Ainda o Turismo

Alfama
O bairro histórico de Alfama.

A Associação de Turismo de Lisboa divulgou hoje um relatório do qual destacamos os seguintes dados, relativos ao ano de 2015.

– 8.437 milhões de euros gerados pelo turismo na região de Lisboa.
– 149.914 novos postos de trabalho motivados pelo turismo.
– 7,3 milhões de hóspedes (o dobro de 2005).
– Aumentos proporcionados pelo turismo em 2015, relativamente ao ano anterior (2014): + 240 milhões de euros na hotelaria; + 200 milhões de euros na restauração; + 140 milhões de euros em transportes e compras; + 100 milhões de euros em congressos.
– De acordo com pesquisa levada a cabo pela ATL, 91% da população lisboeta considera que o turismo causa um impacto positivo na cidade.

As pessoas que estão cansadas e incomodadas devido ao aumento do número de turistas em Lisboa, sobretudo nos bairros históricos, deveriam olhar com atenção para estes números. A realidade mostra que o turismo é o setor que mais contribui para que a economia – e, logo, a nossa vida – não esteja, nestes tempos difíceis, muito pior. A diminuição do desemprego em Portugal deve-se, em larguíssima medida, ao aumento do turismo. O “comportamento” positivo das nossas exportações deve-se também ao turismo que representa 15% do total. Em suma, os milhões de cidadãos que nos visitam são os grandes responsáveis pela melhoria dos dados económicos do país. As receitas do turismo em 2016 ascendem, em todo o país, aos 12.680 milhões de euros, um crescimento de 10,7% face a 2015.

Entretanto, o Porto foi considerado o melhor destino europeu para 2017. O turismo diversifica-se em Portugal, já não é apenas Lisboa e o Algarve. Os prémios recorrentes que vencemos provam a nossa vocação turística. Uma vocação que se baseia numa característica genuinamente lusa – a universalidade do nosso povo e a qualidade, tão nossa, de bem-receber.

Alfama à Solta

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Metade do gesto elegante é pura hipocrisia. Mas isso não lhe retira o encanto.

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Uma vez que defendo, no campo do conhecimento, o abandono da metafísica, enquanto matéria filosófica, aparentemente não restará à Filosofia qualquer papel, dado que todas as ciências dela se emanciparam. Porém, embora cada ciência tenha o seu objeto próprio, já todas estiveram integradas numa única disciplina – a Filosofia. Isto quer dizer que todas elas mantêm uma ligação entre si, apesar da sua autonomia. A disciplina que trata dessa ligação, que une todas as ciências, é precisamente a Filosofia.

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O ser humano que se aventura no desconhecido, qual passarinho lançado no espaço antes do acordo da mãe, é, em geral, o mais nobre e generoso.

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O milagre económico da Direita redunda, em geral, em desastre social; o milagre social da Esquerda redunda, em geral, em desastre económico.

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Os sintomas de clubite aguda são, amiúde, a ponta do iceberg de uma patologia crónica, por definição incurável, face à incapacidade do indivíduo reconhecer – e tão pouco admitir – o seu estado de mania ou depressão.

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O futebol é a forma socialmente aceite de desejarmos o pior aos nossos vizinhos e amigos.

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A Liberdade, individual ou coletiva, é algo tão amplo, profundo e desconhecido que chega a ser assustador. É por isso que as regras sociais não são suficientes, precisamos de outras balizas para não nos sentirmos perdidos no mundo. A adoção de dogmas, pessoais ou coletivos, é o preço a pagar pelo medo da Liberdade.

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São desinteressantes as entrevistas em que os convidados falam de si próprios. As vidas privadas têm, por vezes, interesse público, mas quase nunca quando analisadas em causa própria. É entediante a conversa sobre idiossincrasias de personalidades infladas pelo sopro mediático. Fernando Pessoa tinha razão: a publicidade da vida privada é, não apenas esteticamente, algo desprovido de valor.

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Nenhuma carreira produz resultados tão definidos como a de advogado – 1% de heróis e 99% de cretinos.

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Esquerda e Direita são como dois sacos onde cada um – de acordo com a sua história pessoal – coloca o que quer. Eu há muito que despejei cada um deles. E para que não restassem dúvidas, lancei os sacos no lixo.

