captar toda a essência da cidade… uma delícia lisboeta”.

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Rua Gonçalo de Carvalho, Porto Alegre.

Já no Brasil, as ruas contempladas foram a Rua Gonçalo de Carvalho, em Porto Alegre, e a Rua Manoel Carneiro, uma escadaria colorida no bairro da Lapa, Rio de Janeiro.

Sobre a Rua Gonçalo de Carvalho, escreve-se o seguinte:”Está repleta até o topo de ramos e folhas da árvore Tipuana Tipu. A própria cidade iniciou uma campanha na internet considerando, com orgulho, que esta rua era a mais bonita do mundo e pedindo a sua classificação como património ambiental. A verdade é que o merece”.

O artigo contemplou ruas de dezanove países, mas apenas a Espanha (4), os EUA (4) e a Inglaterra (3) têm um número maior de ruas (incluídas nas 31 mais bonitas) que Brasil e Portugal.

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[1] Artigo completo em:

http://www.traveler.es/viajes/rankings/galerias/las-calles-mas-bonitas-del-mundo/704/mosaico/1

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Quiosque do Dodô, Tramandaí, RS, Brasil

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Aqui deixo uma dica para os porto-alegrenses que vão passar o fim de semana a Tramandaí: o Quiosque do Dodô.

Entrando em Tramandaí [1], seguem como se fossem para Imbé e, na última rua antes da ponte que cruza o rio, viram à direita. Uns 300 metros depois, verão o restaurante. Recomendo-o por três razões fundamentais.

Primeiro, a tainha grelhada, deliciosa. Depois, o ambiente – a brisa que (quase) sempre corre, o rio Tramandaí, os abius mergulhando em busca de alimento, os pescadores. Um lugar natural, sem sofisticação mas muito encanto. Por fim, a música de Jorge Pereira, o entertainer de serviço: bossa nova, bolero, pop – tudo com a suavidade que o ambiente requer, sem perturbar as aves do rio, os pescadores ou a tainha.

Recomendo vivamente. Podem dizer ao Joalmir que vão da minha parte.

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[1] A cidade do litoral mais perto de Porto Alegre.

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Fundação Iberê Camargo

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A Fundação Iberê Camargo situa-se na margem oriental do Guaíba, em Porto Alegre, num edifício projetado pelo arquiteto português Álvaro Siza Vieira, premiado com O Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2002, referência arquitetónica da capital gaúcha.

Iberê Camargo (1914-1994) foi um ilustre artista plástico rio-grandense, nascido em Restinga Seca, que produziu mais de 7000 obras, entre desenhos, guaches, gravuras e pinturas, uma grande parte das quais faz hoje parte do acervo da fundação.

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Camargo é um dos grandes nomes do panorama artístico do século XX brasileiro e, embora nunca se tenha filiado em quaisquer corrente ou movimento, exerceu forte influência no meio intelectual do seu país. Resistiu às correntes modernista e concretista, mantendo um estilo próprio,  mas sempre extremamente exigente consigo próprio. Para muitos, é o maior pintor brasileiro de todos os tempos.

Tal como Caravaggio (1571-1610) um assassínio marca a sua biografia. Matou um engenheiro, a tiro, alegadamente em legítima defesa, num dia em que saiu à rua para comprar postais de Natal.

O acervo da fundação é constituído por um núcleo documental e um núcleo com a coleção Maria Coussirat Camargo (esposa de Iberê), o qual inclui obras do pintor, acumuladas pelo casal ao longo dos anos.

Para lá das obras de Iberê, o espaço reúne também exposições temporárias. Até 4 de março de 2014 é possível visitar uma exposição denominada ZERO, a qual reúne obras de seguidores (de vários países) daquele movimento, fundado em 1958, pelos alemães Heinz Mack e Otto Piene 1.

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1 Grande parte das informações aqui divulgadas consta de folhetos disponibilizados pela própria Fundação Iberê Camargo. 

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La Boca, Alfama e o Lunfardo

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La Boca é um bairro portenho [1], situado na antiga zona portuária, na margem direita do rio da Prata, onde nasceram dois grandes clubes argentinos, River Plate e Boca Juniors . Não vou alongar-me sobre a história deste típico bairro, até porque isso está disponível para consulta em muitos sítios da internet. Vou apenas mostrar as semelhanças, algumas delas muito curiosas, que o mesmo tem com Alfama.

