A edição original é de 2009, pela Penguin Books, Grã-Bretanha, e a edição que temos em mãos é de 2012, Companhia das Letras, Brasil.
Nesta categoria (“Livros”), a nossa ideia é mais de divulgação do que de crítica. Entretanto, eis a nossa síntese de “A Ideia de Justiça” em seis linhas-mestras.
1- A ideia de justiça deve ser sobretudo uma prática;
2- Os comportamentos são mais importantes do que instituições e regras;
3- A uma estrutura “transcendental” devemos opor uma estrutura comparativa;
4- A uma perspetiva paroquial devemos opor uma visão universalista;
5- O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é mais importante que o PIB (Produto Interno Bruto) para o desenvolvimento de um país;
6- É muito importante trabalhar as “capacidades” – em vez de basearmos a realização do indivíduo no rendimento, devemos baseá-la na perspetiva de lhe proporcionar autonomia, para que ele tenha oportunidade e liberdade de optar por empreendimentos que o realizem enquanto ser humano e não apenas enquanto assalariado/consumidor.
Além disto (o livro é todo baseado em dicotomias, que revelam duas visões opostas sobre a justiça), os exemplos históricos mencionados por Sen são muito interessantes, sobretudo a abordagem à cultura oriental, nomeadamente a indiana, de onde Amartya Sen é oriundo. Estamos de acordo com Sen – pouco importa ter leis muito avançadas se não tivermos pessoas educadas e esclarecidas para as pôr em prática. A ação (praxis) é que importa ou, por outras (e nossas) palavras, mais vale minimizar efetivamente a injustiça, do que maximizar uma justiça que fica apenas no papel.
E daqui partima para uma crítica simples, que é, afinal, apenas um reparo. É que sobre este assunto – acho nós- é impossível ignorar um filósofo como Karl Popper. (É curioso notar que Amartya Sen refere ter sido primeiro matemático, depois físico, economista e, por último, filósofo). O tema da justiça é caríssimo, como não poderia deixar de ser, a Popper. Não interessa agora para o caso o que este autor pensa sobre o assunto, mas, pode dizer-se, está, substancialmente, em linha com a visão de Sen.
Neste livro, Sen cita cerca de 700 autores (além de 450 nos “Agradecimentos”), mas nem uma única vez Popper. No meio de tanta erudição, será Popper um filósofo desconhecido? Ou, sendo conhecido, apenas desprezado?
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A nossa edição:
Amartya Sen, A Ideia de Justiça, Editora Companhia das Letras, 1ª edição, São Paulo, 2012.
Alguns dos meus amigos de infância ainda se devem lembrar dele. E talvez haja algum que se lembre de quem lhe colocou a alcunha — Doutor Maluco — não sei se por ser diferente de todos os comuns mortais conhecidos no bairro, se pela figura eminente e misteriosa.
Passava pela Rua dos Remédios com ar altivo, ele que, de facto, era alto, distinto; fato preto, boina preta, sapatos pretos que riscavam o ar, impecavelmente engraxados.
(O negro contrastando com a alvura da pele).
Passava depressa, direito, flutuando — sempre pelo meio da rua, jamais sobre o passeio.
– “Então ó Doutor Maluco!”
E o Doutor Maluco — eu nunca soube o verdadeiro nome dele — continuava imperturbável o seu caminho, olhando em frente, por cima de todos, jamais baixando os olhos ou a cabeça, o rosto correctíssimo, impenetrável e sereno.
Lembro-me que numa tarde de Carnaval alguém lhe acertou com um ovo. O Doutor estancou, sacudiu a boina, limpou-a com um lenço alvíssimo que tirou duma algibeira, e sem enfado, sem olhar para nós ou para alguém, retomou seu caminho.
O tempo passou e nós teríamos, talvez, uns 18 anos quando um dia o encontrámos, no Largo da Graça. Vimo-lo à distância, e logo o Rui exclamou, “olha o Doutor Maluco!”
O Chico, que também ia connosco e sempre se saía com tiradas surpreendentes, sem mais, perguntou:
– Sr Doutor, o que é um homem que injeta heroína?
A resposta saiu pronta, natural, suave, como lhe houvessem perguntado as horas — e foi a única vez que ouvi a sua voz:
– É um herói.
Nunca mais vi o Doutor Maluco, que seguiu, olhando por cima dos transeuntes.