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É verdade, às vezes, fico hesitante. É que vejo tanta gente com ar professoral, convencida da sua sapiência, que fico de pé atrás – quem me diz que não acontece o mesmo comigo?

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Não é procurando provas que confirmem a nossa posição que a fortalecemos. Fazêmo-lo buscando provas contrárias à nossa posição.

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Os ideólogos mais empolgados continuam falando como se estivéssemos ainda na Guerra Fria. Entretanto o mundo “pula e avança”.

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Há “filósofos” que nos dizem como devemos pensar (ou comportar-nos) e há filósofos que não nos dizem como devemos pensar (ou comportar-nos). Só estes últimos são filósofos verdadeiros. Quem não reconhecer a diferença entre os dois géneros pouco percebe de Filosofia.

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Há duas obras que nos fazem entender melhor o que são o totalitarismo e o historicismo, e ambas escritas na ressaca da II Guerra Mundial. Refiro-me aos trabalhos monumentais de Karl Popper e Hannah Arendt, respetivamente, A Sociedade Aberta e Seus Inimigos e Origens do Totalitarismo, duas das obras mais importantes do século XX. Quem não as leu terá certamente uma perspetiva mais pobre sobre a centúria onde mais seres humanos pereceram, face à incúria de políticos irresponsáveis.

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Em matéria política, a sabedoria está do lado do homem comum, não do dos intelectuais.

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As melhores sociedades humanas são aquelas onde se tenta minimizar o mal. As piores são aquelas onde se tenta maximizar o bem.

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Governar um país é como navegar à bolina. Ora para estibordo, ora para bombordo, apenas o tempo necessário para manter o rumo.

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Pouco importa teres muitos conhecimentos se não tiveres com quem os discutir; pouco importa estares num lugar paradisíaco  se não tiveres com quem o partilhar; pouco importa o amor que tens no coração se não tiveres a quem o dar. As únicas coisas que te consomem sozinho são o ódio e a inveja.

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John Stuart Mill disse uma vez o seguinte ao liberal francês Alexis de Tocqueville: ” o gosto em fazer com que os outros se submetam a um modo de vida que consideramos mais útil para eles do que eles próprios consideram não é muito comum na Inglaterra”. Eis por que gosto tanto dos ingleses.

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Dois dos maiores países do mundo transformaram-se em Estados comunistas na sequência da Grande Guerra. A Rússia pela ajuda que a Alemanha deu a Lenine e a China por se sentir injustiçada com os termos do Tratado de Versalhes.

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Se algum pensamento te perturba, lembra-te que sentimentos negativos atingem a todos. Alguns ultrapassam-nos mais facilmente porque não são tão exigentes com eles próprios como tu és contigo.

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Muitas obras antigas não teriam sido realizadas se naquele tempo já existissem psicólogos.

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As ideologias são medicamentos fora de prazo.

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Gosto de pessoas que falham, que erram, que se enganam. Gosto de pessoas humanas. Mas pior que os infalíveis são os moralistas. Estes são os seres mais perniciosos em sociedade.

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A moral não se apregoa, pratica-se e é tudo. Jesus foi revolucionário porque rejeitou a moral vigente; por isso era conhecido como o “amigo dos pecadores”; e por isso foi condenado à morte.

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Para Einstein o tempo é aquilo que se mede com um relógio e o espaço o que se mede com uma régua. E como se medem as teorias políticas? O instrumento adequado para medi-las é a História.

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Escrever bem implica dizer o que se pretende usando o menor número de palavras dentro do leque mais vasto possível.

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Que coisa é essa do comunismo, senão um regresso ao passado, ao tempo da gens, quando não existia ainda a propriedade privada, o casamento monogâmico, o comércio, o dinheiro vil? Os comunistas discordam da civilização, mas servem-se dela. Nenhum comunista larga tudo para viver em grupo fechado, na natureza.

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O excesso de culpa pode fazer-nos virar contra nós próprios até ao insuportável, e levar-nos a cometer um crime; a ausência de culpa pode transformar-nos em loucos psicopatas. Em nenhum outro lugar, como dentro de nós, é tão importante o equilíbrio.

