Zadar, Kotor e San Marino

Panorâmica de Zadar, uma típica cidade de veraneio na costa do Adriático, quase em frente a Pula, outra cidade costeira croata, que visitámos há quarenta anos.
Durante a nossa estada em Zadar decorreu na cidade o Festival de Atum, Sushi e Vinho. A inauguração deu-se no Palácio Cedulin, com a atuação da soprano Nela Saricem e a exposição dos trabalhos fotográficos (sobre a pesca do atum no Adriático) de Danijel Kolega, que amavelmente se deixou fotografar com Flávia.
A sinuosidade da costa faz com que a passagem do Adriático até Kotor se faça através de um autêntico lago, sem ondulação, onde é possível nadar, mergulhar, velejar, remar, entre outras atividades, na maior tranquilidade.
As montanhas que cercam todo este espaço que separa Kotor (e outras localidades vizinhas) do mar, contribuem para um cenário idílico de rara beleza, que deslumbra à primeira vista.
Em dias límpidos é possível vislumbrar-se alguns pontos na margem Leste do Adriático, a mais de cem quilómetros de distância, de onde, dizem, chegou o fundador deste pequeno Estado. Isto acontece porque San Marino fica no topo do monte Titano (de onde tirámos esta foto), sobre a cidade italiana de Rimini, cerca de 750 metros acima do nível do mar.
A praça da Liberdade, na Cittá. Surpreendentemente, San Marino conseguiu manter a independência ao longo de milhares de anos, sendo considerado o Estado nacional mais antigo do mundo. O centro histórico de San Marino e o Monte Titano foram inscritos como Património Mundial da UNESCO “graças ao seu testemunho de continuidade de uma república livre desde a Idade Média”.

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Macau

O colégio da Madre de Deus e a igreja da Assunção de Nossa Senhora (anexa), em Macau, foram abandonados pelos jesuítas no século XVIII, após a ilegalização da Companhia de Jesus, sob forte influência do Marquês de Pombal. Em 1835, um violento incêndio deixou apenas de pé a bela fachada (“fachada retábulo”, de acordo com o gosto europeu da época) daquela que foi, em tempos, uma das maiores igrejas do Extremo Oriente. Do colégio, um importante refúgio para os jesuítas fugidos da perseguição japonesa, quase nada sobreviveu. Eis as “Ruínas de São Paulo”.
A designação (“Ruínas de São Paulo”) ficou a dever-se ao hábito que as pessoas adquiriram de chamar ao conjunto (colégio e igreja) Colégio de São Paulo porque era conhecida a particular devoção dos padres jesuítas por este santo. O nome manteve-se até hoje. Na colina adjacente, de onde tirámos esta foto, encontra-se a Fortaleza do Monte, construída no século XVII, dentro da qual foi criado recentemente o Museu de Macau. Este conjunto constitui o núcleo histórico classificado pela UNESCO, desde 15 de julho de 2005, como Património Mundial, e é a maior atração turística do território.
Apesar da presença portuguesa ser bem visível por aqui, quase não se ouve falar português em Macau. Apenas entre a pequena comunidade lusa (os números oficiais são contraditórios, mas no local disseram-nos que os portugueses são cerca de 30 mil) ou quando lemos em voz alta os nomes das ruas, alguns, de resto, bastante curiosos e interessantes. Não é crível que um viajante luso possa ficar indiferente, tão longe de casa, ao Pátio da Eterna Felicidade.
Nem pode o viajante ficar indiferente perante a Misericórdia de Macau, uma das mais antigas do mundo, com mais de 450 anos, ainda em atividade. A fachada principal está virada para o Largo do Senado (só acessível a quem circule a pé sobre a calçada portuguesa), no qual se encontra um belo fontanário circular. O edifício está incluído no Conjunto dos Monumentos Históricos de Macau, Património Mundial da UNESCO, desde 2005.
Não admira, porém, que a Misericórdia se mantenha em atividade. Macau é pobre e isso é visível a olho nu. Essa pobreza contrasta com o imenso dinheiro que circula pelos vários casinos do território. “El Chapo”, um conhecido traficante mexicano recentemente condenado a prisão perpétua, gostava de ir (no seu jacto privado) jogar a Macau e, a avaliar pela ligação que os chineses têm ao jogo, o futuro dos casinos parece longamente assegurado.

