Festival do Contrabando

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Mesmo quando estavam no poder dois ditadores – Franco e Salazar – os habitantes de Alcoutim, em Portugal, e Sanlúcar de Guadiana, em Espanha, nunca deixaram de se relacionar, nem que fosse através do contrabando. Hoje, com as fronteiras entre os dois países totalmente abertas, as duas povoações celebram, na segunda edição do Festival do Contrabando, esses tempos em que nem as ditaduras as conseguiram separar.
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Para o efeito é montada, durante os três dias do evento, uma ponte flutuante pela qual as pessoas podem atravessar, durante várias horas diurnas, de uma margem para a outra do Guadiana. Por um euro apenas, é fornecido um lenço (de cor diferente em cada um dos três dias), que as pessoas exibem, podendo assim aceder à ponte.
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A afluência tem sido tão grande que as pessoas são obrigadas a permanecer bastante tempo em filas intermináveis, até conseguirem aceder à ponte pedonal e, assim, atravessarem o rio e fazerem o caminho de volta. A ideia do lenço é bastante interessante, confere um colorido suplementar à paisagem, que ali é belíssima, com o rio, os veleiros, e o casario alvo em ambas as margens.
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Verdade seja dita, a afluência do lado de Alcoutim foi muito maior, talvez porque Portugal é muito mais pequeno que Espanha e, por isso, as pessoas têm mais facilidade em deslocar-se dos grandes centros até ao festival. E também os artistas que animaram o evento foram maioritariamente portugueses. Por exemplo, o magnífico Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento (na foto).
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E também os agentes da autoridade (da Guarda-Fiscal), cuja missão era procurar entre a multidão os contrabandistas. Quando os encontravam, uma coisa era certa: havia burburinho (a foto captou o momento em que uma contrabandista enfrentava um guarda-fiscal). O êxito da edição deste ano do Festival do Contrabando, organizado pelas edilidades de Alcoutim e Sanlúcar de Guadiana, permite-nos dizer, com alguma segurança: para o ano há mais.