Ranking dos 10 políticos portugueses mais detestáveis

plenário1- Cavaco Silva, “O Conspirador”.

2- Nuno Crato, “O Contabilista”.

3- António Costa, “O Náufrago”.

4- Raquel Varela, “A Anarquista”.

5- Paulo Portas, “O Oportunista”.

6-Marcelo Rebelo de Sousa, “O Quadrilheiro”.

7- Catarina Martins, “A Sonhadora”.

8- Jerónimo de Sousa, “O Petrificado”.

9- Passos Coelho, “O Liberal”.

10- Sampaio da Nóvoa, “O Citador”

——————————————————————————————————–

E este é já o nosso oitavo ranking, o que significa, dada a periodicidade semestral, que já passaram quatro anos desde o primeiro. O último, antes do de hoje, foi no dia 10 de abril de 2015. Nesse constavam os nomes de Marques Mendes, “O Concentrado”, Poiares Maduro, “O Infrassumo” e José Sócrates, “O Engenhocas”. Foram substituídos no presente ranking por Jerónimo de Sousa, “O Petrificado”, Sampaio da Nóvoa, “O Citador” e António Costa, “O Náufrago”. Cavaco Silva, “O Conspirador”, mantém a liderança, consecutivamente, desde o primeiro ranking.

———————————————————————————————————

Christopher Nupen

Christopher Nupen é um documentarista sul-africano que se dedicou a realizar (e produzir) filmes sobre músicos. Ele próprio quis ser músico, e teve aulas de guitarra clássica com Andres Segóvia, tal como John Williams (não o compositor americano, mas o guitarrista australiano), o mais famoso aluno do famosíssimo mestre.

Foi através de Williams que Nupen conheceu vários músicos importantes, como Daniel Barenboim, Jacqueline du Pré e Vladimir Ashkenazy, todos ainda muito jovens, pouco conhecidos, mas cheios de talento; tornou-se amigo deles e decidiu começar a gravar a música que tocavam, primeiro para a rádio e depois, convidado por Huw Wheldon, para a BBC Television.

Assim nasceu o seu primeiro filme, Double Concerto, com os pianistas Ashkenazy e Barenboim (gravado com as novas câmaras silenciosas de 16 mm, desenvolvidas nos anos sessenta), que logo venceu dois prémios internacionais (Praga e Monte Carlo). Mais tarde, em Cannes, Chris receberia também o prémio para o melhor DVD do ano (2005), com Jacqueline du Pré in Portrait, troféu que voltaria a conquistar em 2006, com We Want the Light, (título extraído de um poema escrito por uma menina de 12 anos, Eva Pickova, no campo de concentração de Theresienstadt), um documentário que explora a complexa relação entre judeus e música alemã.

Christopher Nupen estabeleceu com a maioria dos músicos uma relação de amizade, e isso permitiu-lhe realizar filmes profundamente biográficos e intimistas, e muito belos. 

Seria fastidioso citar todos os super-talentos retratados por este magnífico realizador. Podemos encontrá-los em DVDs que valem cada cêntimo que possamos gastar. A nonagésima quinta produção é sobre Daniil Trifonov, um jovem russo de 24 anos que Martha Argerich (ela também retratada num documentário de Nupen) considera o melhor pianista de sempre.

Jacqueline du Pré

Jacqueline du Pré ganhou o seu primeiro violoncelo aos 4 anos de idade. A partir daí, passou a viver em dois mundos – aquele em que era uma criança como todas as outras e um outro em que só existiam ela e o seu violoncelo.
Com o tempo, Jacqueline tornou-se uma instrumentista fantástica, mas a sua carreira seria interrompida aos 28 anos, devido à esclerose múltipla que lhe haviam diagnosticado. As últimas atuações foram dramáticas. Conduzia com o olhar os próprios dedos, isentos de sensibilidade.
Jackie morreu em 1987, aos 42 anos.
É uma figura cativante, uma das maiores da história da música.

Pianos

O primeiro vídeo deste artigo pretende ilustrar, em poucos minutos, o processo de fabrico de um piano, no caso, um Bösendorfer. Como música de fundo a “Campanella” de Liszt, interpretada pela ucraniana/americana, Valentina Lisitsa.

O austríaco Bösendorfer é o principal rival do americano Steinway (fabricado nos EUA e na Alemanha). Estes dois pianos são bastante diferentes no que concerne à construção e, obviamente, na sonoridade. O Steinway parece ter maior versatilidade e um som mais “redondo”, enquanto há quem diga que o Bösendorfer tem um som mais “puro”.

