Creta

A bela praia de Balos, ao romper da manhã.

Para aproveitar os voos de low-cost entrámos em Creta pelo aeroporto de Heráclio e saímos pelo de Chania. O nosso voo, vindo de Bucareste, partiu com duas horas de atraso (se fossem três teríamos direito a indemnização), pelo que chegámos a Heráclio já depois da meia-noite e, pouco depois, apanhámos um táxi para o nosso alojamento no centro da cidade. Dormimos escassas horas porque às 7:30 estávamos a apanhar o autocarro para Chania, numa viagem de mais de três horas. Aqui chegados, nem sequer saímos do terminal rodoviário, esperámos uns 45 minutos por outro autocarro que nos transportou até ao aeroporto de Chania, onde tínhamos combinado receber o nosso carro alugado. Nesta altura eram quase 13:00 h.

Já a bordo do pequeno Kia, dirigimo-nos ao nosso alojamento nos arredores de Chania, em Gálatas, onde dormiríamos as próximas três noites. Ainda demos uma voltinha pela estrada marginal, junto à costa, na zona de Agia Marina, para fazermos tempo até o horário de check-in, e aproveitando também para fazermos algumas compras. Constatámos que a carne é bastante mais barata em Creta do que em Portugal e que há muito boa fruta, embora, comparativamente, menos barata que a carne. Chegámos finalmente ao Kansoo Rooms e ficámos de imediato rendidos à qualidade do apartamento: limpo, espaçoso, elegante e funcional, equipado com tudo o que é necessário e com uma ampla varanda, sobre a piscina. O espaço envolvente também é muito agradável, tranquilo e silencioso, apenas os vários gatos, de vez em quando, se fazem notar. No resto do dia, como não tínhamos muito tempo, deambulámos mais um pouco pela região de Agia Marina, e regressando ao fim do dia ao apartamento.

No nosso apartamento da Kangoo Rooms.

Acordámos bem cedo na manhã seguinte para visitarmos a praia de Balos. Depois do pequeno-almoço saímos de Gálatas, seriam umas 7:00 da manhã. Fizemos um percurso de cerca de 50 quilómetros, primeiro pela E65, uma rodovia em muito bom estado, e depois por uma estrada de gravilha, com uns 10 quilómetros, sempre a subir, até atingirmos o parque de estacionamento no topo da colina. Aqui chegados só restavam mais uns 500 metros, sempre a descer, até a praia de Balos. A partir de certo ponto, as vistas pelo caminho são soberbas e, inevitavelmente, perde-se um tempo considerável a fixá-las com a câmera fotográfica. Como chegámos cedo, havia uma zona da praia onde os raios do sol, escondido atrás da montanha, ainda não tinham chegado e, para nosso delite, a praia estava quase deserta.

A zona ocidental de Creta (aquela por onde circulámos) é bastante montanhosa, e nessas montanhas, por todo o lado, se veem cabras, deambulando, com a sua natural destreza, pelos declives mais incríveis sobre os precipícios. Enquanto descíamos para a praia, no meio do silêncio total, ainda não perturbado pelo burburinho humano, ouvimos, de repente, um berro que ecoou na montanha. Logo de seguida, começámos a ver cabras a convergirem de todos os lados — por baixo de nós, na praia, no topo da montanha e nas encostas envolventes — em direção ao ponto de onde tinha vindo o berro que se propagou por quilómetros (só foi preciso um) e se descortinava o vulto de um pastor. Foi algo inesperado e marcante, um grito numa língua que, presumivelmente, só aquele pastor e as suas cabras entendem.

Os cabrestos pululam pelas encostas montanhosas de toda a Creta.

A praia de Balos é enorme, tem várias zonas, todas elas calmas, pois está protegida por uma cadeia rochosa e por uma ilha, em frente. Quando fomos explorar o caminho que leva à ilha, através da barreira rochosa, encontrámos várias piscinas naturais. Uma delas, é deveras atraente, com dimensões generosas e água incrivelmente cristalina, o fundo é perfeitamente visível, permitindo que se mergulhe em segurança, se se tiver um mínimo de cuidado. Foi o que fizemos. A água estava bem fresca, mas após aquela sensação imediata de choque térmico, desfrutámos com prazer de um banho revigorante. Quando terminámos, já dois turistas italianos, talvez atraídos pela única atividade naquela praia deserta, mergulhavam no mesmo local. Quando encetámos o caminho de volta já umas dezenas de pessoas tinham chegado à praia e, olhando para o trilho na montanha, viam-se inúmeros pontinhos humanos descendo lentamente a colina.