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Acontece com frequência conceder-se maior tolerância a alguns seres humanos prolixos, extravagantes ou geniais, a quem não se leva a mal o exagero, a indelicadeza quando não a ofensa. A tolerância que eu possa ter – e tenho – não tem a ver com esses critérios. Em mim, os extraordinários não têm sobre os ordinários qualquer privilégio.

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O tempo é um imenso rolo compressor que tudo nivela.

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O princípio da morte sem dor (morte assistida) deveria ser consagrado numa sociedade verdadeiramente humana, como o é o “não matarás”, por exemplo. O verdadeiro salto civilizacional dar-se-á quando dedicarmos a quem parte a mesma atenção e cuidado que dedicamos a quem entra na vida.

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Nada pode mostrar-nos melhor a importância do equilíbrio do que um bom vinho.

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Nenhuma outra palavra é mais adequada como sinónimo de bode expiatório: judeu.

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Envelhecemos e tornamo-nos mais pragmáticos, menos idealistas; ficamos mais tolerantes, mas jamais menos sensíveis.

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A terminologia social e política é fértil em equívocos. Por exemplo, é comum considerar os partidos marxistas-leninistas, e a esquerda mais radical, como “progressistas”. Ora, isto é uma enorme falácia, frequentemente ignorada. De facto, a génese dos pensamentos de Marx e Engels (e antes deles de Platão e Rousseau, entre outros) é conservadora e retrógrada: representa o regresso ao passado, ao tempo sem Estado, sem propriedade privada, sem pensamento crítico, sem ciência e filosofia – é o regresso ao tribalismo mágico. E se é legítimo querer e defender este regresso, já é completamente ilegítimo querer impô-lo aos outros, mesmo que para tal se use os mais variados subterfúgios, como o de apelidar esse caminho de “progressista”.

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Faz-me confusão a militância canina; o fervor de Testemunha de Jeová; o comportamento tribal; a completa ausência de autocrítica; a realidade distorcida e falseada pela cegueira ideológica (ou religiosa, ou clubística, ou outra qualquer); a incapacidade de perceber que são aqueles que mudam da direita para a esquerda e da esquerda para a direita quem faz o caminho, porque a vida é uma navegação à bolina, não uma viagem a favor do vento.

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Há três tipos de marxistas: 1) Os que nunca leram “O Capital”; 2) Os que leram “O Capital” e não o entenderam; 3) Os que leram e entenderam “O Capital”. Noventa e nove por cento dos marxistas atuais pertencem aos dois primeiros grupos. Isso explica, em larga medida, porque existe um abismo entre a doutrina de Marx e os diversos marxismos.

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Os melhores medidores do desenvolvimento social de um Estado são as prisões, os hospitais psiquiátricos e os lares de idosos.

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Por princípio não sou anti-comunista, sou anti-ditador. Dado que a ditadura engloba vários géneros (fascismo, comunismo, nazismo, etc.), sou, subsidiariamente, anti-fascista, anti-comunista, etc.

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Todos precisamos de reconhecimento e os que afirmam o contrário são porventura os mais carentes. Então, por que Pessoa detestava ser reconhecido? Em primeiro lugar, por uma questão de pudor; em segundo, porque, como qualquer perfecionista, era inseguro. Insegurança e pudor, eis as características do esteta.

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O bom político é aquele que adapta as suas ideias à realidade e o mau político aquele que adapta a realidade às suas ideias.

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A diferença entre o grande e o pequeno artista é que o primeiro tenta compreender e o segundo procura ser compreendido.

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Podes interpretar uma bela melodia sem nunca teres estudado música. Podes pintar um belo quadro sem nunca teres tido um mestre. Mas não podes ser filósofo sem estudares filosofia; arriscas-te a dizer apenas disparates.

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A História da Filosofia é a história das ideias de Platão, Aristóteles, uma legião de seguidores e meia dúzia de contestatários. São estes últimos os que me interessam.

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Há no mundo inúmeros artistas. Talvez haja mesmo um artista escondido em cada um de nós. Mas não devemos esperar que o Estado sustente a nossa vocação artística. A primeira vocação que se exige a cada um(a) é aquela de sustentar-se honestamente.