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Vietname

Imagem da cidade de Da Nang, Vietname.1

O Vietname é um país ainda muito marcado pelo colonialismo e pela guerra2, mesmo que para as novas gerações esses tempos façam já parte da história . À semelhança da China (embora as comparações com a China não sejam muito bem recebidas no Vietname), o seu regime de partido único vem abrindo a economia do país à iniciativa privada. Essa abertura tem permitido o investimento estrangeiro, o incremento do turismo e a criação de mais infraestruturas, num país onde ainda falta quase tudo. Isto proporcionará, em princípio, a criação de empregos, o aumento do consumo e do poder de compra3, em suma, uma melhoria significativa na vida dos (cerca de 95 milhões) de vietnamitas.

Porém, a abertura económica será sempre insuficiente, se não conduzir à abertura política. E abertura política implica um sistema educativo livre, sem condicionamento ideológico. Como em todas as sociedades, também no Vietname a batalha do bem-estar social começa na Educação.

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1 Foto de Fla.

2 As consequências da guerra foram terríveis e ainda se sentem hoje. Os americanos lançaram quatro vezes mais bombas sobre território vietnamita do que todas as bombas lançadas durante a II Guerra Mundial. Os efeitos são, ainda hoje, devastadores, com vastas regiões envenenadas com a dioxina TCDD presente nos milhões de litros de agente laranja lançados dos aviões norte-americanos.

3 Do PIB per capita.

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Colombo, Sri Lanka

A iconografia dos templos hindus é muito interessante, como se comprova pela fachada do Sri Kailasanathar Swamy Devasthanam, em Colombo. Hinduístas (12,6%) budistas (70,2%),  muçulmanos (9,7%) e cristãos (7,4%) convivem pacificamente. Os principais conflitos no Sri Lanka são de origem étnica e não religiosa.

O Sri Lanka é um país bastante influenciado pela proximidade à Índia, de onde chegaram os primeiros habitantes da ilha. No século XIV uma dinastia do Sul da Índia formou um governo tamil no Nordeste do território, antes da chegada dos portugueses, que dominaram o comércio nas zonas costeiras, no início do XVI. Depois vieram os holandeses (século XVII) e mais tarde os ingleses (século XVIII), que, à época, formavam já o maior império mundial de sempre. Na altura a ilha era conhecida como Ceilão e, embora independente desde 1948, apenas lhe mudaram o nome para Sri Lanka em 1972.

Interior do templo budista Gangaramaya. Belíssimo.

Depois disso, as crescentes tensões entre a maioria singalesa e a minoria tamil culminaram numa guerra civil, que se iniciou em julho de 1983 e durou mais de um quarto de século. Negociações intermediadas pela Noruega conduziram a um cessar-fogo em 2001, mas a guerra nunca verdadeiramente terminou e ganharia nova força, em 2006, até os tamis serem derrotados, em maio de 2009. Os governantes pós-conflito, primeiro o presidente Mahinda Rajapaksa e depois o presidente Maithripala Sirisena e o primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe (o Sri Lanka tem um regime semi-presidencialista), procuraram desenvolver o país, criando infraestruturas (sobretudo com financiamento chinês), e aprofundar a democracia, respeitando os direitos humanos e promovendo a reconciliação nacional.

No templo Sri Ponnambalam Vanesar Kovil.

De acordo com dados governamentais, cerca de 900.000 pessoas deslocadas devido ao conflito interno, estavam realojadas em outubro de 2017 (o total de habitantes do Sri Lanka ronda os 22 milhões e meio). A reconciliação nacional parece bem encaminhada. O desenvolvimento do país passa também pelo combate à corrupção (um dos principais problemas), pelo potenciamento da excelente localização geográfica (sobretudo para o comércio marítimo) e pelo incremento do turismo, como pudemos comprovar durante a nossa curta estadia.

O nosso motorista junto da viatura em que percorremos Colombo.

Resta dizer que, a par da corrupção, um dos principais problemas do Sri Lanka é a degradação ambiental: as atividades de mineração provocam a erosão de zonas costeiras; e o saneamento básico é ainda incipiente, o que, em conjunto com os resíduos industriais, provoca a poluição dos recursos de água potável. Uma boa forma de conhecer Colombo, a capital, é alugando um tuk-tuk, pelo preço médio de 10 dólares/hora. O motorista levá-lo(a)-á aos locais mais interessantes (o que durará, no máximo, 4/5 horas). Isto, claro, contribuirá ainda mais para a poluição da cidade, que, como também foi notório durante a nossa estadia, é bastante elevada. Porém, passear a pé durante o dia em Colombo é pouco recomendável – o calor é muito difícil de suportar.

