Ranking dos 10 políticos portugueses mais detestáveis

1º Cavaco Silva,”O Conspirador”

2º Miguel Relvas, “O Hedonista”

3º Passos Coelho, “O Liberal”

4º Nuno Crato, “O Contabilista”

5º António José Seguro “O Desastrado”

6º Alberto João Jardim, “O Troglodita”

7º Paulo Portas, “O Oportunista”

8º Vítor Gaspar, “O Apontador”

9º Marcelo Rebelo de Sousa, “O Quadrilheiro”

10º Marques Mendes, “O Concentrado”

Face à classificação de há 5 meses (29/10/2012), releva o seguinte: entradas de António José Seguro, Nuno Crato, Vítor Gaspar e Marques Mendes; manutenção incontestável do primeiro lugar, desde o início das “sondagens”, de “O Conspirador”; saída de cena de Francisco Louçã, “O Moralista”.

2012 – Uma Espécie de Balanço

Depois da descoberta das partículas sub-atómicas, vivemos num mundo onde imperam a probabilidade e a estatística. O mundo natural é (naturalmente) indeterminista. E, curiosamente ou não, o mundo social também. Só uma ditadura pode ser determinista e, mesmo assim, até certo ponto. A democracia é, sem dúvida, indeterminista.

Em termos simples, pode dizer-se que, num mundo indeterminista, nada pode prever-se com precisão – prevalecem as probabilidades, as médias, os arredondamentos. Na política, ao determinismo dos extremos, sejam de direita ou de esquerda, opõe-se o indeterminismo do centro, uma espécie de tendência estatística para a média, como na lei dos grandes números [1]. Claro que há uma pequena probabilidade de haver uma ocorrência fora da curva [2]. Isso dependerá, essencialmente, das “condições objectivas” [3] de um dado momento. A votação em Hitler foi um desse momentos: um raro – e trágico – evento.

Em geral, porém, seja no nosso ou em qualquer outro país, a tendência, propensão ou probabilidade é que a maioria das pessoas vote no chamado “centrão”. Os anglo-saxónicos, com seu sentido prático, sabendo disto, poupam tempo, dinheiro e paciência com seu bipartidarismo de há centenas de anos. De uma penada, evitam distorções, coligações e mais tachos.

Esta evidência do indeterminismo na vida social foi algo que cresceu rapidamente com a globalização. O debate, a circulação de ideias, a simples opinião aumentaram notoriamente com o advento da internet e, sobretudo, com as chamadas redes sociais, fazendo com que as decisões políticas sejam hoje escrutinadas praticamente em tempo real.

Mas, agora mais que nunca, num mundo ameaçado por uma crise grave, cujas causas e consequências as teorias de esquerda denunciam tão claramente, o que levará, ainda assim, as pessoas a optar pelo centrão? Mais: o que leva um país, onde vigora há décadas um dos melhores sistemas sociais do mundo, como é o caso da Suécia, a querer mudar para uma sociedade mais liberal, teoricamente bem mais incerta? Haverá mesmo uma tendência social – acompanhando o que acontece nas outras ciências [4] – para o indeterminismo?

Eu acredito que sim. E acredito também que isso acontece, não porque as pessoas sejam estúpidas [5]. Quanto a mim, a razão principal não reside numa influência exterior, mas dentro delas. Talvez mais do que na Ciência Política, encontremos pistas na Psicologia e na Filosofia [6]. Trata-se de aceitar (aquilo que é) e de interpretar (aquilo que gostaríamos que fosse) a realidade. Aqui reside, nos subtis mecanismos internos das aceitação e interpretação, a tendência humana para o voto ao centro. Talvez, quem sabe, uma tendência secreta das massas para o realismo [7], para uma queda dentro da curva…

Posto isto, eu que nunca votei no PSD (outrora PPD) nem no CDS, tenho de reconhecer uma coisa. O atual primeiro-ministro, apesar do coro de protestos, insultos e insinuações, está a percorrer o seu caminho, afinal, o caminho traçado pela Troika, depois do célebre resgate, já que é esta quem define a política económica do nosso país. A única alternativa de Passos Coelho seria convencer espanhóis, italianos, irlandeses e, eventualmente, franceses de que as condições impostas pela Troika têm de ser alteradas, suavizadas e que, para isso, alemães (sobretudo) e outros países do norte da Europa têm de se mostrar mais solidários. Isso é possível de realizar, simplesmente porque seria melhor do que um desmembramento de consequências imprevisíveis, onde certamente todos perderiam, e muito. Até agora, porém, nenhum líder mostrou ter coragem suficiente para enveredar por este caminho, nem mesmo aqueles de países de maior dimensão e peso, e de famílias políticas bem mais distantes de Merkel do que Passos Coelho [8].

