Flaviando

Reykjavik, Islândia.
Cala Goloritzè, Sardenha.
Parque Thingvellir, Islândia.
Invergordon, Escócia.
Berlim, Alemanha.
Georgetown, Malásia.
Viena, Áustria.
Praia, Cabo Verde.
Budapeste, Hungria.
Bratislava, Eslováquia.
Zadar, Croácia.
Veneza, Itália.
Ravenna, Itália.
San Marino.
Kotor, Montenegro.
Burano, Itália.
Dublin, República da Irlanda.
Ilha do Faial, Portugal.
Ilha de São Jorge, Portugal.
Belfast, Irlanda do Norte.

abu dhabi4
Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos.

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Colombo, Sri Lanka.

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Phuket, Tailândia.

langkawi15
Langkawi, Malásia.

penang4
Georgetown, Penang, Malásia.

kuala lumpur7
Kuala Lumpur, Malásia.

singapura10
Singapura.

da nang5
Da Nang, Vietname.

hongkong14
Hong Kong.

macau10
Macau.

tokyo5
Tóquio, Japão.

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Milão (Alla Scala), Itália.

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Roma, Itália.

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Creta, Grécia.

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Suez, Egito.

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Petra, Jordânia.

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Muscat, Omã.

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Doha, Qatar.

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Sir Bani Yas Island, Emirados Árabes Unidos.

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Dubai, Emirados Árabes Unidos.

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Montego Bay, Jamaica.

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Havana, Cuba.

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Fernando de Noronha, Brasil.

fla12
S.Petersburgo, Rússia.

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Granada, Espanha.

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Lisboa, Portugal.

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Estocolmo, Suécia.

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Helsínquia, Finlândia.

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Talin, Estónia.

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Klaipeda, Lituânia.

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Gdansk, Polónia.

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Riga, Letónia.

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Hamburgo, Alemanha.

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Georgetown, Ilhas Caimão.

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Gibraltar. Reino Unido.

salina2
Tavira, Portugal.

Córdoba, Espanha.
Lisboa, Portugal.
Jacumã, Brasil.
Cidade do Panamá, Panamá.
Sesimbra, Portugal.
Singapura.
Tavira, Portugal.
Tulum, México.
Veneza, Itália.
Vila Velha, Brasil.
Shangai, China.
Dublin, Irlanda.

A Educadora Varela

Raquel
Varela não se coíbe de apelidar de “cobarde” o povo que viveu sob a ditadura, apesar de ela sempre ter vivido em liberdade.

Triste o país que atribui a relevância que hoje tem, na nossa sociedade, alguém como Raquel Varela. Comentadora política, professora universitária e autora, coautora ou coordenadora de estudos e livros sobre o que denomina “o povo” e a participação deste em greves, levantamentos e revoluções, Raquel Varela é uma revolucionária. Porém, como se sabe, cada revolucionário vê a revolução de forma própria. A história da esquerda revolucionária, em todo o mundo, é uma história de facções, discussões, querelas, disputas, traições e, entre outras coisas mais, purgas, muitas purgas. A extrema-esquerda nunca se entendeu nem nunca se vai entender. A pureza da esquerda é como a do OMO – todos querem lavar mais branco.

É, portanto, difícil situarmo-nos quando ouvimos (ou lemos) essa grande educadora do povo, chamada Varela (uma educadora que deveria, em nossa modesta opinião, primeiro que tudo, aprender a escrever: é, simultaneamente, penoso e surpreendente ler os artigos que Varela publica no seu blogue, sem o auxílio de revisores que lhe corrijam os erros básicos de português). Como poderemos enquadrar o pensamento de Varela (se é que é enquadrável)? Que “rótulo” podemos colocar-lhe? Socialista, comunista, anarquista ? Certamente que o seu posicionamento se situa mais à esquerda que os do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, pois estes partidos parlamentares são abundantemente criticados por ela.