Cinco anos depois, o Rui e o Chico morreram, vítimas da heroína. Jovens, belos e audazes — como os heróis.
Face à classificação de há 5 meses (29/05/2012), releva o seguinte: entrada directa, para o 5º lugar, de Passos Coelho; manutenção firme nos dois primeiros lugares de Cavaco e Louçã; subidas de Relvas ao terceiro posto e Portas ao quarto; saída de Pacheco Pereira.
Livro de Edith Hamilton (1867-1963), publicado em 1942. A versão portuguesa que tenho em mãos é de 1983, 3ª edição, publicada pela Dom Quixote.
Pode pensar-se, à primeira vista, que se trata de um livro antigo, mas é preciso ter em conta que os temas tratados datam de há mais de três mil anos até, sensivelmente, ao século II da nossa era.
Em primeiro lugar, releva desde logo, após a leitura deste belíssimo livro, a contribuição que os gregos – esse povo hoje tão massacrado – deram para que a humanidade encarasse o mundo e as divindades de uma forma simultaneamente mais racional, bela, pacífica, natural, rica e até divertida. Com os gregos, os deuses foram humanizados. Tinham qualidades e defeitos como nós. Zeus, por exemplo, o principal deus do Olimpo, era bastante mulherengo e Hera, sua mulher, vingava-se castigando as mulheres por quem Zeus se apaixonava. Os gregos racionalizaram o mundo!
A própria representação física dos deuses se baseava no que era observável, por exemplo, nos jogos: os corpos ágeis e harmoniosos dos jovens em competição. O escultor sentia que a sua imaginação não poderia conceber algo mais belo – e assim esculpiu a estátua de Apolo. O escritor, por seu turno, visualizou o deus como “um jovem na idade em que se é mais belo” (Homero). “Os artistas e poetas gregos compreenderam quão esplêndido, escorreito, rápido e forte o homem podia ser. O homem era a realização da sua busca de beleza. Toda a arte e todo o pensamento da Grécia se concentraram no ser humano”.
Esta moldagem dos deuses à imagem humana contrasta absolutamente com a abordagem anterior, onde os deuses não tinham qualquer semelhança com os seres do mundo real. No Egito ou na Mesopotâmia, os deuses eram representados como figuras inumanas, ferozes, colossais, aterradoras. Algo radicalmente diferente de qualquer estátua grega de um deus, perfeita e natural.
Em segundo lugar, pois claro, os mitos. Não há mitologia sem eles nem há mitos sem heróis. Perseu, Teseu, Hércules, Aquiles, Odisseu e Eneias são os mais conhecidos. No livro são narrados, pela autora, todos os mitos mais importantes e outros secundários, obviamente, citando as fontes e baseando-se nelas – fontes que mais não são do que os escritos dos grandes poetas gregos e romanos da Antiguidade, embora Hamilton aborde também, no capítulo final, a mitologia nórdica. Como é óbvio, não cabe aqui uma transcrição dos mitos. Mas deixarei, no final, o mito sobre a criação do mundo e da humanidade. Entretanto, apenas mais dois apontamentos, quiçá, úteis, o primeiro sobre os principais deuses e o segundo sobre os principais escritores clássicos.
Os deuses viviam no Olimpo. A localização do Olimpo é incerta, mas sabe-se que tinha um portão de nuvens e que era guardado pelas quatro estações do ano. Para lá dele os deuses comiam, bebiam, davam grandes festins e viviam na paz e felicidade absolutas. Os doze olimpianos constituíam uma família divina. Eram eles:
1) Zeus (Júpiter), era o chefe; depois, seus dois irmãos, 2) Posídon (Neptuno) e 3) Hades, também chamado Plutão; 4) Héstia (Véstia), irmã dos três; 5) Hera (Juno), mulher de Zeus e 6) Ares (Marte), filho de ambos; os filhos de Zeus: 7) Atena (Minerva); 8) Apolo; 9) Afrodite (Vénus); 10) Hermes (Mercúrio) e 11) Artemisa (Diana); e, finalmente, o filho de Hera, 12) Hefesto (Vulcano), referido, por vezes, como sendo também filho de Zeus.