1- Situam-se na margem (direita) de um rio.

2 – Estão na origem das cidades de que fazem parte, Buenos Aires e Lisboa.

3 – Têm em frente um mar que não é mar – mar da Prata [2] e mar da Palha.

4 – Desenvolveram-se a partir das atividades portuárias.

5 – São o coração de dois tipos de música, ambos Património Cultural Imaterial da Humanidade, assim classificados pela UNESCO – o tango e o fado.

6 – São bairros extremamente populares e a sua população é, em geral, pobre [3].

7 – Em La Boca usa-se uma interlíngua que se chama “lunfardo”, a qual se deve à passagem de marinheiros estrangeiros pelo bairro, sobretudo italianos, mas também portugueses. Muitos vocábulos dessa gíria são usados também em Alfama. Aqui ficam alguns exemplos que a maioria dos alfamenses certamente reconhecerá. “Guita” (dinheiro); “cana” (prisão); “canoas” (sapatos); “engrupir” (enganar); “fachada” (cara); “fanar” (roubar); “farra” (festa); “gagá” (debilitado mentalmente); “garfos” (dedos do carteirista); “lábia” (facilidade para dialogar); “mancar” (entender, compreender); “morfar” (comer); “palpitar” (imaginar); “tanga” (fraude, engano); “untar” (subornar); “zarpar” (ir-se rápido) [4] [5].

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[1] Relativo a Buenos Aires.

[2] O rio da Prata, dada a extensão do seu enorme estuário foi confundido com um mar. Daí terem-lhe chamado Mar da Prata. Ainda hoje há quem o chame assim.

[3] Como se pode ver pelo exemplo que mostramos na foto de La Boca (registada em 2009), muitas casas foram pintadas com cores vivas e variadas. Isto teve origem no aproveitamento dos restos das tintas usadas para pintar os navios, que os locais recolhiam para pintarem suas próprias casas.

[4] Existem até dicionários de Lunfardo, como pode ver-se pelo exemplo aqui:

http://www.elportaldeltango.com.ar/lunfardo/

[5] Já agora, fica também a referência a outro tipo de interlíngua que se fala na região – o “portunhol” (ou portanhol). Uma mistura, como a termo indica, de português com espanhol, falado sobretudo na zona da tríplice fronteira, entre Brasil, Argentina e Paraguai (ver foto no artigo deste blog sobre as Cataratas do Iguaçu) e também na zona da fronteira sul do Brasil, entre o estado do Rio Grande do Sul e o Uruguai.

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Colónia del Sacramento

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A Rua da Aurora.

O rio da Prata sempre foi uma via estratégica muito cobiçada por portugueses e espanhóis, os primeiros para exportarem os produtos agrícolas do Brasil e os segundos para escoarem as riquezas mineiras peruanas. Foi na sua margem esquerda, na confluência com o rio Uruguai, praticamente em frente à atual Buenos Aires, que os portugueses edificaram, em 1680, uma praça fortificada, a que chamaram Nova Colónia do Santíssimo Sacramento. O fundador foi Manuel Lobo, governador do Rio de Janeiro, a quem o rei de Portugal incumbira tal missão.

As disputas entre portugueses e espanhóis por aquele lugar, haveriam de durar quase 100 anos. Logo após a construção da fortaleza, uma força enviada pelo governador de Buenos Aires, composta por 300 soldados espanhóis e milhares de indígenas, provocou um massacre na reduzida guarnição lusa. Porém, em 1681, a diplomacia portuguesa, com ameaças de fortes represálias, impôs ao débil rei espanhol D. Carlos II, negociações que resultaram na devolução pacífica da cidade aos portugueses. Durante 24 anos, aquela praça permaneceu sob a bandeira de Portugal. Em 1704 ascendeu ao poder, em Espanha, Felipe V, que ordenou uma ação militar para desalojar os lusitanos, ação que viria a ser executada, mais uma vez, por uma força de Buenos Aires, comandada por Baltasar García Ross. Atacados por terra, os portugueses escaparam em embarcações que acorreram em seu auxílio [1] [2].