Quando subimos o trilho de volta ao parque de estacionamento, esses pontinhos eram agora do nosso tamanho e sucediam-se numa fila interminável. Muitos tinham de esperar pela sua vez, enquanto outros tiravam selfies nos melhores pontos de vista sobre a praia. Comentámos sobre as vantagens de realmente acordarmos cedo para chegarmos a estes locais fora do grande fluxo humano, e este é um conselho que deixamos a todos os que gostam de viajar — levantar cedo para chegar primeiro. Quando atingimos o parque de estacionamento, onde estavam estacionados dois carros quando chegáramos há duas horas, estavam agora parqueados centenas e centenas de carros. Tivemos de pagar o estacionamento à saída (3€), porque à entrada ainda não havia funcionários.

Chegámos a Balos quando o sol surgiu por trás da montanha.

De novo na estrada de terra batida, o nosso Kia negro virou branco com o pó levantado pelos inúmeros carros com que nos cruzámos pelo caminho. Continuava a chegar gente. No final da descida, dirigimo-nos para a estrada que faz a ligação ao Sul, rumo a Elafonissi. A paisagem é típica de montanha e o trajeto cheio de curvas, subidas e descidas, o que faz com que a progressão seja lenta. Pontualmente, encontram-se algumas tavernas, restaurantes típicos, onde se pode apreciar a comida local, com os inevitáveis pratos de cabrito, entre outras iguarias. Enquanto circulávamos, a Flá, aniversariante do dia, procurava no Google os restaurantes mais bem classificados da zona. Houve um que nos chamou a atenção, e situava-se um pouco mais à frente, poucos quilómetros antes de Elafonissi.

Em boa hora escolhemos o Aerino Restaurant-Cafe. Optámos por pratos de peixe grelhado, sardinhas e robalo, que, em ambos os casos, estava fresquíssimo. Partilhámos também uma sopa de peixe divinal. Além disso, a vista desde o restaurante é bonita, e os funcionários são extremamente simpáticos e prestáveis. Confirmámos também que, tendo em conta a qualidade, não se trata de um restaurante caro. As duas refeições completas, incluindo bebidas e café, custaram cerca de 60€. O local é tão agradável (comentámos que deve ser sensacional ali jantar ao pôr-do-sol, dado que o restaurante está virado para Oeste), e a ocasião era tão especial, que nos demorámos um pouco mais do que o habitual. No final, ainda nos ofereceram dois petits gâteaux, e queriam que provássemos o raki cretense, mas quando nos disseram que continha 42% de grau alcoólico, amavelmente recusámos.

Após o almoço no Aerino.

Depois de almoço, seriam uma 3:00 da tarde, descemos para Elafonissi. Talvez porque a expectativa era alta, foi uma desilusão. Não há forma de aceitar que esta seja uma das mais belas praias do mundo, tal como é amplamente considerada, quando a encontramos assoberbada de gente. Apercebemo-nos disso ainda antes de ver a praia, pois os vários parques de estacionamento estavam quase todos plenos de viaturas. Lá pagámos os tradicionais 3€ e descemos, sem grande convicção até à praia. Ainda por cima estava um vento muito forte, o que não impedia que cada cantinho estivesse preenchido com pessoas. Não nos banhámos. Passeámos um pouco pela beira-mar, procurámos algum ângulo para tirar uma foto em que não aparecesse o formigueiro de gente, mas isso afigurou-se impossível. Viemos embora comentando em como seria aquela praia no verão, se era assim ainda no início de maio…

Gostaríamos de ter continuado pela costa sul para depois subirmos para Gálatas, até o nosso alojamento, mas não há uma estrada paralela à costa sul, pois a zona é muito montanhosa, pelo que tivemos de voltar pela mesma estrada. Ainda parámos uma vez para visitar, logo à saída de Elafonissi, uns 3 kms depois, o mosteiro de Chrysoslalítissa, uma edificação setecentista do cristianismo ortodoxo. Ali encontramos uma capela, celas dos monges e pequenas salas, algumas minúsculas, uma das quais servia de sala de aulas secreta, aquando da ocupação turca. O ingresso custa 4€.

No mosteiro de Chrysoslalítissa.