A cidade de Colombo vista do mar.

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Hong Kong

Symphony of Lights. Um espetáculo que nenhum visitante de Hong Kong deve perder.

Apesar da sua ligação à China, Hong Kong mantém uma grande autonomia, devido à condição de ex-território britânico. A concentração de pessoas é ainda maior do que em Singapura.  O único remédio é construir em altura, por isso os arranha-céus estão por todo o lado. Pontualmente, às oito da noite, milhares de pessoas assistem todos os dias ao espetáculo Symphony of Lights, nos passeios marítimos de ambos os lados do Victoria Harbour .

Os arranha-céus são uma constante em Hong Kong.

Circulando por aí pudemos ouvir línguas de viajantes vindos de todas as partes do globo. Eles são a prova de que Hong Kong é, hoje mais do que nunca, um dos territórios mais cosmopolitas do mundo. Apesar disso, a ameaça chinesa é uma constante na vida dos habitantes do território. Embora sob soberania da China desde 1997, Hong Kong possui um estatuto autónomo que se prolongará até 2047. Houve quem pensasse que este período de 50 anos fosse suficiente para que Hong Kong funcionasse como uma espécie de farol para a China, atraindo este gigantesco e multifacetado país para os direitos humanos e a democracia.

Hong Kong ao entardecer.

Quase a meio do percurso, o que se verifica é que nada disto ocorreu, antes pelo contrário, para grande preocupação, evidenciada em enormes manifestações, dos habitantes de Hong Kong. A política da China é de uma enorme hipocrisia. Mas as potências ocidentais não estão isentas de responsabilidades ao tolerarem a simulação e propaganda chinesas. Tudo isto porque o gigantesco mercado chinês proporciona enormes lucros a muitas empresas ocidentais. Disto se vão aproveitando os chineses para grande preocupação de todos os territórios vizinhos, sobretudo Hong Kong, Macau e, muito particularmente, Taiwan.

No interior de um Star Ferry. Uma viagem de poucos minutos, mas que vale muito a pena, entre Victoria Harbour, na ilha de Hong Kong, e a Avenue of Stars, na parte continental do território.

A China tem claramente uma política expansionista que só será travada (se o for) quando o Ocidente perceber que tem de colocar a política à frente dos negócios, aplicando medidas económicas restritivas, e mesmo sanções, que travem a expansão chinesa e o desrespeito pelos direitos humanos, ajudando a criar as condições necessárias para a implantação de uma verdadeira democracia. O povo de Hong Kong merece a nossa admiração pela sua luta pela liberdade. Foi com esse sentimento que nos despedimos.

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Singapura

Singapura seria um dos países socialmente mais avançados do mundo, não fora a vigência da pena de morte e alguns problemas com a liberdade.