Em 1715, na sequência do Tratado de Utrech [3], Portugal obteve o direito à posse da cidade, comprometendo-se a não a expandir para lá da distância percorrida por uma bala de canhão. Apenas em 1777, com a assinatura do Tratado de San Ildefonso, terminaram as querelas entre Espanha e Portugal, e a cidade passou definitivamente para mãos espanholas.

O bairro histórico da cidade, ou seja, precisamente o antigo burgo fundado pelos portugueses, foi declarado Património Histórico da Humanidade pela UNESCO, em 1995. A cidade está bem preservada e é notória a presença portuguesa ali. No Museu do Azulejo existe um interessantíssimo espólio e em cada canto, mesmo nas pedras das calçadas, se respira Portugal. A nossa visita foi feita a partir de Buenos Aires, do outro lado do Prata, através de um catamaran que percorre os 50 kms de distância em cerca de uma hora.

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[1]http://mas-historia.blogspot.com.br/2011/07/fundacion-de-colonia-del-sacramento.html

[2] Ver também o artigo anterior deste blog, sobre São Miguel das Missões.

[3] “O mesmo agente inglês que negociou o acordo comercial de 1703 (John Methuen) também tratou das condições que garantiriam a Portugal uma sólida posição na conferência de Utrecht. Aí conseguiu o governo lusitano que a França renunciasse a quaisquer reclamações sobre a foz do Amazonas e a quaisquer direitos de navegação nesse rio. Igualmente nessa conferência Portugal conseguiu da Espanha o reconhecimento de seus direitos sobre Colónia do Sacramento. Ambos os acordos tiveram a garantia direta da Inglaterra.” in                                     https://ilovealfama.com/2013/02/08/formacao-economica-do-brasil/

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São Miguel das Missões

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O que resta da igreja de São Miguel.

São Miguel das Missões, antigo povoado de São Miguel Arcanjo, integra-se no chamado território missionário, uma vasta zona que inclui parte dos atuais Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil. As aldeias, fundadas pelos jesuítas espanhóis,  chamavam-se Reduções[1] e, das trinta que foram criadas, podemos encontrar sete no Brasil: São Miguel, Santo Ângelo, São Nicolau, São João Batista, São Lourenço, São Luís Gonzaga e São Francisco de Borja – os Sete Povos das Missões, situados na margem oriental do rio Uruguai.

O que ainda resta da Igreja de São Miguel, cuja construção se iniciou em 1735, bem como o Museu das Missões, erguido na área da antiga Redução, em 1940, estão classificados como Património Mundial, pela UNESCO, desde 1983. San Ignacio Miní, na Argentina, e Trinidad, no Paraguai, são outras Missões classificadas como Património Mundial. Todas elas se situavam, no início das construções, na província jesuítica do Paraguay, território pertencente à coroa espanhola. [2]

Apesar do abandono a que foi votada durante muitos anos e aos saques de que foram alvo as Missões no decorrer da Campanha Cisplatina, a Igreja de São Miguel é a única, das três classificadas como património mundial, que mantém a fachada completamente preservada. O projeto da igreja, em estilo barroco tardio, é atribuído ao arquiteto jesuíta Gian Battista Primoli e foi, provavelmente, inspirado na igreja central da Ordem dos Jesuítas, a Igreja de Gesú, em Roma.

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Onça pintada e coruja. Os índios ganham algum dinheiro vendendo artesanato aos poucos turistas que visitam São Miguel das Missões.

No museu podemos encontrar esculturas, a maioria em madeira, reunidas pelo seu primeiro zelador, Hugo Machado, que muitas vezes se apresentou como beato, para as conseguir recolher das mãos de particulares, constituindo, este conjunto, a maior coleção pública missioneira. Há obras de escultores europeus, mas a maior parte foi executada pelos índios guarani, como se pode comprovar pelos traços dos rostos, pelos detalhes dos cabelos, pelas vestes, etc. [3]

Ainda hoje os guarani continuam esculpindo a madeira, como tivemos oportunidade de comprovar, em toda a região. A uma linda menina guarani compramos, em São Miguel da Missões, duas miniaturas – uma de onça pintada e outra de coruja.