Decidimos regressar ao alojamento sem mais delongas. Estávamos explorando o terreno há quase doze horas, tínhamos caminhado uns 14 quilómetros, e os nossos corpos já reclamavam por descanso. A Flá fez frango frito para o jantar e por ali ficámos, a recuperar energias, enquanto delineávamos o plano para o dia seguinte. Queríamos conhecer alguns pontos da Costa Sul, havia várias possibilidades, umas mais conhecidas e outras menos, e foi por as últimas que optámos, e não nos arrependemos. Embora Creta seja um destino muito procurado, sobretudo por quem gosta de praias, e no pico de verão seja certamente quase impossível encontrar locais de veraneio com pouca gente, isso é possível nos meses da chamada época baixa, e felizmente ainda os encontrámos.

Saímos no dia seguinte, após o pequeno-almoço, com intenção de cumprir o nosso plano. Este era mais um dia especial para nós, pois completávamos 14 anos de namoro. O nosso objetivo era chegar a Loutro, uma pequena localidade piscatória na costa Sul e para isso o google maps “sugeriu” que seguíssemos pela mesma estrada do dia anterior, a E-65, mas agora em sentido contrário, ou seja, para Leste, até fletirmos para Sul, uns 20 quilómetros depois, em direção a Sfakia. Aqui teríamos procedido bem se tivéssemos estacionado o carro e apanhado um ferry para Loutro, porque a melhor forma (mais cómoda, rápida e barata) de viajar entre as pequenas localidades desta zona da Costa Sul é por navio, havendo bastantes horários disponíveis. Mas nós ainda não sabíamos disso e seguimos de carro por uma estrada sinuosa que nos levou a Aradena, uma pequena localidade sobre um profundo desfiladeiro, o qual se cruza através de uma ponte de ferro. A cobrir o tabuleiro da ponte há umas travessas de madeira, cujo matraquear se propaga quando os pneus das viaturas as vão ultrapassando. Quando os carros circulam mais rápido, o som parece o de uma metralhadora.

Aradena.

Loutro não tem estrada nem tão pouco ruas, apenas algumas estreitas ruelas e escadarias, escavadas na encosta rochosa. A principal forma de lá chegar é através do porto de mar porque a estrada que desce desde Aradena fica a uns 500 metros. E que estrada! Esculpida na rocha, estreita, sem proteção, é uma das estradas mais perigosas por onde já passámos. E depois de começarmos a descer já não se pode voltar para trás. Lá fomos, cautelosamente, respirando fundo cada vez que olhávamos para o precipício, ora ao nosso lado esquerdo, ora do lado direito, serpenteado e rezando para não nos cruzarmos com nenhum carro que viesse a subir. Lá chegámos ao fundo (literalmente), um pouco tensos, sabendo que teríamos de fazer o caminho de volta mais tarde.

Após se estacionar o carro num dos poucos espaços disponíveis (não há parque de estacionamento pois o espaço para carros, incluindo a estrada, é exíguo), pode seguir-se por vários trilhos. Há um que segue para Loutro e outro que vai para Finikas. Entre estes dois pequeninos portos (Finikas é minúsculo) há ainda um trilho, mais longo, com cerca de um quilómetro, que segue junto ao mar. E, por fim, há ainda outro trilho entre Finikas e Loutro, mais curto, pela montanha. Nós fomos primeiro a Finikas, que é o mais perto da estrada. E dali fomos pelo trilho junto ao mar até Loutro.

Loutro.

Após a última curva do trilho, a pequena localidade piscatória surge como uma miragem aos nossos olhos, o seu casario branco flutuando e se refletindo nas águas cristalinas. Percorremos a pequena praia, os cafés e restaurantes, o pequeno cais e decidimos voltar a Finikas. Tínhamos planeado almoçar numa taverna de Loutro — a Taverna Stratis — mas esta só abria às 13:30 e ainda faltava uma hora, pelo que decidimos tentar o restaurante que víramos em Finikas, o Finix-Café.

Foi uma boa opção e confirmou-se a boa classificação que tínhamos visto no Google. Comemos anchovas, lulas fritas e cabrito guizado com batatas fritas — um dos pratos típicos de Creta. A baía de Finikas é mais pequena que a de Loutro, logo, a praia também é mais pequena. Embora seja uma praia de calhaus, não é preciso andar muito para chegar à água, e esta é de uma transparência incrível. (Verdade seja dita: a água é excelente em todas as praias que vimos em Creta). Estava calor e não resistimos a ir provar a água e nadar naquela pequena baía magnífica. Além de nós, estariam 3 ou 4 pessoas na praia. É engraçado que a praia de calhaus, além de não magoar os pés se os pisarmos suavemente (deve haver uma técnica que se aperfeiçoa com o tempo), tem a vantagem de não termos de retirar a areia dos pés no final…

Nadando na pequena baía de Finikas.