Desculpem interpolar-vos, mas é só para dizer que podem encher a vossa garrafa com água da rede as vezes que quiserem. A água canalizada é muito boa, muito melhor que a engarrafada, e é gratuita, claro. São de onde? Ah, Brasil e Portugal. Deixe-me perguntar-lhe uma coisa, qual a temperatura em Setembro? Sim, estou a pensar visitar o seu país. Em Portugal fala-se inglês? “Great”. Vocês, portugueses, são extraordinários, estiveram em Malaca há muitos anos. Gosto de estudar a história dos países que quero visitar. Espere, deixe-me ver uma coisa no telemóvel, cá está, “Formosa”, foi o nome que vocês deram à ilha de Taiwan. Quer dizer “linda”, não é verdade? Sim, sim, a língua oficial de Singapura é o malaio, mas como pode ver a que usamos realmente é o inglês, a língua do comércio e dos negócios. Repare, os países que quiseram retomar as línguas nativas, como o Sri Lanka, ficaram para trás. Eu sei, é o antigo Ceilão português. Estão gostando da cidade? Ah, ótimo, pois ainda bem que estão aqui para ver com vossos olhos. Muitos estrangeiros não entendem o nosso sistema, pura e simplesmente, não percebem. Sabe, nós não temos pensões de reforma em Singapura. Eheheh, vejo que ficou surpreendido, é normal, todos se surpreendem, mas funciona lindamente. Como? Bem, o patrão desconta 20% do seu salário para um fundo próprio e você outros 20%. Quando se reforma o dinheiro é seu. O sistema de educação? Claro, é exigente, os alunos são avaliados com rigor e os que se destacam são escolhidos para o governo e cargos públicos. A oposição? Existem seis partidos no parlamento, mas as pessoas têm escolhido sempre o mesmo desde a independência. Sabe, somos um país extremamente estável. E também pequeno, claro, é por isso que o espaço é tão valorizado. Com um espaço tão reduzido não temos terrenos agrícolas (isto não deixa de ter a sua ironia, pois os terrenos onde se ergue Singapura não são os mais adequados para a agricultura), mas isso não nos preocupa, e muito menos desde que comprámos terrenos férteis na China e na Indonésia. Mesmo assim, veja bem, nesta terra reduzida somos 5,5 milhões, sem contar com os 17 milhões que nos visitam anualmente e os 50 milhões que circulam pelo nosso aeroporto. Somos um “hub” nos transportes marítimo e aéreo, e somos um país atrativo porque os impostos são baixos. O teto dos impostos que pagamos sobre o rendimento estava em 20% mas há pouco passou para 22%. Pessoas como eu pagam 9 ou 10%. Além disso, não somos nacionalistas e o investimento estrangeiro é bem-vindo, desde que seja bom. Repare, o nosso herói nacional é um britânico, Sir Stamford Raffles. Bem sei que pode parecer um bocado estranho para um europeu, mas isto é Singapura. Sabe, tenho um amigo espanhol, bem, na verdade é amigo de um amigo meu, que me disse um dia que trabalhamos de mais e não temos qualidade de vida. Ai é, temos talvez o melhor sistema de saúde do mundo e não temos qualidade de vida? Ahahah! Como funciona? Vejo que o senhor se interessa, ainda bem que está aqui para ver com seus olhos! O sistema de saúde é universal e cada cidadão pode recorrer a hospitais públicos ou privados, que concorrem entre si, enquanto o Estado garante regras equitativas. Cada um contribui com uma percentagem do salário, de acordo com as suas possibilidades. “It works!” Gastamos com o nosso sistema de saúde menos de 5% do PIB, cobrindo todas as áreas, incluindo a saúde mental, com as melhores práticas mundiais. Sabia disso? Bom, espero que apreciem a cidade, observem, vejam como funciona. Foi um prazer conhecer-vos, boa viagem!

Grande parte da cultura de Singapura é reflexo dos valores implantados pelo seu fundador, Sir Stamford Raffles. Organização, limpeza, segurança, comércio livre.

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Festival do Contrabando

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Mesmo quando estavam no poder dois ditadores – Franco e Salazar – os habitantes de Alcoutim, em Portugal, e Sanlúcar de Guadiana, em Espanha, nunca deixaram de se relacionar, nem que fosse através do contrabando. Hoje, com as fronteiras entre os dois países totalmente abertas, as duas povoações celebram, na segunda edição do Festival do Contrabando, esses tempos em que nem as ditaduras as conseguiram separar.
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Para o efeito é montada, durante os três dias do evento, uma ponte flutuante pela qual as pessoas podem atravessar, durante várias horas diurnas, de uma margem para a outra do Guadiana. Por um euro apenas, é fornecido um lenço (de cor diferente em cada um dos três dias), que as pessoas exibem, podendo assim aceder à ponte.
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A afluência tem sido tão grande que as pessoas são obrigadas a permanecer bastante tempo em filas intermináveis, até conseguirem aceder à ponte pedonal e, assim, atravessarem o rio e fazerem o caminho de volta. A ideia do lenço é bastante interessante, confere um colorido suplementar à paisagem, que ali é belíssima, com o rio, os veleiros, e o casario alvo em ambas as margens.
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Verdade seja dita, a afluência do lado de Alcoutim foi muito maior, talvez porque Portugal é muito mais pequeno que Espanha e, por isso, as pessoas têm mais facilidade em deslocar-se dos grandes centros até ao festival. E também os artistas que animaram o evento foram maioritariamente portugueses. Por exemplo, o magnífico Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento (na foto).
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E também os agentes da autoridade (da Guarda-Fiscal), cuja missão era procurar entre a multidão os contrabandistas. Quando os encontravam, uma coisa era certa: havia burburinho (a foto captou o momento em que uma contrabandista enfrentava um guarda-fiscal). O êxito da edição deste ano do Festival do Contrabando, organizado pelas edilidades de Alcoutim e Sanlúcar de Guadiana, permite-nos dizer, com alguma segurança: para o ano há mais.