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Por que, relativamente às teorias políticas, nunca é possível chegar a acordo, nem sequer saber, ou provar, qual a melhor ou mais adequada a determinadas circunstâncias? Porque, como mostrou Popper, as ciências sociais não adotam o método (de testabilidade) das ciências naturais. Pode parecer demasiado simples, mas é isto mesmo.

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Mais do que um ato de liberdade, a adesão a um partido político ou a uma ideologia, é a entrada numa prisão.

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Quem te convenceu que o teu governo é melhor que o teu patrão?

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A água da nascente cai, provocando milhares de milhões de bolhinhas que logo desaparecem. Estas bolhas somos nós. Umas duram mais uma fração de segundo que outras. A diferença de duração pode equivaler à diferença entre vivermos 10 ou 90 anos. O tempo real é o da água que corre. Se a nascente secar o tempo é finito, caso contrário, eterno. É isto o tempo.

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Não basta proclamar o amor para se ser nobre. Isso seria demasiado fácil e criaria a ilusão de que somos todos iguais, o que manifestamente não somos. Pelo contrário, algo nos diferencia nos esforços que fazemos (ou não) para aceitarmos, compreendermos e minimizarmos as nossas raiva, frustração e impotência e, quantas vezes, o ódio – irmão gémeo do tão banalizado amor. É esse esforço  – que quanto mais árduo for maior valor humano conterá – que pode, surpreendentemente, conduzir-nos ao amor verdadeiro. Aliás, ele é já, em si mesmo, um genuíno ato de amor.

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A principal diferença entre o idealista e o realista é que o primeiro valoriza as intenções e o segundo os resultados.

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Há ideias perversas que veiculam a mensagem de que existem nações melhores que outras. Mas o que existe apenas são nações piores, no período determinado em que, nestas, aquelas ideias proliferam.

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A Esquerda acredita que o homem nasceu bom e foi a sociedade que o corrompeu. A Direita, pelo contrário, acha que o homem é um ser imperfeito por natureza. É curioso que este pessimismo da Direita permita, no entanto, acreditar numa sociedade satisfatória; e que o otimismo original da Esquerda se transforme num permanente pessimismo (quando não, desespero) face à impossibilidade de reconduzir o homem ao seu estádio natural.