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[1] Reduções, precisamente, por reduzirem o espaço de circulação dos índios ao território da Missão.

[2] Só em 1801 os sete Povos das Missões foram conquistados pelos luso-brasileiros e, desde então, fazem parte do Rio Grande do Sul. Os territórios da América do Sul foram sempre muito disputados pelas coroas portuguesa e espanhola e, em 1750, através do Tratado de Madrid, ficaram quase completamente definidas as fronteiras atuais do Brasil, com grande vantagem para os luso-brasileiros, que perdiam Colónia del Sacramento, no atual Uruguai, cidade fundada pelos portugueses, em1680, na margem esquerda do Rio da Prata, mas ganhavam os sete Povos das Missões e, no fundo, todo o Rio Grande do Sul, todo o atual estado se Santa Catarina e ainda a Amazónia e mais alguns territórios que estavam na parte espanhola definida pelo Tratado de Tordesilhas, revogado pelo Tratado de Madrid. O rio Uruguai seria a fronteira entre Brasil e Argentina.Tratado tão desvantajoso não foi bem aceite pelos espanhóis e novos tratados foram firmados. Em 1761, o Tratado de El Pardo, que estipulava o regresso à situação anterior a 1750, e, em 1777, o Tratado de Santo Ildefonso onde foram criados os “campos neutrais”, faixa de terra onde nenhum dos impérios teria jurisdição. Era esta a situação dos sete Povos das Missões, território neutro, em 1801, quando os luso-brasileiros, a pretexto da guerra que a Espanha declarou a Portugal, por pressão dos franceses (invasões napoleónicas da Península Ibérica), decidiram conquistá-los.  José Borges do Canto, filho de pai açoriano e mãe de Colónia del Sacramento, e Gabriel Ribeiro de Almeida, filho de português e índia, que viviam na zona, falavam o idioma guarani e conheciam bem os índios, foram os homens a quem geralmente é atribuída a conquista das Missões, para o que contaram com a colaboração de um pouco número de homens e dos próprios índios guarani. Tratou-se, portanto, de uma conquista local. Sobre estes episódios pode ler-se o excelente texto de Elisa Frühauf Garcia, aqui:

[3] Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Brasil).

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O melhor pastel de nata do mundo, depois do (ou, talvez, “com o”) pastel de Belém

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Serafim Cunha.

Não podíamos publicar melhor artigo para inaugurar 2014 do que este — exemplo feliz (e delicioso) da dinâmica cultural luso-brasileira — cujo protagonista é Serafim Cunha, 55 anos, no Brasil desde os dezasseis, onde casou e teve dois filhos.

Após mais de uma década de investigação, ele conseguiu produzir o melhor pastel de nata do mundo,  na cidade brasileira de Palhoça, em Santa Catarina, mesmo ao lado de Florianópolis.

Serafim tem, por enquanto, uma pequena produção, mas a tendência natural é que a mesma aumente, seja no que diz respeito aos pastéis de nata, seja em relação a cerca de uma dezena de outros bolos que fabrica, dado que o nível dos produtos é de primeiríssima qualidade.

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Os pasteis de nata de Serafim, já com açúcar em pó. Deliciosos.

Já tínhamos provado pastéis de nata no Brasil (lembro de uma casa em Porto Seguro, por exemplo), mas nada, nem aqui nem em Portugal, excetuando, naturalmente, os pastéis de Belém, se pode comparar ao sabor magnífico dos pastéis produzidos em Palhoça. De facto, este pastel é em tudo idêntico ao pastel de Belém, há apenas uma pequena diferença na massa, e é muito difícil dizer qual é o melhor.

Jamais imaginaríamos que uma réplica de tamanha qualidade pudesse ser encontrada a oito mil quilómetros de Lisboa, numa cidade desconhecida para a maioria dos portugueses. Tesouros como este enriquecem ainda mais o já vasto património cultural luso-brasileiro e merecem ser divulgados e conhecidos.

O espaço onde é fabricada esta iguaria situa-se no centro comercial Via Catarina Shopping e chama-se Ateliê Português.

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