Ranking dos 10 políticos portugueses mais detestáveis

plenário1º – Cavaco Silva, “O Conspirador”

2º – José Sócrates, “O Engenhocas”

3º – Paulo Portas, “O Oportunista”

4º – Nuno Crato, “O Contabilista”

5º – João Semedo, “O Acusador”

6º – Rui Machete, “O Incompreendido”

7º – Nuno Melo, “O Malandreco”

8º – Passos Coelho, “O Liberal”

9º – Marques Mendes, “O Concentrado”

10º – Poiares Maduro, “O Infrassumo”.

O último ranking fora publicado em janeiro de 2014 e, daí para cá, há a registar a entrada de José Sócrates, “O Engenhocas”, e logo para o segundo lugar. Cavaco, “O Conspirador”, mantém-se na primeiríssima posição, pelo quinto ranking consecutivo. Paulo Portas, “O Oportunista”, trocou de posição com Nuno Crato, “O Contabilista”. João Semedo, “O Acusador”, subiu da nona para a quinta posição. Regresso de Marques Mendes, “O Concentrado”. Saídas de Aguiar-Branco, “O Consultor”, e António José Seguro, “O Desastrado”.

Córdoba, Granada e Gibraltar

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Jardins do Alcazar dos reis cristãos, em Córdoba.

Do sul de Portugal é facílimo dar um salta à Andaluzia, ali mesmo ao lado,  e conhecer belas cidades como Huelva, Sevilha, Cádiz, Málaga, etc.  Nesta pequena viagem de três dias optamos por duas cidades espanholas – Córdoba e Granada – e uma do Reino-Unido – um verdadeiro espinho cravado num dedo de Espanha – Gibraltar.

Algo ressalta, desde logo, quando se termina uma viagem por estes três lugares, geograficamente bem próximos: o seu passado árabe. De facto, Córdoba foi no século X sede do esplendoroso califado Omíada, Granada foi o último reduto árabe na Península Ibérica, e Gibraltar foi o lugar onde, em 711, o berbere Tariq ben Ziad desembarcou com sua tropas e abriu caminho para os árabes conquistarem a Ibéria. São, por isso, cidades não apenas históricas, mas também cidades carregadas de simbolismo.

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Pormenor de uma porta, em Córdoba.

Em Córdoba visitámos a Judiaria, a Mesquita-Catedral, a Alcazar dos reis cristãos, a ponte romana, a rua das Flores e a estátua de Maimónides. Este é o nome grego do  rabino, professor, mestre, filósofo e médico judaico, Moshe Ben Maimon. A sua vasta obra, ainda hoje estudada e comentada, teve e continua a ter um impacto tão importante na religião judaica que ficou célebre o epitáfio medieval que dizia: “Desde Moisés (da Bíblia) até Moisés (Maimónides) não houve ninguém como Moisés”[1].

Por seu turno, Granada é uma cidade maravilhosa. O bairro antigo e árabe, chamado Albaicín, é encantador. Subindo-o, desde o centro da cidade, pode observar-se, na colina oposta, tendo por trás a Serra Nevada, a célebre Alhambra, que inclui um castelo cristão, um complexo palaciano e fortaleza de origem árabe, da dinastia Nasrida, e ainda jardins e hortas circundantes, a que chamam Generalife. Tudo isto é Património Mundial da UNESCO, mas o surpreendente é mesmo tudo o que é árabe – sobretudo o bairro Albaicín e o complexo palaciano de Alhambra.

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Azulejo do palácio árabe de Alhambra, em Granada.

Em Albaicín, a comparação com Alfama é quase inevitável. E, lamentavelmente para nós, Alfama fica a perder. Albaicín é muito mais limpo e preservado. As suas casas com pátios, interiores ou exteriores, sempre floridos, são muitas vezes autênticos miradouros onde os olhos pousam e repousam sobre a cidade. Claro que o pequeno rio Darro que corre entre as colinas de Alhambra e Albaicín não tem a grandiosidade do Tejo. Mas só talvez se um dia Alfama se tornar património mundial, a gente possa aqui viver com o orgulho que se sente em Granada.

Por fim, Gibraltar: um daqueles lugares que fascinam geólogos, físicos e outros cientistas da naturais: uma montanha de rocha calcária elevada do fundo do mar pelas forças descomunais da Natureza. Gibraltar pertence à Grã-Bretanha desde 1713, ano em que os espanhóis cederam o território àquele país, a título perpétuo, após a Guerra da Sucessão.