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Palácio de Estoi

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O Algarve não é só mar e serra, não tem somente belezas naturais. Entre as inúmeros exemplos do magnífico património edificado algarvio, temos de considerar o belíssimo palácio de Estoi.
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Virado para o jardim, para o mar e para o Sul, o Palácio de Estoi é um belo edifício para fotografar ao fim do dia, em qualquer época do ano, quando as cores ficam mais puras.
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E não são apenas os materiais inertes que vale a pena fotografar. A atmosfera cinematográfica enquadra muito bem os seres vivos fotogénicos, que aqui parecem (e são) ainda mais belos.

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Cruzeiro de reposicionamento (Itália, Grécia, Egito, Jordânia, Omã, Qatar, Emirados Árabes Unidos)

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O Splendida, no Dubai, já com os caracteres apropriados à nova temporada na China.

Os cruzeiros de reposicionamento são cruzeiros mais longos (há uma tipologia de cruzeiros com duração ainda mais longa, denominada “volta ao mundo”) e servem para os navios se deslocarem para zonas do globo (por exemplo do Mediterrâneo para as Caraíbas ou vice-versa) onde operam durante alguns meses, normalmente em condições climatéricas (e, claro, económicas) favoráveis à sua atividade. Daí a expressão: reposicionamento. São cruzeiros com menos procura e, por isso, mais baratos (se tivermos em consideração o custo unitário/dia). O principal problema é a época em que se realizam: em geral, quando as pessoas não estão de férias. Mas, desde que se tenha disponibilidade, valem a pena. O cruzeiro que aqui resumidamente relatamos teve origem em Génova, no dia 6 de dezembro, e terminou no Dubai, 18 dias depois, contemplando sete países. Vejamos os principais lugares por onde passámos.

