Longe da Árvore

Andrew Solomon, ao centro, com a família mais próxima.

O título, “Longe da Árvore”, remete para um provérbio alemão que diz “a maçã nunca cai longe da árvore”, sugerindo que os filhos nunca se afastam muito das características dos pais. Esta ligação (ou continuidade) entre pais e filhos é chamada “identidade vertical”. Mas há casos em que prevalece uma identidade diferente, partilhada por indivíduos com características e personalidades especiais – a “identidade horizontal”. Solomon estudou dez grupos com este tipo de identidade, que correspondem a dez capítulos do livro. São estes: “Surdos”, “Anões”, “Síndrome de Down”, “Autismo”, “Esquizofrenia”, “Deficiência”, “Prodígios”, “Violação”, “Crime” e “Transgéneros”, aos quais acrescentou um primeiro capítulo sobre “Filhos” e um último, intitulado “Pais”.

Solomon descreve os desenvolvimentos que ocorrem dentro de cada grupo, recorrendo a casos reais (centenas deles) que pesquisou, muitas vezes in loco, durante mais de uma dezena de anos, mostrando-nos como, mesmo quando os pais, à partida, pensam não ser capazes de suportar o drama vivido, começam por aceitar aquele indivíduo (filho ou filha) tal como é, acabando, quase sempre por amá-lo e dedicar-lhe, por vezes em exclusividade, a sua própria vida. Esta é a regra, mas, como sempre, há exceções.

Alguns destes filhos excecionais acabam por ser também pais que muitas vezes desejam filhos “perto da árvore”[1]. Alguns destes grupos constituem-se já como subculturas, como é o caso das comunidades surda e gay, por exemplo, e o mesmo começa a acontecer com portadores do síndrome de Down e outros, cujos pais, por razões diversas, não consideram que os filhos tenham qualquer patologia (daí não estarem interessados numa cura), mas apenas uma identidade diferente, que, em nome da diversidade, se deve perpetuar. Até que ponto isto é legítimo e saudável constitui apenas uma das muitas questões controversas que os desenvolvimentos técnicos, científicos e sociais vieram colocar na ordem do dia. Passámos rapidamente de uma época (há uns meros 20 ou 30 anos), em que estas pessoas excecionais eram descartadas pela sociedade, colocadas em instituições, abandonadas ou mesmo mortas, para a época atual, em que as crianças que nascem com identidades horizontais veem reconhecido o seu direito a uma vida digna por parte do Estado e das famílias. Pais extremosos, completamente dedicados a esses filhos invulgares, permitem-nos perspetivar, pela sua luta de hoje, um futuro em que os filhos poderão ter essas (ou outras) características excecionais selecionadas pelos pais. Surdos podem querer ter filhos surdos, anões podem querer filhos anões, etc.

O livro (com mais de mil páginas) é escrito com mestria e elegância, fazendo jus à elevada reputação do autor. No último capítulo, Solomon aborda a sua própria experiência enquanto progenitor, descrevendo o seu trajeto de pai homossexual, sugerindo que o exemplo de tantos outros, que aceitaram as identidades horizontais dos filhos, pode ter sido inspirador.

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Notas:

[1] Expressão nossa.

Foto retirada e adaptada de: nytimes.com.

Nomonde Mdalose

Muito simpática e bonita, esta sul-africana é dona de uma voz fabulosa. Que encontre em breve o palco que o seu talento merece – o mundo!

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Zadar, Kotor e San Marino

Panorâmica de Zadar, uma típica cidade de veraneio na costa do Adriático, quase em frente a Pula, outra cidade costeira croata, que visitámos há quarenta anos.
Durante a nossa estada em Zadar decorreu na cidade o Festival de Atum, Sushi e Vinho. A inauguração deu-se no Palácio Cedulin, com a atuação da soprano Nela Saricem e a exposição dos trabalhos fotográficos (sobre a pesca do atum no Adriático) de Danijel Kolega, que amavelmente se deixou fotografar com Flávia.
A sinuosidade da costa faz com que a passagem do Adriático até Kotor se faça através de um autêntico lago, sem ondulação, onde é possível nadar, mergulhar, velejar, remar, entre outras atividades, na maior tranquilidade.
As montanhas que cercam todo este espaço que separa Kotor (e outras localidades vizinhas) do mar, contribuem para um cenário idílico de rara beleza, que deslumbra à primeira vista.
Em dias límpidos conseguem mesmo vislumbrar-se alguns pontos na margem Leste do Adriático, a mais de cem quilómetros de distância, de onde, dizem, chegou o fundador deste pequeno Estado. Isto acontece porque San Marino fica no topo do monte Titano (de onde tirámos esta foto), sobre a cidade italiana de Rimini, cerca de 750 metros acima do nível do mar.
A praça da Liberdade, na Cittá. Surpreendentemente, San Marino conseguiu manter a independência ao longo de milhares de anos, sendo considerado o Estado nacional mais antigo do mundo. O centro histórico de San Marino e o Monte Titano foram inscritos como Património Mundial da UNESCO “graças ao seu testemunho de continuidade de uma república livre desde a Idade Média”.

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