Temos para nós que Varela se situa politicamente algures entre marxismo e anarquismo. Pensamos mesmo que ela teria orgulho em que alguém a enquadrasse numa moldura marxista/anarquista, precisamente no ponto mais extremo da extrema-esquerda nacional. Este orgulho também não é novo, pelo contrário: é uma atitude típica dos teóricos revolucionários. Marx, por exemplo, radicalizou-se porque não queria ficar atrás de Bakunin. Uma vez que este pretendia atacar o sistema político-legal para destruir o Estado, Marx acabou por considerar o Estado irreformável e, tal como Bakunin, como um alvo a abater.

Varela não admite um revolucionário maior do que ela. E o que significa, para ela, Varela, ser revolucionária, hoje, em Portugal? A resposta é muito simples – ser contra: governo, oposição, Europa, capitalismo, patrões, Estado, bancos, burguesia e, claro, o povo não-revolucionário (que Varela apelida de “cobarde”) e todos os não-revolucionários, em geral. O importante é destruir, e para isso Varela conta com o povo e os trabalhadores, organizados em comités populares, sindicatos e similares.

Nada disto é novo, também. Há mais de 150 anos que os revolucionários têm este tipo de discurso – uma ladainha que, durante todo este tempo,  não conduziu a lado nenhum ou, pior, apenas conduziu povos inteiros à desgraça (entenda-se “desgraça” como miséria, sofrimento e morte). É por isso que já ninguém releva este tipo de lengalenga nos estados desenvolvidos, onde os partidos de extrema-esquerda não têm praticamente representatividade. Só num país atrasado como o nosso é possível que uma pessoa portadora de ideias comprovadamente desastrosas continue a fazer comentários regulares na televisão pública (paga por todos nós), com o convencimento típico dos presunçosos e ignorantes.

Tendo em conta que esta grande educadora do povo (que sempre viveu em democracia) faz parte de uma extrema-esquerda que nem sequer está representada no parlamento, por que não convidar também para os debates um elemento da extrema-direita, alguém do lado oposto do espetro político, no fundo, alguém do mesmo nível que Varela? Mas muito melhor do que isto seria não fazer eco de extremismos, sobretudo quando não representam nenhum segmento significativo da população e apenas servem para espalhar, pelos espíritos mais sensíveis, demagogia, ódio, fanatismo e intolerância. Tudo isto frequentemente camuflado por uma palavra que, de tão batida e maltratada, corre sério risco de perder rapidamente o seu nobre significado: amor.


foto retirada de http://www.jornaldeleiria.com

O Tratado Lógico-Filosófico

Wittgenstein
É provável que a popularidade de Wittgenstein se deva sobretudo à sua biografia.

As obras  de Wittgenstein aqui analisadas (Tratado Lógico-Filosófico e Investigações Filosóficas) foram editadas, num único livro pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 1987[1], e basearam-se em edições inglesas de 1961 (Tratado Lógico-Filosófico) e 1983 (Investigações Filosóficas), embora os respetivos textos tenham sido escritos muito antes: o primeiro no decorrer da Primeira Guerra Mundial e o segundo entre 1936 e 1949. Muitos consideram que esses textos correspondem a dois períodos distintos, que apelidaram de “Primeiro Wittgenstein” e “Segundo Wittgenstein”. Isto faz jus ao que o próprio, em 1945, afirmou: “Há quatro anos tive ocasião de voltar a ler o meu primeiro livro (Tractatus Logico-Philosophicus) e de explicar as suas teses. De súbito, pareceu-me que devia publicar conjuntamente a minha velha com a minha nova maneira de pensar: que esta só podia ser verdadeiramente iluminada pelo contraste e contra o campo de fundo daquela. Desde que há 16 anos comecei de novo a ocupar-me de Filosofia, tive que reconhecer erros graves no que escrevi no meu primeiro livro”[2].

