
A teoria da relatividade e a mecânica quântica constituem as duas últimas grandes revoluções em Física, consolidadas, após serem postas à prova durante um século. Uma trata do imensamente grande (a relatividade geral) e a outra do extremamente pequeno, pelo que as suas leis não se aplicam ao nosso dia-a-dia. A teoria da relatividade só se aplica para velocidades muito elevadas, próximas da velocidade da luz (que é absoluta), os objetos com que nos deparamos no nosso quotidiano atingem apenas frações ínfimas dessa velocidade, e nas velocidades moderadas da nossa vivência as leis de Newton são perfeitamente válidas.
Da mesma forma, a mecânica quântica, embora útil em muitos instrumentos tecnológicos que utilizamos, trata de assuntos que nos passam ao lado no decorrer da nossa vida normal. Para observarmos o que se passa dentro do átomo precisamos de aparelhos sofisticados e potentes (como os aceleradores de partículas)1 que só os cientistas usam. É por isso, por se debruçarem sobre experiências fora do mundo normal, que a linguagem utilizada pelos físicos também é — tem que ser — uma linguagem específica — a linguagem matemática, inacessível para a maioria de nós. Mas essa é, de facto, a linguagem mais adaptável à realidade, a qual, as experiências confirmam-no, vai muito além da nossa vivência quotidiana, daquilo que vemos e sentimos, e da perceção, que carregamos connosco, do espaço e do tempo.
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Nota:
1 Ver nosso artigo aqui.
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A nossa edição:
Werner Heinsenberg, Physics and Philosophy, Penguin Books, London, 1989 (ed. orig. 1958).
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