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Génova. Chegámos à cidade de comboio, vindos de Milão. Optámos por um voo de Lisboa para Milão, onde dormimos uma noite, por ser muitíssimo mais barato do que para Génova. Na manhã do dia seguinte visitámos Milão (deu tempo para entrar no Alla Scala e tudo) e depois do almoço partimos para a estação de Génova-Principe, que fica muito perto do porto, pelo que passámos do comboio para o navio a pé. Este partiu já de noite, às 18:00 horas.
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No dia seguinte, às sete da manhã, acostámos em Civitavecchia, onde apanhámos o comboio até Roma (e volta), numa pequena viagem de cerca de uma hora até a estação de Roma-Termini. Estivéramos em Roma há dois anos e encontráramos alguma degradação. A situação agravou-se: a cidade está suja, esburacada, cheia de mendigos e sem-abrigo, pontuada de obras por todo o lado, um tanto ou quanto caótica. Isto está relacionado com a crise dos refugiados, com a qual a Itália (país muito sobrecarregado, a par das Grécia e Turquia), sem uma efetiva política solidária europeia, dificilmente poderá lidar.
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Saímos de Civitavecchia no segundo dia do cruzeiro e chegámos a Heraklion, em Creta, quase dois dias depois, às 12:00 horas do quarto dia. Ficámos apenas seis horas em Heraklion e optámos por vaguear pela cidade. Aqui pudemos captar (pelos menos, assim nos pareceu) o pulsar económico desta mítica ilha mediterrânica: pesca, turismo e serviços. A foto mostra um aspeto curioso das montanhas de Creta, que denominámos “O Homem que Dorme”. Creta – a quinta maior ilha do Mediterrâneo, com mais de 600.000 habitantes – é muito montanhosa e avistámos do navio (que percorreu toda a costa norte da ilha) vários cumes cobertos de neve.
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Um dia depois, já à noite (19:00 horas), chegámos à entrada do Canal do Suez, que percorremos em cerca de 18 horas. No início (descendente) do canal encontra-se a cidade de Port Said e, no final, a cidade de Suez, já em pleno Mar Vermelho. Pelo caminho, vimos pescadores, barcos tradicionais, ferries de transporte entre margens, pontes, postos de patrulhamento, comboios, transeuntes e cidades inteiras, como Ismailia (na foto), a cidade natal de um dos maiores burlões de arte de sempre – Fernand Legros. Os navios passam pelo Suez em comboios alternados, descendentes ou ascendentes, acompanhados por rebocadores e pilotos egípcios, a uma velocidade reduzida para não provocarem o assoreamento do canal.
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No sétimo dia, às 08:00 horas, depois de descermos o Golfo de Suez e subirmos o de Aqaba, chegámos à cidade com este nome, na Jordânia. Cidade imortalizada pela película de David Lean, “Lawrence da Arábia”, na qual se mostra como Thomas Lawrence (22 cms mais pequeno que o igualmente genial Peter O’Toole, que o representou no filme), à frente de um  pequeno exército de tribos árabes, tomou Aqaba aos Turcos, em plena Grande Guerra, chegando pelo caminho menos esperado – o deserto.
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A viagem de Aqaba até Petra faz-se cruzando uma região semi-árida, quase desértica, com muitos quilómetros quadrados de calhaus e pó. Mas vale a pena. O turismo em Petra está a ser aproveitado para desenvolver a região e, tanto quanto pudemos ver, os locais estão a fazê-lo bem. Agradou-nos muito perceber que a Jordânia, apesar do fervor religioso, bem presente nas inúmeras mesquitas que vimos, é um país diferente de todos os outros desta conturbada região – e para melhor. É um país surpreendentemente tolerante, que privilegia a paz, em larga medida devido à orientação política dos seus monarcas – descendentes diretos do profeta Maomé – que governam o país desde 1921.
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Os cinco dias seguintes foram passados a navegar. Descemos o Mar Vermelho, até entrarmos no Golfo de Aden, e, pouco depois, no Mar Arábico (onde tirámos esta foto), já em pleno Oceano Índico. Apesar dos divertimentos a bordo, cinco dias no mar são de mais, pelo que há que gerir bem o tempo, aproveitando ginásio e piscinas para exercitar um pouco o corpo, não abusando dos momentos de descanso e relax, como este, em que assistimos, da nossa cabina, ao pôr-do-sol. Embora esta seja uma zona de atuação dos piratas somalis, passámo-la, felizmente, sem qualquer problema.
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E assim chegámos, na manhã do 13º dia, à vila e porto de Muttrah, que se insere na província de Muscat, capital de Omã. O centro de Muttrah (na foto) e o de Muscat distam uns 3 kms um do outro. No primeiro encontra-se o comércio local (encontrámos no mercado muitos peixes nossos conhecidos, incluindo sardinhas), e no segundo os serviços administrativos, bem como alguns museus e monumentos interessantes. As pessoas são simpáticas, apesar de muito poucas falarem inglês. Como de costume, partimos às 18 horas.
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O dia seguinte foi passado entre poços de petróleo, em ambas as margens do Golfo Pérsico, à direita os xiitas do Irão e à esquerda os sunitas dos Emirados, até atingirmos, no 15º dia, Doha (na foto), capital do Qatar. São notórios os efeitos do petróleo, desde os arranha-céus aos carros de alta cilindrada, passando pelas fotos omnipresentes dos membros (masculinos) da família real e os edifícios públicos de grandes dimensões, como o magnífico e imponente Museu de Arte Islâmica, que vale, sem dúvida, uma visita.
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O Golfo Pérsico alberga, assim, alguns dos países mais ricos do mundo (Irão, Iraque, Bahrain, Kuwait, Qatar, Emirados Árabes Unidos), graças ao “ouro negro”. De noite é possível ver-se, um pouco por todo o lado, a chama dos poços de petróleo. O Splendida zarpou de Doha, como de costume às 18:00 horas e navegou muito lentamente (cerca de 10 nós) para chegar à ilha de Sir Bani Yas – pertencente aos Emirados Árabes Unidos, e com uma praia privativa (na foto) para os passageiros de algumas companhias de cruzeiro, incluindo a MSC – às 8:00 horas do dia seguinte.
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E depois de um dia de praia, rumámos a uma nova grande metrópole, destino final do nosso cruzeiro: o Dubai. O “petromoney” tornou-a uma cidade de fachada. Arranha- céus (pediram-nos o equivalente a 300 euros para subirmos ao edifício mais alto do mundo!), grandes avenidas, veículos potentes, uma larga maioria de trabalhadores estrangeiros – sobretudo indianos, paquistaneses e africanos – e poucas ruas onde se possa circular naturalmente, a pé. Ao 18º dia regressámos, de avião, a casa. A melhor parte do cruzeiro foi o primeiro terço.