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Apesar dos graves problemas, vivemos no melhor mundo de sempre, um mundo maravilhoso. É esta mensagem simples e verdadeira que temos o dever de transmitir aos vindouros.
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Nada se pode sobrepor à minha experiência (adoto aqui a frase de Carl Rogers), nem sequer uma teoria científica. É com base naquela que, crítica e racionalmente, aceito ou rejeito esta.
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Há dois tipos de inflamação neuronal – a clubite e a partidarite. E desiluda-se quem ache que os sintomas são dissemelhantes. Ambas tornam o paciente acrítico relativamente à realidade.
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Se tivesse de escolher uma ciência puramente humana, não me viraria para a Medicina, a Filosofia ou a Psicologia. Escolheria outra muito mais paradoxal. Uma ciência que, criada, desenvolvida e reinventada por nós, ganhou uma “vida” que todos os dias procuramos desvendar: a Economia.
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A maior contradição das religiões cristãs, e sobretudo da católica, prende-se com a ritualização da morte. Existe uma contradição insanável entre a crença na vida após a morte e a tristeza profunda a que se assiste nos velórios e funerais. Essa contradição é ainda mais paradoxal quando – o que acontece frequentemente – a morte traz consigo a libertação, após um sofrimento atroz.
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Nenhuma questão macroeconómica se pode explicar e, sobretudo, antever apenas pelos números. Há sempre uma variável largamente indeterminada que influencia as decisões dos agentes económicos: as célebres expectativas. Nenhum político devia ignorá-las.
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Só sendo independente se pode ser convergente. O dependente é sempre divergente.
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Há várias formas de te dedicares à causa pública e de ajudares o próximo. A pior delas é alistares-te num partido político.
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Aprecio formas. Detesto formalismos.
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O maior absurdo da vida reside no contraste entre a consciência humana e a inconsciência da natureza.
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Não admira aquele impulso que nos conduz à taberna após o funeral de um amigo. A vida não é mais que uma curta bebedeira em que nos esquecemos que o nosso lugar não é aqui: estamos apenas no pequeno intervalo de uma peça que durará eternamente sem nós.
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A nossa necessidade de pertença a grupos alargados – clubes, partidos, bairros, nações – é limitativa da nossa liberdade.
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Liberdade não combina com coletivismo.
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A Literatura realista é bem mais interessante que a fantástica. É mais ampla, complexa, divertida, dramática, empolgante e, afinal, fantástica pela simples razão de que a realidade é sempre mais surpreendente que a nossa imaginação.
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A minha “intentatividade” dá-se em relação a pessoas e não a grupos. E, em geral, a pessoas que não pertencem a grupos.
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Às vezes apetece perguntar aos jovens de vinte e de trinta anos: já pensaram como vão ser daqui a outros vinte, trinta anos? Não? Pois eu digo-vos o seguinte: ou vão pensar exatamente o mesmo que pensam hoje – o que significará que se quedaram estupidamente petrificados – ou vão pensar algo completamente diferente – o que significará que a vida vos ensinou alguma coisa e devem, por isso, ser mais calmos, contidos e prudentes, relativamente ao que julgam saber, pois a vossa perspetiva inevitavelmente mudará.
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Dois modelos económicos são confrontados, em geral, nas eleições democráticas: o keynesiano e o (neo) liberal. Muitos são fiéis a um ou outro desses modelos. Mas alguns dividem-se e votam de acordo como que acham melhor em cada momento eleitoral. Estes têm razão. A teoria económica é como a teoria da luz. Tal como esta pode ser onda ou partícula, também a economia é, consoante as circunstâncias, keynesiana ou liberal. Entre elas não existe antagonismo, mas antes complementaridade.
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Sob o ponto de vista da política económica, os partidos com representação parlamentar portugueses dividem-se, grosso modo, em conservadores (CDS), liberais (parte do PSD), keynesianos (parte do PSD e PS) e marxistas (BE e PCP).
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Houve em tempos em Portugal um grande humorista chamado Herman José. Algumas das personagens que criava eram tão interessantes que ele, no meio delas, nos parecia – e era – absolutamente banal.
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O problema do exímio contador de histórias é ser primo do boateiro.
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Não são apenas o clima, a luz, as frutas, os queijos, o azeite, o vinho e o pão mediterrânicos que são os melhores do mundo. As mulheres são também as mais belas.
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Uma sociedade decente não é uma sociedade de iguais, pois todos somos diferentes e à diferença temos direito. Uma sociedade decente é uma sociedade de homens e mulheres livres.
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Brincar é bonito. “Gozar” é feio. A linha divisória entre uma ação e outra é marcada pelas educação e sensibilidade.
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O problema do utópico é que, de tanto elevar o olhar, não vê a realidade que lhe corre debaixo dos pés.
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O que caracteriza fundamentalmente a atividade humana é a sua luta contra a Natureza. Pares de óculos, preservativos e deuses não passam de armas diversas de uma mesma luta pela emancipação. Uma luta interminável, à qual não podemos pôr cobro. Se isso acontecesse, pura e simplesmente terminaria a humanidade.
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Gosto dos dias longos de primavera quando o tempo não corre, escorre.
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Não tenho nada contra os que invocam o seu direito ao irracionalismo desde que não protestem quando o irracionalismo um dia lhes cair em cima.
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Os mandatos presidenciais de Cavaco e Marcelo mostram como é muito fácil equivocarmo-nos e como, por vezes, temos a incrível sorte de acertar.
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O caráter efémero, superficial e ilusório da moda não se manifesta apenas no mundo das passarelas e do design. Toda a sociedade é afetada (negativamente) pelo fenómeno do modismo.
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Os radicais dividem o mundo entre esquerda e direita; os moderados entre democracia e tirania
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De todos os vícios humanos, o mais difícil de combater é o ócio.
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O problema da sexologia é que vê o sexo como uma espécie de tecnocracia. Ora no sexo, como em qualquer arte – e o sexo é uma arte – a técnica é, sem dúvida, importante, mas a técnica sem expressão é vazia. O mais importante no sexo é a alma.
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O nacionalismo é um mito e os mitos são como os cogumelos: há os comestíveis e os venenosos.
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Crer ou não crer, eis a questão.
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Os racionalistas têm a colossal desvantagem de não saberem predizer o futuro. Por esse motivo são tão impopulares.
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Feliz dia do xodó

Eita! Hoje é o aniversário do homem mais fascinante de todos os mundos!
Hoje o dono do mais doce sorriso faz anos e com ele meu coração multiplica
o júbilo! O dia é todo do meu amor! Feliz aniversário, Xodó!