Após o banho revigorante sentimo-nos mais confiantes para subir com o nosso carro a estrada sinuosa até ao topo da montanha. E desta vez apanhámos dois carros em sentido contrário. Mas, com jeito e calma, correu tudo bem. Já na estrada principal, íamos regressando para Sfakia, quando passámos junto a um ponto da estrada onde se inicia um trilho, de cerca de 600 metros, que leva à praia de Glyka Nera. Parámos, e vimos alguns pequenos grupos de pessoas a percorerem o trilho. Hesitámos sobre a hipótese de também percorrermos esse mesmo trilho ou continuarmos viagem para uma praia muito referenciada na internet, a praia de Prevelli, situada ainda na Costa Sul, mas mais para Leste, a cerca de 80 kms do local onde nos encontrávamos. Optámos pela segunda hipótese, abrindo uma exceção à nossa preferência por locais menos badalados, e acabámos por concluir, depois, que errámos. Acontece. Estas crónicas servem também para que outras pessoas possam fazer opções melhores que as nossas.

Claro que sempre se vão encontrando coisas interessantes pelo caminho, seja património natural ou edificado. Mas a praia de Preveli, em si mesma, e apesar de ser muito frequentada, deixa, pelo menos para nós, muito a desejar. É uma praia muito referenciada graças a um rio, ladeado às esquerda e direita por um palmeiral, que nela desagua. Talvez por termos chegado tarde, quando o sol já não batia no rio, que fica no fundo de um desfiladeiro, não encontrámos nenhum motivo especial de interesse. Pelo contrário, o rio tem uma cor esverdeada nada atraente e contamina a própria água da praia, em cuja areia pode ver-se uma espécie de lago, na verdade uma enorme poça de água com essa água esverdeada e parada, que em nada favorece a praia, a qual seria mais bonita sem o rio. Mas a fama é o que é, e Preveli estava cheia de gente.

Na marginal de Rethimno.

Neste dia fizemos bastante exercício, pois do parque de estacionamento (como sempre, 3€) até à praia tivemos de descer 500 degraus. Claro que subimos os mesmos 500 na volta! Mas chegámos sãos e salvos, e decidimos passar ainda por Rethimno, talvez a cidade mais turística de Creta para quem gosta de praia, aonde chegámos um pouco antes do final do dia. Passeámos um pouco pela longa marginal e fomos lanchar ao Café-Kallithea (mais uma vez, após consulta ao Google). Quando saímos começava a escurecer e pudemos observar o começo da movida noturna de Rethimno, com a sua marginal plena de cafés, lojas e restaurantes virados para o turismo. A Costa Norte é sem dúvida a mais turística, com praias mais amplas e melhores infraestruturas, e é aqui que os turistas ficam hospedados, fazendo durante a estadia alguns passeios a Balos ou Elafonissi, pois estas são praias de visita, quase sem alojamentos por perto, e é na Costa Norte que tudo acontece. E além das praias, há a vida noturna, com seus bares e discotecas, para gente que gosta de beber, dançar e divertir-se.

Tudo depende, portanto, do que se pretende fazer. No nosso caso, nós viajamos para explorar os locais, não para passarmos férias. Tempo de férias passamo-lo em Portugal, nas nossas praias do Sotavento algarvio. Mas se o nosso objetivo em Creta fosse passar férias, a zona escolhida seria, sem dúvida a de Sfakia, Finikas e Loutro, longe das multidões da Costa Norte e de outros locais badalados. Essa foi a conclusão que retirámos destes dias passados em Creta e é a sugestão que deixamos a quem queira ali fazer férias de praia.

Os nossos percursos de carro, em Creta.

De Rethimno seguimos para o nosso alojamento para descansarmos de mais um dia intenso. No dia seguinte, por volta das 9:30, despedimo-nos de Vassilis, o simpático e competente gerente de Kansoo Rooms, e seguimos rumo ao aeroporto. Pelo caminho parámos numa lavadoura de automóveis e, com um euro apenas, deixámos o pequeno Kia com uma cara nova. Por volta das 11:00 entregámos o carro e às 14:00 levantávamos voo em direção ao nosso próximo destino, o aeroporto de Bérgamo, na Lombardia. Esta era a terceira vez que nos despedíamos de Creta.