Os principais escritores clássicos gregos foram Homero (séc X a.C.), que escreveu a Íliada” e a “Odisseia”; Hesíodo (séc. VIII a.C.), que escreveu “Os Trabalhos e os Dias” e “Teogonia”; Píndaro (séc. VI a.C.); Ésquilo, Sófocles e Eurípedes (os 3 poetas trágicos, que terão vivido por volta do séc. V a.C.); Heródoto (primeiro historiador da Europa, que foi ainda contemporâneo de Platão); ApolóniodeRodes, Teócrito, Bíon e Mosco (séc. III a.C., são designados poetas alexandrinos, dado que o centro da literatura grega se transferira para Alexandria); Apolodoro, Luciano e Pansânias (já nos séculos I e II da nossa era).
Os escritores gregos foram os melhores guias para o conhecimento da mitologia, dado que acreditavam no que escreviam. Já para os romanos, os mitos eram algo muito remoto, meras sombras. Mesmo assim, aqui fica o nome dos dois mais importantes. Todos eles viveram um pouco antes ou um pouco depois de Cristo. O mais relevante de todos eles foi Virgílio, que deu vida às personagens mitológicas como ninguém conseguira desde os tragediógrafos gregos e outro que merece referência é Horácio.
A CRIAÇÃO DO MUNDO E DA HUMANIDADE
Hesíodo (séc. VIII a. C.) é a autoridade máxima quanto a mitos relativos à origem do universo. Este mito conta também com uma pequena colaboração de Ésquilo (séc. V a. C.)
No princípio era o Caos, o abismo vasto e imenso mergulhado na escuridão de breu. A noite era filha do Caos, tal como Érebo, a profundidade impenetrável onde a morte habita. Em todo o Universo não havia mais nada, tudo era escuro, vazio, silencioso, infinito. E foi então que a Noite depôs um ovo trazido pelo vento, e da escuridão e da morte nasceu o Amor,e com ele a ordem e a beleza, que começaram a abolir a confusão cega.
O Amor deu origem à Luz e ao seu companheiro, o Dia radioso – e então surgiu a Terra e logo também o Céu. Os primeiros seres com uma certa aparência de vida foram os monstros filhos da Mãe Terra (Gea) e do Pai Céu (Urano). Tinham a força avassaladora do sismo, do furacão e do vulcão. Três deles tinham uma força descomunal, cada um com cem mãos e cinquenta cabeças. A outros três foi dado o nome de Cíclopes (olhos-rodas) porque cada um tinha no meio da testa um enorme olho redondo, como uma roda. Por fim surgiram os Titãs, em número considerável; não eram porém inferiores aos seres que os tinham precedido, nem em dimensões nem em força, apenas não se dedicavam à destruição por prazer e alguns até eram benéficos: na verdade, um deles salvaria a humanidade da destruição que a ameaçava.
O Céu odiava os seres que tinham cem mãos e cinquenta cabeças, embora fossem seus filhos, e quando eles nasceram prendeu-os num lugar secreto, no interior da terra. Aos Cíclopes e aos Titãs, porém, deixou-os em liberdade. A Terra enraivecida com os maus tratos que ele dava aos outros filhos apelou para que estes a ajudassem. Só um deles, o titã Crono, teve a audácia de o fazer. Esperou que o pai aparecesse e feriu-o terrivelmente. Os Gigantes, a quarta raça de monstros, brotaram do seu sangue, bem como as Erínias, que estavam encarregadas de perseguir e punir os pecadores. Chamavam-lhes “aquelas que caminham na escuridão”; tinham um aspeto horrível: em vez de cabelo serpentes contorcidas e os olhos derramavam lágrimas de sangue. Todos os monstros acabaram por ser afastados da Terra, com exceção das Erínias – enquanto houvesse pecado no mundo elas não poderiam ser banidas da Terra.
Desde esses tempos imemoriais e durante eras incontáveis, Crono (Saturno, para os romanos) foi senhor do Universo, com a rainha-irmã Reia (Ops, em latim). Um dos seus filhos, porém, o futuro senhor dos céus e da Terra – Zeus – revoltou-se também contra a autoridade paterna; tinha boas razões para o fazer, pois Crono, sabendo que um dos filhos o havia de destronar, pensou opor-se ao destino, engolindo-os a todos à medida que iam nascendo. Mas quando Zeus nasceu, o sexto filho de Reia, ela conseguiu levá-lo em segredo para Creta e dar ao marido um pedregulho enorme, envolto em faixas e em cueiros, que ele engoliu imediatamente, supondo tratar-se do filho. Mais tarde Zeus, com a ajuda da avó, a Terra, forçou o pai a vomitar a pedra juntamente com os outros cinco filhos.