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Pormenor de coluna no palácio árabe de Alhambra, em Granada.

Subir o rochedo de Gibraltar não deixa de ser uma aventura, mesmo que o façamos de carro, como foi o nosso caso. A estrada é estreita e íngreme, e o esforço dos percursos que têm de ser feitos a pé é compensado com vistas deslumbrantes em todas as direções. As montanhas do norte de África impõem-se a Sul. Pelo caminho vêem-se famílias inteiras de macacos da berberia, tão habituados aos turistas, que chegam a posar para as fotografias.

Neste percurso ascendente – que é a principal atração turística do rochedo – podem visitar-se grutas, castelos e monumentos, mas o mais impressionante são sem dúvida os túneis cavados na rocha pelos britânicos, aquando do grande cerco feito pela Espanha (1779-1883) e também na II Guerra Mundial. Um dos túneis corta o rochedo de sul para norte, tendo pelo meio aberturas que deixam passar apenas o olhar humano (por vezes ajudado por binóculos) e os canos dos canhões. Dali é possível controlar o território espanhol, a baía de Algeciras e o próprio Mediterrâneo.

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Gibraltar. Ao fundo, África.

Gibraltar e o monte Musa, em África, constituíam na Antiguidade as chamadas Colunas de Hércules. Entre elas ficava uma porta para o desconhecido[2], – uma passagem que liga o Mediterrâneo ao Atlântico e onde passa hoje um navio a cada seis minutos. Não é difícil calcular a importância estratégica de Gibraltar. Nem surpreende que tanto o Reino-Unido quanto os gibraltinos não queiram abrir mão deste simbólico território.

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Notas:

[1] “Raízes dos Judeus em Portugal”, Inácio Steinhardt

[2] De facto, como o próprio nome indica, o Mediterrâneo era o centro do mundo. Para além, ficava o desconhecido.

 

O preconceito ideológico antiamericano

veja.abril.com.br

Parece-me evidente que o antiamericanismo tem crescido no mundo. Não sei se tem crescido também nos países ocidentais. Sei, porque o vejo todos os dias, que é efetivo, quer no Brasil, quer em Portugal.

Se, por um lado, esse sentimento é compreensível – sobretudo em tempos de grave crise económica e financeira – por outro, é completamente ilógico. Em primeiro lugar, porque os EUA são compostos por várias gerações de homens e mulheres do mundo inteiro – europeus, sul-americanos, portugueses, brasileiros, etc. Em segundo lugar, e principalmente, porque a partir do momento em que os EUA se tornaram o país dominante no mundo este ficou, de facto, melhor.

Os que criticam a política internacional americana esquecem-se de que, não muito antes dos EUA se tornarem a maior potência mundial, os países que o antecederam nesse papel dividiram entre si um inteiro continente, sentados confortavelmente, em torno de uma mesa, numa reunião em Berlim[1]. E que, para manterem seus impérios, alguns deles praticaram o extermínio sobre milhões de seres humanos[2].  Essa partilha imperial, inicialmente traçada a lápis, culminaria numa guerra fratricida, com duas partes distintas, traçada, desta vez, com projéteis de diversas dimensões – as primeira e segunda Guerras Mundiais. E o extermínio ampliou-se, brutalmente, até o inconcebível.

Se os EUA se demitissem do papel de líder mundial, é quase certo que a potência que ocupasse o seu lugar – e só um sonhador pode imaginar um mundo sem nenhum país mais poderoso, pois não há no mundo vazios de poder – seria pior. Claro que o exercício do poder, por mais democrático que seja, contém sempre alguma arbitrariedade e, consequentemente, alguma injustiça; e é ainda verdade que alguns presidentes americanos interpretaram de forma muito negativa, e por vezes trágica, o papel dos EUA no mundo[3]. Mas isso não invalida que a supremacia militar dos EUA (entre outras) seja muito menos agressiva do que todas as que a antecederam no decorrer dos últimos séculos.

Essa supremacia iniciou-se ainda no decorrer da Grande Guerra e consolidar-se-ia com a Conferência de Paz que se lhe seguiu, em Paris[4], onde as ideias e propostas progressistas do presidente democrata Woodrow Wilson prevaleceram – ideias e propostas que defendiam a autodeterminação dos povos, a proteção das minorias étnicas e a criação da Liga das Nações[5]. Foi o estertor dos estados imperiais[6].

