Equilíbrio e Inteligência

Sou um equilibrista. Costumo dizer até – meio a brincar mas muito a sério – que nada demonstra melhor a importância do equilíbrio do que um bom vinho.
Mas não é apenas no vinho (ou no circo) que o equilíbrio é importante. Um intelecto desequilibrado pode ser a causa de atos desastrosos, sobretudo quando cometidos por pessoas altamente inteligentes, sendo lícito concluir, de acordo com a experiência, que a estupidez não é provocada apenas pela carência de inteligência, mas igualmente pelo seu excesso.
Pode parecer paradoxal, mas acontece demasiadas vezes: as pessoas super-inteligentes são as que cometem os atos mais hediondos e estúpidos. 
Senão vejamos: o “atirador da torre do Texas”, Charles Whitman, que matou 16 pessoas depois de ter assassinado a mulher e a mãe, tinha um QI na faixa dos 1% mais inteligentes; os psicopatas, diz-nos a ciência, são indivíduos super-inteligentes (e manipuladores); Hitler e Estaline eram decerto pessoas muito inteligentes (e, igualmente, manipuladores – seriam também psicopatas?) e o mesmo poderíamos dizer de personalidades tão distintas quanto Ceausescu, Pinochet, Castro, Meinhof ou Breivik.
Bem sei que não é a inteligência a única responsável destes comportamentos destrutivos. Alguma deficiência numa zona do cérebro, antiga (na amígdala, por exemplo) ou recente (no córtex pré-frontal, por hipótese), entre outras razões (hormonais, ambientais, etc) pode ser a causa principal, mas isso só prova que a inteligência per si é fria, e é necessário que todas as regiões do cérebro que com ela interagem funcionem equilibradamente.
Por fim, acontece também que a inteligência desmedida (aquela que rebenta com a escala e já é menos inteligência e mais loucura) leva alguns indivíduos a convencerem-se de que descobriram a “verdade”. A partir desse momento, o que possa causar horror ao cidadão comum não passa de uma consequência dessa descoberta, que, evidentemente, não afeta o génio iluminado nem, amiúde, os seus seguidores.
Sim, a inteligência, tal como o excessivo grau alcoólico de um vinho, embriaga.

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Foto adaptada de: https://veja.abril.com.br/ciencia/estudo-mapeia-area-do-cerebro-relacionada-a-inteligencia/