Seguiu-se uma guerra terrível entre Crono, auxiliado pelos seus irmão titãs, e Zeus, secundado pelos seus cinco irmãos e irmãs – uma guerra que quase aniquilou o Universo. Os Titãs foram vencidos, em parte porque Zeus libertou da prisão os monstros de cem mãos, que lutaram a seu lado com as suas armas irresistíveis – o trovão, o raio e o sismo – e, por outro lado, porque um dos filhos do titã Japeto, que se chamava Prometeu e era muito sábio, tomou o seu partido. Zeus castigou terrivelmente seus inimigos, amarrando-os com duros grilhões sob a Terra, no Tártaro. Atlas, irmão de Prometeu, teve ainda pior castigo. Foi condenado a suportar às costas para sempre o peso do mundo e a abóbada do Céu.
Mas a vitória de Zeus não fora ainda definitiva. A Terra gerou ainda o seu último rebento e também o mais terrível – Tífon, um monstro chamejante de cem cabeças. Mas Zeus já tinha por essa altura, sob seu domínio o trovão e o raio, que se tornaram as suas armas, pois ninguém mais se servia delas, e derrotou Tífon. Posteriormente, foi efetuada ainda outra tentativa para derrubar Zeus – a revolta dos Gigantes. Mas os deuses eram já muito fortes e além disso contavam com a ajuda de Hércules, um dos filhos de Zeus. Os Gigantes foram derrotados, resvalaram ululantes para o Tártaro e a vitória dos poderes radiosos do Céu sobre as forças brutais da Terra foi total e definitiva. Zeus e seus irmãos e irmãs ficaram a governar, senhores de tudo e de todos.
O mundo, liberto de monstros, estava pronto a acolher a humanidade. A Terra era agora um local pacífico. Em seu redor corria o grande rio Oceano, nunca perturbado por qualquer vento ou tempestade. Nas margens do Oceano ficava também a morada dos mortos bem-aventurados. Aqueles que em vida se mantivessem puros de todos os pecados viriam para esta região quando deixassem a Terra. Tudo estava determinado. Era tempo de o homem ser criado.
A tarefa foi confiada pelos deuses a Prometeu, o titã que tomara o partido de Zeus, durante a guerra com os Titãs, e a seu irmão Epimeteu. Prometeu, cujo nome significa “previsão”, era muito prudente, mais ainda que os próprios deuses, mas Epimeteu, que significa “ideia que surge depois da ação”, era um cabeça no ar, que seguia invariavelmente o primeiro impulso e só depois mudava de ideias. Assim aconteceu neste caso. Antes de criar o homem, concedeu aos animais todos os melhores dons – a força e a rapidez, a coragem e a astúcia arguta, os pelos e as penas, as asas e as conchas, entre outros – de tal modo que nada restou para o ser humano, que se viu assim sem quaisquer meios de proteção ou atributos que os equiparassem aos irracionais. Só mais tarde, como sempre, Epimeteu se arrependeu e foi pedir auxílio ao irmão. Prometeu, então, ponderou com cuidado como tornar a humanidade superior. Dotou o homem com forma mais nobre que os outros animais, com a verticalidade própria dos deuses; depois, foi ao Céu, junto do Sol, onde acendeu uma tocha que trouxe para a Terra, ficando o fogo a ser para o homem um meio de proteção incomparavelmente melhor, relativamente aos outros animais.
Durante um longo período, por toda a feliz idade de Oiro, com certeza, só existiram homens à superfície da Terra, não havia mulheres. Zeus criou-as apenas respondendo com o seu rancor a todos os cuidados que Prometeu tivera para com o homem. Prometeu não se limitara a roubar o fogo para o dar ao homem; proporcionara-lhe também o modo de ele ficar sempre com a melhor parte de todo o animal sacrificado, deixando a pior para os deuses. Matara e desmanchara um boi enorme e metera dentro da pele a melhor carne, disfarçando tudo, depois, com um montão de tripas por cima. Ao lado desse colocara outro volume com todos os ossos empilhados astutamente e cobertos de gordura reluzente e pediu, então, a Zeus que escolhesse um deles. Zeus preferiu o segundo, mas ao ver os ossos dispostos ardilosamente, enfureceu-se. A verdade é que já fizera a sua escolha e não podia voltar atrás.