O navio (MSC Splendida) ficará agora cerca de três meses e meio no Golfo Pérsico até partir para o Mar da China, onde cumprirá mais uma temporada, circulando entre países como o Japão, a Coreia do Sul e, claro, a própria China. Nessa nova viagem de reposicionamento, de Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) a Yokohama (Japão), durante 26 dias, visitará mais nove países – do Médio ao Extremo-Oriente. Mais um cruzeiro de reposicionamento muito atrativo para quem tiver disponibilidade de viajar em abril, mês em que decorrerá a viagem.

Entretanto, seria muito interessante que uma indústria tão próspera quanto o é a dos cruzeiros marítimos e fluviais, mostrasse uma maior (e efetiva) preocupação ambiental. Um grande navio de cruzeiro (e há que ter em conta que eles são cada vez maiores) polui o equivalente a mais de 100.000 automóveis, algo inconcebível numa época em que as questões ambientais constituem uma prioridade a nível mundial.

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Monsanto, Portugal

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A aldeia de Monsanto é uma belíssima reorganização granítica levada a cabo pelo homem na encosta de um monte escarpado com 758 metros de altura (no atual concelho de Idanha-A-Nova no centro de Portugal) que, como a palavra indica, é, foi ou seria “santo” (Mons Sanctus): Monsanto – a Aldeia mais Portuguesa de Portugal.
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Esse título foi-lhe atribuído em 1938, por ter vencido um concurso organizado pelo Serviço Nacional de Informação, e uma réplica do troféu correspondente – um galo de prata, criado por Abel Pereira da Silva – ornamenta o topo exterior da Torre do Relógio (antiga torre sineira), visível, pelo ângulo fixado nesta foto, por trás da Igreja da Misericórdia (em primeiro plano), esta construída no século XVI.
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Mas as distinções sucedem-se ao longo do tempo. Em 2016, a Associação das Agências de Viagem do Japão – através da votação de mais de 300 agentes de viagem e profissionais do turismo – incluiu Monsanto no lote restrito das “30 aldeias mais bonitas da Europa”. Não é difícil perceber porquê quando, cercados pelos seus imponentes penedos graníticos, deambulamos por Monsanto.
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Penedos que comprimem habitações e ameaçam esmagá-las mas que, realmente, são a sua proteção natural. A singularidade deste lugar gira toda em torno do granito, cuja aspereza nos entra pelos olhos e pelos poros. Sem dúvida que estas pedras tiveram uma influência determinante sobre os indivíduos que, desde tempos ancestrais, vêm ocupando este monte, desde o sopé até o cume, primeiro, e do cume para baixo, depois.
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Indivíduos afáveis os que hoje aqui vivem e que vamos encontrando aqui e além durante a nossa escalada até ao topo deste monte santo. De vez em quando paramos para recuperar o fôlego, aspirando o ar puro, e tomar um gole da excelente água que se pode encontrar em fontes diversas, como a do Penedo ou a de São Pedro, entre outras.
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Mas vale a pena chegar ao cume, onde encontramos o castelo. O primitivo fora construído no século XII pelos Templários sobre uma anterior fortificação muçulmana. No entanto, o que vemos hoje já nada tem a ver com o castelo dos Templários. Houve várias reconstruções ao longo do tempo, sobretudo a efetuada no início do século XVI, por Duarte de Armas. Em 1815, uma violenta explosão de pólvora no paiol destruiu quase completamente o interior do castelo. A última reforma significativa (não muito feliz) foi realizada no século XX.
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No exterior do castelo encontramos uma necrópole com sepulturas, de formato antropomórfico, escavadas na pedra. Ao que parece, são anteriores ao reinado de D. Afonso Henriques e há quem diga que são até anteriores ao período medieval (a avaliar pelas dimensões, como se vê na foto, isso parece-nos plausível). Chamaram-lhe necrópole de São Miguel por se encontrar junto a uma capela com o mesmo nome, construída em finais do século XII, provavelmente, assim sugerem alguns achados, sobre um templo anterior .
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Vale a pena visitar Monsanto, um lugar que inspira. O grande escritor Fernando Namora, que aqui exerceu medicina (de 1944 a 1946), escreveu: ” Cada manhã em Monsanto nasce o mundo. Lá me apercebi que a sombra é azul”. E José Saramago: “De pedras julgava o viajante ter visto tudo. Não o diga quem nunca veio a Monsanto”. (Ilustração de Ricardo Coelho/Portugal: Todas as cores).

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