As opiniões são diversificadas. Certo, é que o Steinway está mais difundido pelas salas de concerto de todo o mundo. A confirmação do Steinway decorreu paulatinamente, após as fábricas europeias de pianos terem sido destruídas durante a II Guerra Mundial.

A marca Bösendorfer foi comprada em 2008 pela companhia japonesa Yamaha, também ela uma referência no universo pianístico. Outros concorrentes de peso (como fica bem a qualquer piano) são o americano Baldwin (atualmente fabricado na China) o italiano Fazioli (ver segundo vídeo deste artigo, com o excelente pianista russo, Daniil Trifonov) e o japonês Shigeru Kawai.
Entre as marcas referidas encontramos os melhores pianos (verticais e de cauda) do mundo.

Mas a busca pelo melhor som talvez seja interminável. Daniel Barenboim partiu nessa aventura e conseguiu que fosse construído um piano com um design arrojado e um som mais “quente”. Ao novo piano, que se mostra no terceiro e último vídeo, foi naturalmente atribuída uma marca que homenageia esse grande maestro e pianista – simplesmente, “Barenboim”.

O Trout Quintet

Schubert escreveu o “Trout Quintet” em 1819, com 22 anos de idade.
Um século e meio depois, Christopher Nupen, cineasta sul-africano, realizou o documentário “The Trout”, sobre um concerto que ocorreu no Queen Elizabeth Hall, em Londres, em 30 de agosto de 1969[1]. Ali se reuniram, para interpretar o famoso quinteto de Schubert, Daniel Barenboim (piano), Zubin Mehta (baixo), Itzhak Perlman (violino), Pinchas Zuckerman (viola ou violeta) e Jacqueline du Pré (violoncelo). É um curtíssimo e divertido excerto desse documentário (gravado nos ensaios) que aqui apresentamos. Conseguir melhores intérpretes, seria tarefa impossível.

—————————————————————

[1] Como se indica no vídeo, a gravação deste concerto está disponível em DVD.

O Mito do Herói

herculesA função mais básica ao nível interno de um estado é a salvaguarda da segurança entre os seus cidadãos. Apesar disso, a violência continua a ser um dos principais problemas do mundo. Há países em guerra e há países que, apesar de não estarem em guerra, estão entre os países mais violentos do planeta.

Mesmo nos estados mais desenvolvidos, onde a criminalidade violenta é menor (se excetuarmos os EUA), há ainda resquícios dos tempos mais conturbados do passado. Esse vestígio do passado violento está patente, na cultura ocidental, no culto do herói, veiculado pelas mitologia, história, artes, filosofia, pelos meios de comunicação social e, no fundo, por cada um de nós.

Tal generalização moldou o inconsciente coletivo, adormeceu o espírito crítico e fez com que olhássemos (e olhemos) o herói com veneração.

Tal como demos um salto civilizacional ao conseguirmos baixar os índices de violência, daremos igualmente um salto significativo quando abandonarmos o culto do herói.

Não precisamos subir ao Everest, nem saltar de paraquedas, nem meter-nos numa rixa, para despertarmos o herói que transportamos, e desafiarmos o perigo e a morte. A verdadeira luta contra a morte está reservada para a grande maioria de nós (não é preciso ser herói para lhe escapar) e cada um a travará o melhor que puder e souber, pois, ao contrário do que em geral é veiculado, não há quem seja mais digno perante a morte, há apenas formas diferentes de morrer.

(Ninguém se lembraria de considerar um bebé “digno” por nascer mais sereno do que outro que protesta persistentemente por ter sido tirado da barriga da mãe).

Hegel, com o seu lema de vida, sob o qual as palavras “paixão”, “espírito”, “destino”, “fama”, “herói” e “glória” foram amplamente divulgadas, além de ter sido um dos maiores charlatães da história das ideias (se não o maior), contribuiu para que o mundo fosse muitíssimo mais violento que o necessário, se é que há necessidade do mundo ser violento.

Talvez o culto da violência (e do herói) jamais seja erradicado da face da Terra. Mas esperamos que o peso que ainda detém diminua drasticamente. Isso corresponderá, seguramente, a uma sociedade mais pacificada, menos mítica e mais humana.

——————————————————————-

Foto retirada de http://www.tecmundo.com.br