O Pai dos homens e dos deuses não se podia conformar com tamanha desconsideração e jurou vingar-se, primeiro na humanidade e depois em Prometeu. Zeus criou então algo de muito perigoso, algo que deleitava os olhos pela suavidade e pela beleza, com o aspeto de uma donzela tímida a quem todos os deuses concederam dons: vestes prateadas e um véu todo bordado, uma autêntica maravilha, belas grinaldas de frescas flores e uma coroa de oiro. A donzela irradiava beleza. Chamaram-na Pandora, que significa “a dávida de todos”; depois de terminada esta bela calamidade, Zeus mostrou-a a todos e, ao contemplarem-na, tanto os deuses como os homens ficaram extasiados. É dela – a primeira mulher – que descendem todas as mulheres, que são a desgraça dos homens e têm a tendência para praticar o mal.
Uma outra versão sobre o aparecimento de Pandora diz-nos que a fonte originária de todas as desgraças não foi propriamente a sua natureza perversa, mas apenas a sua curiosidade. Os deuses ter-lhe-iam oferecido também uma caixa em que haviam guardado algo de altamente nocivo, proibindo-a de a abrir. Depois mandaram Pandora para junto de Epitemeu, que a aceitou de bom grado, embora Prometeu o tivesse prevenido para que nunca aceitasse nada da parte de Zeus. Só depois de a ter recebido, porém, quando esse ser perigoso, a mulher, já lhe pertencia, é que ele compreendeu o conselho do irmão, pois Pandora, como todas as mulheres, tinha uma curiosidade incontível – tinha de saber o que estava dentro da caixa e, um dia, levantou a tampa. Da caixa brotaram, em torrentes, inúmeras pragas, tristezas e males para a humanidade. Aterrorizada, Pandora apressou-se a fechar a caixa – mas infelizmente já era tarde de mais. Apesar de tudo, algo de bom lá ficou dentro – a Esperança – o único bem que o cofre continha entre tantos males, e esse ainda hoje continua a ser o único conforto da humanidade nos momentos de infortúnio.
Depois de ter castigado os homens com essa dávida, a atenção de Zeus concentrou-se sobre o grande pecador. O novo senhor dos deuses tinha uma grande dívida de gratidão para com Prometeu, por este o ter auxiliado na luta contra os Titãs, mas Zeus tinha-se esquecido por completo. Mandou os seus criados Força e Violência capturar Prometeu e levá-lo para o Cáucaso. Prenderam-no a uma rocha proeminente e escarpada com cadeado adamantino que ninguém podia quebrar, longe de tudo e todos.
Não era apenas para o castigar que Zeus o submetia a essa tortura; a verdade é que tencionava também coagi-lo a desvendar um segredo da máxima importância para o senhor do Olimpo – Zeus sabia que o Destino, que preside à origem de tudo o que acontece, determinara que um dia ele havia de ter um filho que o destronaria e desalojaria os deuses do céu. Só Prometeu, contudo, estava de posse do nome da mulher que o daria à luz. Por isso, o Deus dos Deuses aproveitou esse momento em que sua vítima ali amarrada à rocha atingira o auge da agonia e mandou que o seu mensageiro Hermes fosse junto dele para o obrigar a falar. Mas Prometeu não cedeu. O seu corpo continuava amarrado mas seu espírito era livre. Todo aquele sofrimento era injusto, pois tinha consciência de que cumprira seu dever em relação a Zeus e que fizera bem em apiedar-se dos pobres mortais desamparados. Hermes voltou várias vezes, mas Prometeu manteve-se firme.
Passaram várias gerações até que, não se sabe bem como (isso não é explicado em lado nenhum) Prometeu foi libertado. Há uma estranha história sobre um centauro, Quíron, que embora imortal se dispôs a morrer por ele, desejo que lhe foi permitido realizar. Zeus parece que aceitou de bom grado a substituição da vítima. Outra narrativa conta que Hércules libertou Prometeu dos seus grilhões, com o consentimento de Zeus, embora não saibamos por que razão este terá mudado de ideias nem tão pouco se Prometeu, uma vez em liberdade, revelou ou não o segredo. No entanto, uma coisa é certa: fosse qual fosse o meio por que se reconciliaram, não foi Prometeu, com certeza, quem cedeu – o seu nome tem-se mantido, através dos tempos, desde a Grécia antiga aos nosso dias, como o símbolo de rebelde por excelência, que se insurge contra a injustiça e a autoridade do Poder.