O próprio Wittgenstein reconhece, portanto, que não existe unidade na sua obra. Não devemos criticá-lo por isso, antes pelo contrário, mas algo mais estranho, paradoxal mesmo, ocorre quando ele anuncia no próprio Tractatus: “As minhas proposições são elucidativas pelo facto de que aquele que as compreende as reconhece afinal como falhas de sentido”[3]. Sim, Wittgenstein considera as proposições da Filosofia “sem sentido”, incluindo, coerentemente, as suas. Convém, aqui, esclarecer que Wittgenstein adotou a tríplice distinção feita por Bertrand Russell[4] entre enunciados verdadeiros, falsos e sem sentido ou “insignificativos”[5]. Assim, numa tentativa (levada a cabo muito antes, e com muito maior sucesso, por Kant) de demarcar o senso do contra-senso, o campo da experiência do campo da especulação, a ciência da metafísica, ele vai considerar que apenas nas ciências da natureza se pode afirmar que uma proposição é verdadeira ou falsa; a filosofia, pelo contrário, não produzirá proposições verdadeiras ou falsas, o seu trabalho “consiste essencialmente em elucidações” e no “esclarecimento de proposições”[6]. A filosofia, portanto, só produz proposições sem sentido.

O que terá levado Wittgenstein a esta conclusão? Teria ele noção de que, de acordo com a sua teoria, muitas das proposições do Tratactus teriam de ser consideradas “sem sentido”? (Ver nota 4). Tendo em conta o que transcrevemos acima sobre o que ele escreveu no Prólogo às Investigações Filosóficas, é bem possível que sim, que tivesse noção dos “erros graves” do Tratactus. Parece-nos que, nesta obra, Wittgenstein chegou à conclusão de que a melhor forma (talvez a única) de delimitar a ciência da metafísica é através da lógica da linguagem. Uma linguagem rigorosa que elimine a ambiguidade. Com isto, porém, Wittgenstein obteve um resultado inesperado e paradoxal: não conseguiu alcançar esse tipo de linguagem, mas abriu caminho (na verdade, levou-o mais além)[7] para um novo tipo de filosofia, cujo objeto se reporta à busca de uma metalinguagem – a “ciência” dos símbolos, das palavras, e de o que está por detrás delas – aquilo que Popper designou por “essencialismo”. E pouco importa que Wittgenstein tenha reconhecido, anos depois, erros na sua “teoria”[8] – o séquito manteve-se até hoje[9].

É, pois, bastante curioso que, ao pretender proteger as ciências naturais da especulação filosófica, Wittgenstein acabasse por introduzir nas mesmas uma discussão sobre a linguagem – algo a que nunca se dedicou, nem dedica, nenhum verdadeiro cientista. Os desafios da ciência não se prendem de forma nenhuma com a linguagem, mas sim com problemas reais e concretos que não dependem daquela. A discussão sobre a linguagem – a tentativa de rigorosamente definir os seus termos e delimitar as respetivas conotações – é estéril, não conduz a lado algum, a não ser a uma regressão infinita, pois é sempre possível (mais: é sempre necessário) definir os termos definidores de uma qualquer palavra que queiramos definir[10]. Além destes “erros graves”, a clareza do Tratactus – essa sim, uma característica verdadeiramente importante de qualquer linguagem – deixa muito a desejar.

Clareza que também está arredada das Investigações Filosóficas. Se, no Tractatus, Wittgenstein chega a algumas conclusões (mesmo que erradas), nas Investigações Filosóficas não chega a qualquer conclusão, limitando-se a emitir pensamentos, opiniões e observações, em doses homeopáticas, sobretudo de caráter psicológico. Esta fragmentação[11] é assumida por Wittgenstein logo no Prólogo quando diz: “Depois de diversas tentativas mal sucedidas para soldar os meus resultados num tal todo, compreendi que nunca conseguiria fazê-lo”[12]. Isto não ajuda à clareza do texto. É impossível seguir uma linha de pensamento coerente porque, pura e simplesmente, ela não existe. Wittgenstein perde-se em introspeções, como quem toma apontamento dos pensamentos que a cada dia lhe afloram ao espírito. Lamentavelmente, as suas elucubrações não conduzem a qualquer avanço conhecido, seja em que área do conhecimento for.