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Cruzeiro de reposicionamento (Itália, Grécia, Egito, Jordânia, Omã, Qatar, Emirados Árabes Unidos)

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O Splendida, no Dubai, já com os caracteres apropriados à nova temporada na China.

Os cruzeiros de reposicionamento são cruzeiros mais longos (há uma tipologia de cruzeiros com duração ainda mais longa, denominada “volta ao mundo”) e servem para os navios se deslocarem para zonas do globo (por exemplo do Mediterrâneo para as Caraíbas ou vice-versa) onde operam durante alguns meses, normalmente em condições climatéricas (e, claro, económicas) favoráveis à sua atividade. Daí a expressão: reposicionamento. São cruzeiros com menos procura e, por isso, mais baratos (se tivermos em consideração o custo unitário/dia). O principal problema é a época em que se realizam: em geral, quando as pessoas não estão de férias. Mas, desde que se tenha disponibilidade, valem a pena. O cruzeiro que aqui resumidamente relatamos teve origem em Génova, no dia 6 de dezembro, e terminou no Dubai, 18 dias depois, contemplando sete países. Vejamos os principais lugares por onde passámos.

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Génova. Chegámos à cidade de comboio, vindos de Milão. Optámos por um voo de Lisboa para Milão, onde dormimos uma noite, por ser muitíssimo mais barato do que para Génova. Na manhã do dia seguinte visitámos Milão (deu tempo para entrar no Alla Scala e tudo) e depois do almoço partimos para a estação de Génova-Principe, que fica muito perto do porto, pelo que passámos do comboio para o navio a pé. Este partiu já de noite, às 18:00 horas.
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No dia seguinte, às sete da manhã, acostámos em Civitavecchia, onde apanhámos o comboio até Roma (e volta), numa pequena viagem de cerca de uma hora até a estação de Roma-Termini. Estivéramos em Roma há dois anos e encontráramos alguma degradação. A situação agravou-se: a cidade está suja, esburacada, cheia de mendigos e sem-abrigo, pontuada de obras por todo o lado, um tanto ou quanto caótica. Isto está relacionado com a crise dos refugiados, com a qual a Itália (país muito sobrecarregado, a par das Grécia e Turquia), sem uma efetiva política solidária europeia, dificilmente poderá lidar.
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Saímos de Civitavecchia no segundo dia do cruzeiro e chegámos a Heraklion, em Creta, quase dois dias depois, às 12:00 horas do quarto dia. Ficámos apenas seis horas em Heraklion e optámos por vaguear pela cidade. Aqui pudemos captar (pelos menos, assim nos pareceu) o pulsar económico desta mítica ilha mediterrânica: pesca, turismo e serviços. A foto mostra um aspeto curioso das montanhas de Creta, que denominámos “O Homem que Dorme”. Creta – a quinta maior ilha do Mediterrâneo, com mais de 600.000 habitantes – é muito montanhosa e avistámos do navio (que percorreu toda a costa norte da ilha) vários cumes cobertos de neve.
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Um dia depois, já à noite (19:00 horas), chegámos à entrada do Canal do Suez, que percorremos em cerca de 18 horas. No início (descendente) do canal encontra-se a cidade de Port Said e, no final, a cidade de Suez, já em pleno Mar Vermelho. Pelo caminho, vimos pescadores, barcos tradicionais, ferries de transporte entre margens, pontes, postos de patrulhamento, comboios, transeuntes e cidades inteiras, como Ismailia (na foto), a cidade natal de um dos maiores burlões de arte de sempre – Fernand Legros. Os navios passam pelo Suez em comboios alternados, descendentes ou ascendentes, acompanhados por rebocadores e pilotos egípcios, a uma velocidade reduzida para não provocarem o assoreamento do canal.
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No sétimo dia, às 08:00 horas, depois de descermos o Golfo de Suez e subirmos o de Aqaba, chegámos à cidade com este nome, na Jordânia. Cidade imortalizada pela película de David Lean, “Lawrence da Arábia”, na qual se mostra como Thomas Lawrence (22 cms mais pequeno que o igualmente genial Peter O’Toole, que o representou no filme), à frente de um  pequeno exército de tribos árabes, tomou Aqaba aos Turcos, em plena Grande Guerra, chegando pelo caminho menos esperado – o deserto.