Lembra do diálogo mais querido entre Miguilim e a mãe? Eu recordo com você:
“Mãe, mas por que é, então, para que é, que aconteceu tudo?!”
“Miguilim, me abraça, meu filhinho, que eu te tenho muito amor...”

Miguilim, em sua inocência cheia de sabedoria, faz a pergunta mais
importante na vida de alguém, a pergunta que a tudo interroga em busca do
sentido da existência humana. A mãe, em sua sabedoria cheia de inocência,
revela a razão de vivermos: o amor do outro, que a tudo suporta para nos
proteger.

Xodó, minha vida, não é mesmo possível explicar os caminhos pelos quais a
vida nos leva. É inviável. O homem, em sua infinita ignorância, deve
resignar-se à sua condição aqui na terra. Nada nos salva, nada nos torna
melhor que outrem, nada nos diferencia no meio da multidão. Somos todos
meros mortais. Entretanto, para que possamos suportar os percalços que o
viver nos obriga fomos agraciados com o dom do amor. O amor, sim, é o
único traço eterno. Podemos esquecer tudo, mas o verdadeiro carinho que
nos é dispensado não passa despercebido, e nunca é esquecido.

Xodó, o amor transcende a tudo, a todos. Felizmente não apenas vivo o
amor. Em você vou mais além e vivo, sim, para o NOSSO amor. O amor não é o
fim, é o meio, é uma forma de vida. É, antes de tudo, uma escolha. Você
sempre foi a minha escolha!

Adoro-te! Adoro teu espírito livre e crítico! Adoro teu corpo que, com
tanta paz e harmonia, se entrega aos meus doces desejos sem mistérios ou
pudores. Não há nada em ti que eu não acredite piamente fascinante! És
fascinante, Xodó! És fascinante! És a pessoa mais sensata, equilibrada e
pacífica que conheço. Não precisavas ter milhentas qualidades, mas você,
na beleza que somente os homens livres possuem, tem qualidades
incontáveis, não se é capaz de dar um quantitativo para tudo que conjugas
em ti. Adoro-te em tudo, Xodó. Em absolutamente tudo!

Sinto-me profundamente apaixonada por você! Sinto-me completamente tua!
Sinto (e desejo com ardor!) que você me tem sem rodeios, sem frescuras,
sem quaisquer resquícios de hipocrisia. Ah, como adoro ser tua! Você não
imagina o prazer que tenho sendo tua! Não há nada mais gratificante para
mim do que saber que somos uma só carne. Adoro que comigo você seja! Adoro
ser em você!

Meu amor, hoje não é mais um dia, é o teu dia! Aproveite bem o dia teu! É
todo, inteirinho teu! O sol hoje nasce para brilhar para ti, para aquecer
teu doce corpo e levar paz à tua nobre alma! Acorde bem! Leve consigo o
teu nobre sorriso, cheio de vida e alegria!

Você sabe o quanto eu adoraria e quão grande é minha vontade de estar
contigo hoje para te encher de carinho e paixão. Mas não esqueças, apesar
da distância, que és o mais amado dos homens! E és amado por inteiro, por
tudo o que és!

Ps: falei com um passarinho bem giro, ele ficou encarregado de acordar
você hoje, com um canto muito suave e harmonioso. Na ponta do bico ele
leva um beijo apaixonado da mulher que te ama e adora! AdorAMO-TE!
Vivo-te, xodó! Vivo-te!