Não conseguimos discernir, como já dissemos, um fio condutor nas ideias expressas por Wittgenstein. Resta-nos dizer que, pelo menos, apreciamos a sua sinceridade. Talvez algum do fascínio que se nota à sua volta resida nas sinceridade e simplicidade, mesmo numa certa infantilidade, que parece ter mantido até o fim[13]. Pensamos que, de certa forma, as últimas palavras que Wittgenstein usou no Prólogo às Investigações Filosóficas ilustram bem essa característica sincera e quase inocente da sua personalidade: “É com sentimentos duvidosos que trago a público as minhas observações. Não é impossível que seja o destino deste trabalho, na sua escassez e nas trevas desta época, lançar luz num cérebro ou noutro; mas, claro, não é provável. Gostaria de ter escrito um bom livro. Não aconteceu assim e já passou o tempo em que eu poderia melhorá-lo”[14].

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Notas:

[1] Ludwig Wittgenstein, Tratado Lógico-Filosófico e Investigações Filosóficas, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1987.

[2] Ob. cit., p. 166 (Prólogo às Investigações Filosóficas – Parte I).

[3] Ob. cit., p. 142.

[4] Russell que escreve na Introdução ao Tratactus: “As coisas que têm de ser ditas, para conduzir o leitor a compreender a teoria do senhor Wittgenstein, são todas elas coisas que a própria teoria condena como sem-sentido” (Ob. cit., p. 7). Diga-se de passagem que Wittgenstein não gostava muito da Introdução de Russell e que este não pensava em autorizar a sua republicação em 1961, permitindo-a apenas após longa insistência do editor.

[5] Um dos principais críticos desta tríplice distinção (e de Wittgenstein) é Karl Popper. Diz-nos ele: “É importante notar que o emprego dos termos “sem significado” ou “sem sentido” é, em parte, concordante com o uso comum, mas é muito mais nítido, pois muitas vezes, no uso comum, enunciados reais são classificados como “sem significado”, se, por exemplo, forem “absurdos”, isto é auto-contraditórios ou obviamente falsos. Assim, um enunciado que afirme que determinado corpo físico está ao mesmo tempo em dois lugares distintos não é um enunciado sem significado, mas um enunciado falso, ou que contradiz o emprego da palavra “corpo” na física clássica; similarmente, um enunciado asseverando que um electrão tem um lugar e um impulso precisos não é destituído de sentido – como alguns físicos asseveraram e alguns filósofos repetiram – mas simplesmente contradiz a física moderna” (in A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, Vol. II, Editorial Fragmentos, Lisboa, 1993, p.286).

[6] Ob. cit., p. 62.

[7] Este caminho iniciou-se com Platão e Aristóteles, sobretudo com este último – que considerava como métodos fundamentais da obtenção de conhecimento a demonstração (ou prova) e a definição (daqui saiu a doutrina perversa  da adoração das palavras).

[8] Colocámos o termo “teoria” entre aspas porque as ideias de Wittgenstein não constituem, tanto em nossa opinião como na dele, um todo coerente.

[9] São variadíssimos os filósofos influenciados por Wittgenstein, desde Gilbert Ryle a Giorgio Agamben (ver artigo sobre ele aqui), passando por Kai Nielsen e John Searl, entre muitos, muitos outros.