Apesar do desmantelamento dos impérios, muitos consideram, hoje, os EUA um país imperial. Isso deve-se sobretudo à ação americana durante a Guerra Fria e, mais recentemente,  às intervenções no Médio Oriente, nomeadamente no Iraque[7]. Cumpre dizer que esta foi, de facto, completamente despropositada, imprudente e injusta – uma reação irrefletida aos atentados de 11 de setembro[8]. Tal não invalida, porém, que outras intervenções se justifiquem, como é o caso da presente luta contra o ISIS – o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

A grande diferença entre os americanos e os outros é que, nos EUA, em qualquer decisão, participam sempre várias pessoas que pensam de forma diferente entre si. Nos países seus inimigos, sejam governados por radicais islâmicos pela esquerda radical marxista ou por autocratas como Putin, quem participa das decisões são pessoas que pensam da mesma forma[9], subjugadas, sempre, seja por um ditador, seja pela crença cega numa religião ou ideologia, sendo que ambos quase sempre se confundem. Os EUA – e os países ocidentais que partilham os mesmos valores – são a expressão última de um tipo de sociedade que se iniciou há 2.500 anos na Grécia Antiga, e o resultado de uma luta constante e interminável pela Liberdade e pela Democracia.

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A foto incluída neste post foi retirada do sítio http://www.veja.abril.com.br.

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Notas:

[1] Conferência de Berlim, realizada entre 19 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885. Curiosamente,  foi proposta por Portugal. Participaram Grã-Bretanha, Bélgica, Dinamarca, Holanda, França, Espanha, Estados Unidos, Itália, Suécia, Áustria-Hungria, Império Otomano, Alemanha e Portugal.

[2] Na verdade, os negros exterminados em África eram considerados seres inferiores aos brancos pela maioria dos colonizadores da época.

[3] Os casos mais evidentes são os de Richard Nixon (Guerra do Vietnam) e George W. Bush (Guerra do Iraque).

[4] A Conferência de Paz de Paris decorreu durante cerca de um ano, entre janeiro de 1919 e janeiro de 1920.

[5] As ideias de Wilson foram anunciadas pela primeira vez ao Congresso dos Estados Unidos num discurso realizado em 8 de janeiro de 1918. Esse discurso ficou célebre e conhecido pelo discurso dos “quatorze pontos”. Ver em http://pt.wikipedia.org/wiki/Quatorze_Pontos. Apesar das boas intenções de Wilson, há (e houve, claro) quem ponha em causa a aplicação do conceito de “estado-nação”, sobretudo porque contribuiu para o aumento dos problemas, relativamente aos impérios tradicionais.

[6] Um livro interessante sobre esta matéria é “Impérios em Guerra: 1911-1923”, org. de Robert Gerwarth e Erez Manela, Editora D. Quixote, Lisboa, 2014.

[7] Como é evidente, os americanos são também muito criticados por intervirem militarmente na defesa de seus interesses económicos. Mas, tal como o mundo está organizado hoje – e convém dizer que essa organização deve muito aos EUA – essas intervenções arbitrárias são cada vez mais difíceis, dado que são objecto de escrutínio por parte da comunidade internacional. e também da imprensa mundial, incluindo a própria imprensa (livre) norte-americana.

[8] Foi depois do 11 de setembro que John Perkins, um auto-intitulado “pistoleiro económico” (economic hit man) americano escreveu o seu polémico livro Confessions Of An Economic Hit Man, publicado em 2004. Perkins relata os episódios vividos enquanto consultor da empresa norte-americana Main, junto de alguns governantes de países em desenvolvimento. O papel dessas empresas era o de facilitar o empréstimo de dinheiro para infraestruturas, o qual mais tarde retornaria, naturalmente, aos EUA. Caso não fossem aceites as condições propostas, usava-se a força, ora assassinando esses líderes, ora, em último recurso, intervindo militarmente. Como seria de esperar, o livro é muito polémico, e Perkins não apresentou qualquer documento que envolva o governo americano. Esse facto é realçado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que rejeita todas as acusações e afirma que o livro de Perkins é “pura ficção”. A propósito duma edição desta obra, em 2006, no Reino Unido, ver aqui um excelente artigo de Gary Youngue, no The Guardian.

[9] De facto, os membros dos partidos marxistas/leninistas orgulham-se de pensarem todos da mesma maneira e de eclipsarem a sua individualidade no coletivo superior do Partido. Sobre este tema “individualismo/coletivismo”, ver artigo deste blog, https://ilovealfama.com/2012/10/19/por-que-deixei-de-ser-marxista/.

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