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Foto retirada de avidreader25.blogspot.pt
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A nossa edição:
Edith Hamilton, A Mitologia, Dom Quixote, 3ª edição, Lisboa, 1983.
A sociobiologia é uma ciência com cada vez mais adeptos, embora também com muitos detratores. Foi fundada por Edward Osborne Wilson, mas a sua popularidade cresceu imenso com a publicação do livro “O Gene Egoísta”, de Richard Dawkins, em 1976. Lemos esse livro há uns longos anos, mas como o seu conteúdo é bastante polémico e, para muito boa gente, chocante, aqui ficam umas notas muito simples que descobrimos recentemente num caderninho.
Tese Fundamental de Dawkins: Toda a evolução tem por base um comportamento egoísta por parte do gene – a unidade básica de seleção natural ou “unidade de hereditariedade”. Assim, o indivíduo (qualquer organismo) deixa de ser a unidade de seleção natural, dado que os organismos nascem, vivem e morrem, e passa a ser o gene essa unidade, uma vez que o gene se perpetua, construindo organismos, que “usa” para passar de geração em geração.
1ª sub-tese: Todos os organismos vivos foram criados pelos genes. São autênticas “máquinas de sobrevivência”. Nesse sentido, nós, seres humanos, não passamos de “robots desajeitados”, se não pré-determinados, pelo menos pré-programados. Só existimos para preservação dos genes.
2ª sub-tese: Como já vimos da tese fundamental, a unidade básica (e prática) de seleção natural é o gene – “um fragmento de cromossoma suficientemente pequeno para durar muito tempo” – isto porque o gene reúne três condições essenciais: longevidade, fecundidade e fidelidade da cópia.
3ª sub-tese: O comportamento humano é comandado remotamente pelos genes. São estes que ditam a forma pela qual são construídas as “máquinas de sobrevivência” e os seus cérebros.
4ª sub-tese: Compartilhamos os nossos genes com os parentes mais próximos. Quanto maior for a proximidade, maior será a partilha. Comportamentos supostamente altruístas mais não são que comportamentos (egoístas) programados para a sobrevivência dos genes dentro de um certo grupo. Chama-se a isto “seleção de parentesco”. A própria dedicação aos filhos está aqui incluída.
5ª sub-tese: Para além da tentativa de perpetuação do gene egoísta, este tenta também diminuir as hipóteses dos genes rivais sobreviverem. Há uma verdadeira competição entre os genes. De acordo com Dawkins, isto pode observar-se abundantemente através do comportamento animal.
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A nossa edição:
Richard Dawkins, O Gene Egoísta, Editora Gradiva, 1ª edição, Lisboa. 1989.
Todos precisam de reconhecimento, mas nenhum génio sonha com a fama.
Quem já sentiu, como eu, essa sensação estranha de conhecer um “artista” — pintor, poeta, escritor, músico — que carece manifestamente de talento, mas que nos invade com sua obra, confiante, seguro de si, ostensivo na sua ânsia de reconhecimento e de sucesso? Claro que a auto-confiança é positiva e todos têm, afinal, o direito de exprimir e divulgar seus trabalhos da forma que melhor lhes aprouver. Mas nós? A nossa opinião, evidentemente subjetiva e eventualmente errada, deve ser emitida com sinceridade ou devemos fingir que aquele projeto é magnífico e incentivar o(a) nosso(a) artista a seguir em frente? Ou nem uma coisa nem outra — algo que, suspeito, seja o mais comum? Por que será que alguns verdadeiros talentos detestam a notoriedade e duvidam de si próprios enquanto outros de talento mais que duvidoso querem a fama e estão convencidos de conquistá-la? Fernando Pessoa, por exemplo, detestava ser conhecido, ele que foi um génio, e queria viver como alguém comum. Por outro lado, pessoas comuns querem ser génios famosos. Ele viveu infeliz, inseguro, solitário mas deixou-nos um tesouro. Outros vivem contentes, felizes e iludidos e deixam-nos algo que se resume a nada. O que será preferível: um tolo feliz ou um génio frustrado? Não sei. Mas acho curioso que se juntem neste filme trágico-cómico que é a vida, atores tão diversos e simultaneamente tão próximos nas contradições humanas. E, no meio disto, eu, que me empolgo com coisas insignificantes, pergunto a mim próprio quantas vezes fui, e quantas vezes serei ainda, ridículo e só encontro uma resposta: muitas, inúmeras, incontáveis vezes.