[10] Popper dá-nos um exemplo concreto: “Poder-se-á dizer que o que se tem em mente, ao pedir uma definição, é a eliminação de ambiguidades tantas vezes relacionadas com palavras como “democracia”, “liberdade”, “dever”, “religião”, etc.; que é claramente impossível definir todos os termos, mas é possível definir alguns desses termos mais perigosos, e não ir além disso; e que os termos definidores têm apenas de ser aceites, isto é, que devemos deter-nos depois de avançarmos um passo ou dois, a fim de evitar uma regressão infinita. Esta defesa é, porém, indefensável. Admite-se que os termos mencionados sejam usados incorretamente. Mas nego que a tentativa de os definir possa melhorar as coisas. Só pode torná-las piores (…) De facto, visto que não poderíamos exigir que todos os termos definidores fossem por sua vez definidos, um político ou um filósofo hábil poderia facilmente satisfazer a exigência de definição. Se lhe perguntassem o que entendia por “democracia”, por exemplo, poderia dizer: “o governo da vontade geral” ou “o governo do espírito do povo”; e, como acabara de dar uma definição, satisfazendo assim os mais elevados padrões de precisão, ninguém ousaria criticá-lo mais. E, na verdade, como poderia ser criticado se a exigência de que “governo”, ou “povo” ou “vontade” ou “espírito” fossem por sua vez definidos nos colocaria no caminho e uma regressão infinita, de modo que qualquer um hesitaria em fazê-la? Mas, se apesar de tudo fosse feita, então poderia ser igualmente satisfeita sem dificuldade. Por outro lado, a questão de saber se a definição era correta, ou verdadeira, só poderia levar a uma controvérsia, fazia de sentido, sobre palavras” (in  A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, Vol. II, Editorial Fragmentos, Lisboa, 1993, p. 24).

[11] Ambas as obras (quer o Tractatus, quer as Investigaçõs Filosóficas) são divididas apenas em parágrafos numerados, tal como as suras do Alcorão ou os versículos dos livros da Bíblia, sem recurso às divisões tradicionais, como sejam índice, capítulos ou secções.

[12] Ob. cit., p. 165.

[13] Fascínio que também pode ser justificado por outros aspetos da sua biografia – como a suposta homossexualidade, a participação nas duas guerras mundiais, o despojamento e a irascibilidade (manifestada, por exemplo, no episódio do atiçador, com Popper) – que não nos compete aqui desenvolver.

[14] Ob. cit., p. 167.


foto retirada de http://www.bbc.co.uk

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A nossa edição:

“Tratado Lógico-Filosófico e Investigações Filosóficas”, Ludwig Wittgenstein, Fundação Calouste Gulbenkian, 1ª edição, Lisboa, 1987.

Algarve, Portugal

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Vegetação no topo de uma escarpa do Barlavento algarvio

O Algarve é uma pequena região (cerca de 5.000 quilómetros quadrados) de um pequeno país, mas, tal como este, com uma enorme diversidade. Situado no extremo sul de Portugal, podemos analisar  este distrito de várias formas, mas há duas que parecem mais óbvias. Uma que divide o Algarve entre serra e litoral; e outra que o divide entre Barlavento, a Oeste, e Sotavento, a Leste. Dito isto, convém esclarecer que estas visões dualistas não são suscetíveis de beliscar a unidade desta região que, apesar dos contrastes (ou sobretudo por eles) se constitui como um todo equilibrado, dinâmico e, como qualquer pessoa pode comprovar in loco, muitíssimo atraente.

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Pôr do sol na Serra do Caldeirão.

No Barlavento encontramos a Serra do Monchique, com vistas magníficas sobre o mar, uma imensa área verde e um importante complexo termal, em Caldas de Monchique. No Sotavento, por sua vez, destaca-se a Serra do Caldeirão, famosa pelas estradas tortuosas, a densa rede hidrográfica e o medronho, um fruto que, após destilação, se transforma numa aguardente muitíssimo apreciada. A desertificação e o isolamento da região serrana, a primeira mais recente e o segundo mais antigo, têm sido compensados pela chegada de muitos estrangeiros que optam por morar na tranquilidade da serra, quase sempre em locais com vistas deslumbrantes sobre o mar.

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Praia da Marinha, no Barlavento. Recortada na falésia.

No que toca ao litoral, há acentuadas diferenças entre Barlavento e Sotavento. Embora as praias sejam magníficas em ambos os espaços – na verdade, as melhores da Europa: águas calmas, limpas e de temperatura amena -, a costa do Barlavento (lado de onde sopra o vento) é mais recortada, com praias que são, em muitos  casos, pequenas  e belíssimas baías ou enseadas, no fundo de falésias, escarpas e penhascos, e com a água do mar um pouco mais fria que a do Sotavento (lado para onde sopra o vento).

cacela
O mar e a Ria Formosa vistos de Cacela Velha, no Sotavento algarvio.

