
A teoria da relatividade e a mecânica quântica constituem as duas últimas grandes revoluções em Física, consolidadas, após serem postas à prova durante um século. Uma trata do imensamente grande (a relatividade geral) e a outra do extremamente pequeno, pelo que não necessitamos das suas leis para o nosso dia-a-dia. A teoria da relatividade só se aplica para velocidades muito elevadas, próximas da velocidade da luz (que é absoluta), e os objetos com que nos deparamos no nosso quotidiano atingem apenas frações ínfimas dessa velocidade, pelo que as leis de Newton são perfeitamente válidas para a nossa vivência.
Da mesma forma, a mecânica quântica, embora útil em muitos instrumentos tecnológicos que utilizamos, trata de assuntos que nos passam ao lado na nossa vida normal. Para observarmos o que se passa com os átomos e dentro deles precisamos de aparelhos sofisticados e potentes (como os aceleradores de partículas)1 que só os cientistas usam. É por isso, por se debruçarem sobre experiências fora do mundo normal, que a linguagem utilizada pelos físicos também é — tem que ser — uma linguagem específica — a linguagem matemática. Essa é de facto a linguagem mais adaptável à realidade, a qual, as experiências confirmam-no, vai muito além da nossa vivência humana e da perceção, que carregamos connosco, do espaço e do tempo.
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O pequeno apontamento acima é baseado no excelente livro de Werner Heinsenberg, Physics and Philosophy, o qual nos proporcionou a seguinte reflexão.
1- Filosofia e Ciência estão intimamente ligadas. Logo, se há pseudociência, também há pseudofilosofia. É por isso que não aceitamos a qualificação de filósofos aplicada a certos nomes. Aqui ficam apenas alguns dos mais proeminentes, citados ao acaso. Hegel, Marx, Freud, Wittgenstein, Adorno, Marcuse, Horkheimer, Foucault, Sartre, Heidegger, Gobineau, Lombroso, Chomsky, Dugin, Zizek.
2- No entanto, e tal como a pseudociência é mais apelativa que a Ciência (que dá muito mais trabalho a compreender minimamente), também a pseudofilosofia — muitas vezes, pura ideologia — é muito mais apelativa que a verdadeira Filosofia. Isto é ainda mais assim em tempos em que as pessoas não têm paciência, nem motivação, para lerem mais do que três parágrafos.
3- A confusão entre as pseudo e as verdadeiras Ciência e Filosofia deriva de não sermos capazes de estabelecer (ou de não termos conhecimento de) um claro e objetivo critério de demarcação entre umas e outras. Karl Popper fê-lo por nós há quase um século. O que não pode ser testado, ou criticado, ou posto à prova, em suma, tudo o que não pode ser refutado pela experiência humana não é científico. Aqui ficam alguns dos mais proeminentes verdadeiros cientistas/filósofos dentro do critério de demarcação de Popper. Sócrates, Voltaire, Kant, Newton, Smith, Darwin, Acton, Einstein, Heinsenberg, Feynman, Russell, Berlin, Aron.
4- Assim, o que separa fundamentalmente os pseudo dos verdadeiros cientistas e filósofos é a diferenciada atitude que adotam relativamente ao conhecimento.
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Nota:
1 Ver nosso artigo aqui.
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A nossa edição:
Werner Heinsenberg, Physics and Philosophy, Penguin Books, London, 1989 (ed. orig. 1958).
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