Marx contou sempre com o apoio de Engels para o seu projeto.
Não me recordo exatamente em qual dia, mas foi numa data importante, numa noite em que o Partido Comunista encheu o Campo Pequeno. Eu deveria ter 17 ou 18 anos, no máximo, foi em 1975 ou 1976. Um amigo, bastante mais velho, com quem conversava, regular e apaixonadamente, sobre a política efervescente da época, militante do PCP, levou-me com ele. Lembro-me de estar no meio de uma multidão enorme, com uma braçadeira vermelha colocada; lembro-me da força daquela multidão, do som ensurdecedor que se produzia quando gritávamos as palavras de ordem em uníssono. Eu já havia experimentado aquela sensação de força, por exemplo no 25 de abril, mas ali, além desse sensação agradável, senti também uma outra que me assustou. Na verdade, para ser sincero, aterrorizou-me. Senti-me anulado por aquela força coletiva – um átomo apenas, que se anima na mesma direção de todos os outros; uma gota diluída numa corrente, sem qualquer possibilidade de escape. Alguém que se opusesse de alguma forma ao que ali se passava seria pura e simplesmente esmagado. Isso foi óbvio para mim. Naquela altura eu ainda não lera Marx, mas o que senti foi suficiente para que me interrogasse sobre as minhas ideias. Em primeiro lugar, interroguei-me se queria ser um “coletivista”. E por mais voltas que desse, a resposta interior era sempre “não”. Era sobretudo uma intuição. Eu não sabia muito bem explicar porquê. Mas o coletivismo assustava-me. Só mais tarde percebi que o que se opõe ao coletivismo é o individualismo. Eu era, de facto, e por natureza, um individualista. Infelizmente, esta palavra tem ainda hoje uma conotação negativa, de tal forma que muito boa gente, sendo politicamente individualista, tem quase (ou tem mesmo) vergonha de o dizer. Tal facto deriva de um equívoco: o de se confundir “individualismo” com “egoísmo”. Porém, o que se opõe ao egoísmo não é o coletivismo, é o altruísmo. Assim, uma pessoa pode perfeitamente ser coletivista e egoísta ou ser individualista e altruísta. Esta distinção, que me parece de uma lógica irrefutável, não poderia sair, obviamente, de uma cabeça pobre como a minha, fê-la um senhor chamado Karl Raimund Popper. Mas foi muito importante para me sentir melhor com a minha irritante intuição. Depois, com o tempo, acabei por perceber que as sociedades coletivistas são também sociedades totalitárias. Não poderia ser de outra maneira, uma vez que as ideologias coletivistas sobrevalorizam o todo (chamemos-lhe sociedade, coletividade, organismo, nação, estado, as terminologias são pouco importantes) em detrimento do indivíduo – e é nisso que reside a sua “superioridade” – uma entidade infinitamente mais poderosa e perfeita que o mero indivíduo, sendo que este apenas deve servir essa organização social superior. Essa aspiração totalitária e coletivista uniu, como se sabe, ideologias tão diversas como o marxismo e o nazismo. Não nego que a doutrina marxista tenha aspetos positivos. Marx foi um pensador ilustríssimo, extremamente útil no contexto histórico da sua época, mesmo que a sua teoria seja, desde há muito, anacrónica. De facto, nem mesmo as teorias das ciências exatas resistem ao tempo. Poderá uma teoria social, lidando com variáveis imprevisíveis como “homem” e “poder”, fazê-lo? É evidente que não. A presunção de conhecimento sobre a natureza humana é, aliás, o elemento mais perigoso da teoria de Marx. Uma presunção que conduziu os povos, onde os comunistas conquistaram o poder, às purgas, aos trabalhos forçados, às torturas, aos assassinatos de muitos milhões de indivíduos. Uma história trágica que só um crente pode justificar. É por isso que o comunismo é uma religião que desde o fim da minha adolescência até hoje, e suponho que para sempre, deixou de me convencer.