Alfama vence Marchas Populares 2014

marcha d'alfama 2014Pelo segundo ano consecutivo, Alfama vence o concurso das Marchas Populares de Lisboa, com o tema Gira o Sol sobre Alfama. Predominaram as cores amarela e verde – o que fez lembrar inevitavelmente o Brasil…

Eis a classificação da edição deste ano, a 82ª.

1.º Alfama – 246 pontos

2.º Alcântara – 238 pontos

3.º Bairro Alto – 226 pontos

4.º Alto do Pina – 218 pontos

5.º Bica – 212 pontos

6.º Madragoa – 206 pontos

7.º Carnide – 201 pontos

8.º Ajuda, Graça, Lumiar e Mouraria – 200 pontos

12.º Marvila – 199 pontos

13.º Campolide – 198 pontos

14.º Beato – 194 pontos

15.º Castelo – 192 pontos

16.º S. Vicente – 188 pontos

17.º Santa Engrácia – 185 pontos

18.º Benfica – 182 pontos

19.º Bela Flor – 166 pontos

20.º Belém – 162 pontos

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Nota: a foto deste artigo foi retirada de www,jn.pt (Jornal de Notícias).

 

Dudamel em Alfama

Gustavo DudamelHoje no Largo do Chafariz de Dentro topei com um amigo que não via há anos. Apareceu do outro lado da rua caminhando ao meu encontro. Estava diferente, o cabelo em carapinha, bem pretinho, uns bons dois palmos estendidos para o céu, mas com uma faixa prateada, a toda a volta, na base. Seu sorriso era aberto, alvo, feliz, lembrou-me o de Gustavo Dudamel; e a pele do seu rosto era rosada, brilhante, bonita – podia ver cada poro, tão perto estávamos um do outro.

Lembro-me perfeitamente de me ter sentido incomodado com o seu inesperado rejuvenescimento.

Depois, subindo por uma ruela cheia de obstáculos, que eu não sabia se tinha saída, deparei com um animal enorme, assemelhado a cão, na forma,  e a lagarto, na pele, mas do tamanho de um cavalo, embora mais magro. Quando o avistei, ele estava no topo da rua distraído com qualquer coisa, mas depois virou-se e correu na minha direção. Enorme como era, não demorou dois segundos a alcançar-me. Tinha a pele cor de laranja, com manchas pretas, e uma cabeça semi-humana – uma cabeçorra que ficou a milímetros de mim! – com as ventas achatadas e as orelhas curtas e espetadas, em forma de V. Só tive tempo de pegar num enorme pau (na verdade era mais uma tábua de soalho) e colocá-lo em riste. Meu coração batia forte. Ao ver isto, a besta bufou, deu meia volta e desapareceu numa viela.

Uff!!! Acordei atordoado, ainda com estas imagens claríssimas no meu cérebro. Se eu soubesse desenhar construiria figuras perfeitas e detalhadas quer do meu amigo, quer deste magnífico animal. Mas fiquei apenas sentado na cama, esfregando os olhos, pensando com os meus botões em como é vasto e rico o Mundo dos Sonhos. Todos os dias lá vamos pegar peças tão nítidas, reais e fantásticas, que fazem corar de inveja a mais pura Imaginação. O curioso é que tanto o Inconsciente quanto a Imaginação recorrem à realidade para montarem as suas narrativas. Só que enquanto a Imaginação o faz construindo e reconstruindo essa realidade, o Inconsciente apresenta-nos um filme instantâneo, a cada momento. Mais ou menos como dividirmos 3557 por 43 utilizando um lápis ou uma máquina de calcular.

E agora fiquei com algo na cabeça – que será feito do meu amigo?

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Foto de Dudamel copiada de http://content.time.com/time/magazine/article/0,9171,1655434,00.html

Lisboa, a cidade mais “cool” da Europa

IMG_3005A jornalista Fiona Dunlop, em artigo para a CNN, considera Lisboa a cidade mais cool da Europa, elogiando a nossa capital em sete vertentes principais: vida noturna, gastronomia, ironia, praias e castelos, arquitetura, arte e arruamentos. Neste último capítulo, há uma referência a Alfama e às coloridas fachadas dos seus prédios[1].

O rescendor de Lisboa espalha-se pelo mundo.

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[1] http://edition.cnn.com/2014/01/25/travel/lisbon-coolest-city/index.html