Aqui, pelo contrário, a costa é baixa, apenas com dunas, e existe, ao longo de uns 60 quilómetros, a Ria Formosa – um curso de água, alimentado pelo mar (reserva natural), que é a casa de muitos espécimes animais e vegetais e que transforma as praias em ilhas, só acessíveis por barco. Claro que há algumas exceções, onde se construíram passadiços ou pequenas pontes, mas a maior dificuldade de acesso faz com que as praias do Sotavento sejam mais tranquilas (com zonas praticamente desertas) que as do Barlavento, onde o fluxo de veraneantes é bastante superior.

olhos agua
Saboreando um imperador na praia de Olhos de Água, com o mar (ou será uma piscina?) aos pés.

Com quase duzentos quilómetros de costa, é perfeitamente natural que os gastrónomos locais utilizem, praticamente todos os dias, peixes e frutos do mar. De facto, em todas as cidades algarvias existem excelentes mercados de peixe e em muitas delas realizam-se festivais de mariscos, sendo de destacar os percebes, apanhados nas escarpas da costa ocidental, com grande risco, face à sua localização, em rochas de difícil acesso. Estes são talvez os frutos do mar mais deliciosos do mundo, e a sardinha das águas algarvias, pequena e gorda, é seguramente a mais apreciada. É conhecida a apetência que os portugueses têm para comer este peixe, grelhado no carvão, acompanhado com pão, vinho e uma salada mista com pimentos verdes.

olhos agua1
Praias tranquilas, lindas, surpreendentes.

Naturalmente, o Algarve enche-se de visitantes durante o verão. Mas, cada vez mais, há quem venha também na época fria. Aqui o sol brilha 300 dias por ano. Os amigos brasileiros surpreender-se-ão com o céu totalmente azul, sem um farrapo de nuvem, durante quatro, cinco e, muitas vezes, mais dias consecutivos. Os invernos são amenos, embora durante a noite a temperatura baixe bastante. Muitos cidadãos europeus, sobretudo ingleses, escolheram o Algarve para viver. Esta região foi considerada, em 2014 e 2015, pela Live and Invest Overseas o melhor destino para os norte-americanos viverem depois da reforma.

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Tavira. Provavelmente, a cidade mais bonita do Algarve.

A tranquilidade e segurança, as maravilhosas praias, o clima ameno, a excelente gastronomia, um custo de vida dos mais baixos da Europa e os preços acessíveis do imobiliário[1] fazem do Algarve um dos destinos mais apetecíveis do mundo. Foi por isso que escolhemos aqui viver, em Conceição de Tavira, no Sotavento. Raramente precisamos do carro. Com uma simples bicicleta vamos à praia, ao supermercado e fazemos os nossos passeios. A fronteira espanhola está a 25 quilómetros, Sevilha a 150, Lisboa a 300, África a 400; do aeroporto de Faro, aqui ao lado, partem aviões de low cost para grande parte da Europa. Se o paraíso existe na Terra, um dos seus endereços é aqui.

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Manta Rota, no Sotavento algarvio.


Notas:

[1] Para se ter uma ideia dos preços do imóveis em Portugal deixamos aqui alguns dados que retirámos do jornal “Expresso”, e que se baseiam num estudo efetuado pela APEMIP (Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal), que, por sua vez, se baseou no portal imobiliário internacional Property Guide. A análise reporta-se aos preços por metro quadrado nos centros das principais cidades europeias, considerando um espaço de 120 m2. O preço médio em Portugal é de €1.963/m2, o que equivale à 30ª posição entre 38 países analisados. No top 5 estão Mónaco (€44.522/m2), Reino Unido (€25.575/m2), França (€13.639/m2), Rússia (€11.866/m2) e Áustria (€10.807/m2). Os países com m2 mais baixo que o português são apenas oito: Chipre (€1.790), Croácia (€1.764), Roménia (€1.537), Hungria (€1.528), Montenegro (€1.400), Bulgária (€1.222), Macedónia (€1.134) e Moldávia (€965).