Claro que, tal como todos os que o antecederam, Passos não cumpriu uma série de promessas. Nisso, realmente, ele não se distingue dos demais. Mas destaca-se pelas postura, determinação e caráter – mesmo se levarmos em conta (e temos de levar) as más companhias, como é o caso clamoroso de Miguel Relvas.

Além disso, a missão de Passos é patriótica, pois, neste momento, ninguém está verdadeiramente interessado em pegar no país. Não concordo com a sua política, mas ela enquadra-se numa ideologia liberal que ele sempre defendeu, não constitui novidade. E é por isso que não é expectável (nem está minimamente ao seu alcance) uma contribuição sua para aquilo que seria a verdadeira solução do problema europeu: uma inversão da política alemã e do seu braço financeiro, o BCE. Para isso teriam de abandonar este caminho de austeridade sem saída, que só leva a mais e mais recessão.

É bem possível que o diagnóstico sobre Portugal piore em 2013, pelo menos em parte. Mas eu ainda não ouvi, ou li, qualquer proposta alternativa (e realista) que me fizesse crer na existência de um caminho substancialmente melhor, a não ser o que apontei acima. Era por ele que se deveria bater, sem desvios, uma oposição credível. Pior que o desgoverno de Coelho, só a total ausência de uma verdadeira alternativa.

Aquilo que eu gostaria que fosse não resiste à evidência daquilo que é.

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Notas:

[1] A lei dos grandes números diz-nos que quanto maior for uma série de eventos aleatórios, mais certa se torna a média esperada. O exemplo clássico é o do lançamento de uma moeda: num número suficientemente grande de lançamentos a tendência será para que se registe 50% para cada uma das possibilidades (cara ou coroa).

[2] Os eventos aleatórios são muitas vezes representados graficamente numa curva de sino. Os eventos esperados caem dentro da curva. Mas há sempre uma probabilidade, ainda que ínfima, de uma ocorrência inesperada. Por exemplo, em mil lançamentos saírem 900 coroas e apenas 100 caras ou, mais raro ainda, 990 coroas e 10 caras (ou vice-versa).

[3] “condições objectivas” é uma expressão cara aos marxistas e demonstrativa de seu espírito determinista.

[4] Toda a ciência contemporânea (e a consequente parafernália técnica, incluindo os poderosos computadores atuais) se baseia nos princípios indeterministas.

[5] Acontece que muitas vezes se chamam as pessoas de estúpidas, indiretamente. É como eu vejo, por exemplo, quando se diz que as pessoas votaram em determinado partido porque foram enganadas pela “propaganda” e/ou pelas “mentiras” desse mesmo partido.

[6] Não tem a filosofia como objeto, em última análise, o homem? A resposta, afirmativa, é dada por Kant.

[7] Não será por acaso que muitos intelectuais, sobretudo de esquerda, reivindicam o direito ao sonho e à utopia. Por outro lado, realismo e indeterminismo não são de forma alguma incompatíveis.

[8] François Hollande representa a maior desilusão quando pensamos numa real oposição à política europeia de Merkel.

Ranking dos 10 políticos portugueses mais detestáveis

plenário1º Cavaco Silva,”O Conspirador”

2º Francisco Louçã, “O Moralista”

3º Miguel Relvas, “O Hedonista”

4º Paulo Portas, “O Oportunista”

5º Passos Coelho, “O Liberal”

6º Alberto João Jardim, “O Troglodita”

7º Marcelo Rebelo de Sousa, “O Quadrilheiro”

8º Nuno Melo, “O Malandreco”

9º Bernardino Soares, “O Ortodoxo”

10º Manuel Maria Carrilho, “O Cínico”

Face à classificação de há 5 meses (29/05/2012), releva o seguinte: entrada directa, para o 5º lugar, de Passos Coelho; manutenção firme nos dois primeiros lugares de Cavaco e Louçã; subidas de Relvas ao terceiro posto e Portas ao quarto; saída de Pacheco Pereira.