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A viagem de Aqaba até Petra faz-se cruzando uma região semi-árida, quase desértica, com muitos quilómetros quadrados de calhaus e pó. Mas vale a pena. O turismo em Petra está a ser aproveitado para desenvolver a região e, tanto quanto pudemos ver, os locais estão a fazê-lo bem. Agradou-nos muito perceber que a Jordânia, apesar do fervor religioso, bem presente nas inúmeras mesquitas que vimos, é um país diferente de todos os outros desta conturbada região – e para melhor. É um país surpreendentemente tolerante, que privilegia a paz, em larga medida devido à orientação política dos seus monarcas – descendentes diretos do profeta Maomé – que governam o país desde 1921.
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Os cinco dias seguintes foram passados a navegar. Descemos o Mar Vermelho, até entrarmos no Golfo de Aden, e, pouco depois, no Mar Arábico (onde tirámos esta foto), já em pleno Oceano Índico. Apesar dos divertimentos a bordo, cinco dias no mar são de mais, pelo que há que gerir bem o tempo, aproveitando ginásio e piscinas para exercitar um pouco o corpo, não abusando dos momentos de descanso e relax, como este, em que assistimos, da nossa cabina, ao pôr-do-sol. Embora esta seja uma zona de atuação dos piratas somalis, passámo-la, felizmente, sem qualquer problema.
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E assim chegámos, na manhã do 13º dia, à vila e porto de Muttrah, que se insere na província de Muscat, capital de Omã. O centro de Muttrah (na foto) e o de Muscat distam uns 3 kms um do outro. No primeiro encontra-se o comércio local (encontrámos no mercado muitos peixes nossos conhecidos, incluindo sardinhas), e no segundo os serviços administrativos, bem como alguns museus e monumentos interessantes. As pessoas são simpáticas, apesar de muito poucas falarem inglês. Como de costume, partimos às 18 horas.
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O dia seguinte foi passado entre poços de petróleo, em ambas as margens do Golfo Pérsico, à direita os xiitas do Irão e à esquerda os sunitas dos Emirados, até atingirmos, no 15º dia, Doha (na foto), capital do Qatar. São notórios os efeitos do petróleo, desde os arranha-céus aos carros de alta cilindrada, passando pelas fotos omnipresentes dos membros (masculinos) da família real e os edifícios públicos de grandes dimensões, como o magnífico e imponente Museu de Arte Islâmica, que vale, sem dúvida, uma visita.
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O Golfo Pérsico alberga, assim, alguns dos países mais ricos do mundo (Irão, Iraque, Bahrain, Kuwait, Qatar, Emirados Árabes Unidos), graças ao “ouro negro”. De noite é possível ver-se, um pouco por todo o lado, a chama dos poços de petróleo. O Splendida zarpou de Doha, como de costume às 18:00 horas e navegou muito lentamente (cerca de 10 nós) para chegar à ilha de Sir Bani Yas – pertencente aos Emirados Árabes Unidos, e com uma praia privativa (na foto) para os passageiros de algumas companhias de cruzeiro, incluindo a MSC – às 8:00 horas do dia seguinte.
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E depois de um dia de praia, rumámos a uma nova grande metrópole, destino final do nosso cruzeiro: o Dubai. O “petromoney” tornou-a uma cidade de fachada. Arranha- céus (pediram-nos o equivalente a 300 euros para subirmos ao edifício mais alto do mundo!), grandes avenidas, veículos potentes, uma larga maioria de trabalhadores estrangeiros – sobretudo indianos, paquistaneses e africanos – e poucas ruas onde se possa circular naturalmente, a pé. Ao 18º dia regressámos, de avião, a casa. A melhor parte do cruzeiro foi o primeiro terço.

O navio (MSC Splendida) ficará agora cerca de três meses e meio no Golfo Pérsico até partir para o Mar da China, onde cumprirá mais uma temporada, circulando entre países como o Japão, a Coreia do Sul e, claro, a própria China. Nessa nova viagem de reposicionamento, de Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) a Yokohama (Japão), durante 26 dias, visitará mais nove países – do Médio ao Extremo-Oriente. Mais um cruzeiro de reposicionamento muito atrativo para quem tiver disponibilidade de viajar em abril, mês em que decorrerá a viagem.

Entretanto, seria muito interessante que uma indústria tão próspera quanto o é a dos cruzeiros marítimos e fluviais, mostrasse uma maior (e efetiva) preocupação ambiental. Um grande navio de cruzeiro (e há que ter em conta que eles são cada vez maiores) polui o equivalente a mais de 100.000 automóveis, algo inconcebível numa época em que as questões ambientais constituem uma prioridade a nível mundial.

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