Colónia del Sacramento

colonia sacramento
A Rua da Aurora.

O rio da Prata sempre foi uma via estratégica muito cobiçada por portugueses e espanhóis, os primeiros para exportarem os produtos agrícolas do Brasil e os segundos para escoarem as riquezas mineiras peruanas. Foi na sua margem esquerda, na confluência com o rio Uruguai, praticamente em frente à atual Buenos Aires, que os portugueses edificaram, em 1680, uma praça fortificada, a que chamaram Nova Colónia do Santíssimo Sacramento. O fundador foi Manuel Lobo, governador do Rio de Janeiro, a quem o rei de Portugal incumbira tal missão.

As disputas entre portugueses e espanhóis por aquele lugar, haveriam de durar quase 100 anos. Logo após a construção da fortaleza, uma força enviada pelo governador de Buenos Aires, composta por 300 soldados espanhóis e milhares de indígenas, provocou um massacre na reduzida guarnição lusa. Porém, em 1681, a diplomacia portuguesa, com ameaças de fortes represálias, impôs ao débil rei espanhol D. Carlos II, negociações que resultaram na devolução pacífica da cidade aos portugueses. Durante 24 anos, aquela praça permaneceu sob a bandeira de Portugal. Em 1704 ascendeu ao poder, em Espanha, Felipe V, que ordenou uma ação militar para desalojar os lusitanos, ação que viria a ser executada, mais uma vez, por uma força de Buenos Aires, comandada por Baltasar García Ross. Atacados por terra, os portugueses escaparam em embarcações que acorreram em seu auxílio [1] [2].

Em 1715, na sequência do Tratado de Utrech [3], Portugal obteve o direito à posse da cidade, comprometendo-se a não a expandir para lá da distância percorrida por uma bala de canhão. Apenas em 1777, com a assinatura do Tratado de San Ildefonso, terminaram as querelas entre Espanha e Portugal, e a cidade passou definitivamente para mãos espanholas.

O bairro histórico da cidade, ou seja, precisamente o antigo burgo fundado pelos portugueses, foi declarado Património Histórico da Humanidade pela UNESCO, em 1995. A cidade está bem preservada e é notória a presença portuguesa ali. No Museu do Azulejo existe um interessantíssimo espólio e em cada canto, mesmo nas pedras das calçadas, se respira Portugal. A nossa visita foi feita a partir de Buenos Aires, do outro lado do Prata, através de um catamaran que percorre os 50 kms de distância em cerca de uma hora.

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[1]http://mas-historia.blogspot.com.br/2011/07/fundacion-de-colonia-del-sacramento.html

[2] Ver também o artigo anterior deste blog, sobre São Miguel das Missões.

[3] “O mesmo agente inglês que negociou o acordo comercial de 1703 (John Methuen) também tratou das condições que garantiriam a Portugal uma sólida posição na conferência de Utrecht. Aí conseguiu o governo lusitano que a França renunciasse a quaisquer reclamações sobre a foz do Amazonas e a quaisquer direitos de navegação nesse rio. Igualmente nessa conferência Portugal conseguiu da Espanha o reconhecimento de seus direitos sobre Colónia do Sacramento. Ambos os acordos tiveram a garantia direta da Inglaterra.” in                                     https://ilovealfama.com/2013/02/08/formacao-economica-do-brasil/