Todos os sítios do mundo são únicos, mas, na maioria dos casos, há algumas semelhanças entre eles. Olinda, por exemplo, uma dos irmãos e irmãs de Alfama espalhados pelo mundo, no estado brasileiro do Pernambuco, está também situada numa colina, com ruas íngremes, igrejas, calçadas e edifícios típicos de Portugal. É linda, sem dúvida, mas é diferente. Não tem o emaranhado de Alfama, o traçado árabe, as pequeninas ruelas e escadinhas e becos e pátios, já para não falar dos sons e dos cheiros. Alfama tem, sim, essa característica da singularidade. Quando caminhamos pelo bairro, sentimos a presença do passado. Ali aconteceram, certamente, incontáveis histórias extraordinárias, que os prédios velhinhos (construídos com o próprio material da derrocada que o terramoto de 1755 provocou), as pedras gastas, os becos escondidos e o próprio sussurro do bairro nos convidam a imaginar. Em Alfama ainda se sente a presença dos romanos, dos muçulmanos, dos judeus, dos cristãos. Por debaixo do chão encontram-se tesouros antigos. E por detrás de muralhas e portas encontram-se tesouros vivos – jardins, pássaros, arroios e também pessoas! E depois temos o rio, inseparável de Alfama. Daqui, o número de ângulos possíveis sobre os Tejo e mar (da Palha) é infinito. Em Alfama amanhece mais cedo. E a noite – e o mistério – chegam também primeiro.
Perguntavamo-nos algumas vezes por que razão alguém apoiaria uma pessoa que a nós parecia tão notoriamente inadequada para Chefe de Estado. Demorou algum tempo, porém, até percebermos que esta questão está mal colocada. Haverá sempre alguém que goste de pessoas que nos parecem execráveis, e vice-versa. A verdadeira questão não é essa. O importante é saber por que razão a Esquerda (e nós somos de Esquerda e nunca votámos no Sr. Silva) não soube angariar um candidato que galvanizasse as pessoas, que as fizesse não optarem por Cavaco – pois é evidente que, se elas votaram em Cavaco, é porque não tinham alternativa melhor. E a resposta é só uma: a Esquerda, apesar de toda a propaganda, está-se nas tintas para o povo. Esta afirmação pode constituir alguma surpresa, mas só para quem ande muito distraído. Desde o 25 de abril que a Esquerda coloca acima do povo – de quem apregoa ser a principal e, mesmo, única defensora – a ideologia, a estratégia e a rigidez de princípios. Esta falta de flexibilidade é aproveitada, e bem, pela Direita, que se une, no essencial, quando é preciso, como aconteceu nas duas eleições de Cavaco Silva.
Outro grande problema da Esquerda mais conservadora (ou, se preferirem, ortodoxa) traduz-se na incapacidade de autocrítica. Evidentemente, não assume qualquer responsabilidade pelo desastre que Cavaco representa para o país. Essa incapacidade de autocrítica impede a Esquerda de melhorar e afasta-a do povo.
Fortaleza é definitivamente uma cidade musical. Seja no Mercado dos Pinhões, na Praça dos Mártires, no Centro Cultural Dragão do Mar, em Juracema ou mesmo na praia, todos os dias a música paira no ar, gratuita e harmoniosamente. Às sextas à noite o Mercado dos Pinhões enche-se de alegres convivas (sobretudo acima dos quarenta) para ouvirem e dançarem o choro. Uma vez por mês — tivemos a sorte de ser no dia da nossa visita — uma banda interpretando êxitos dos anos sessenta e setenta, os Falcões, entra em cena, após a actuação do grupo de choro, e, posso testemunhá-lo, leva o ambiente ao rubro. O vocalista, um misto de Del Shannon com Paul Anka, deixa-se fotografar com senhoras eufóricas que não resistem a subir ao palco, e atira pelas potentes colunas sonoras uma voz surpreendente. A alegria, regada com muito álcool, é contagiante — e o velho mercado bombeia música.
Trio de David Calandrine.
No sábado, durante o almoço no jardim da Praça dos Mártires (a mais antiga praça de Fortaleza, também conhecida por Passeio Público e um dos lugares mais bonitos da cidade), num restaurante/buffet, onde aliás se come muito bem, assistimos à actuação do excelentíssimo trio do guitarrista David Calandrine. Músicas cujo repertório vai de Villas-Lobos a Milton Nascimento, passando por composições próprias, tudo interpretado com um toque distinto e profissional, que poderíamos designar, genericamente, por “jazz”. Ao fundo o mar verde-azulado transmite sua beleza ao nosso olhar, como que concorrendo com a beleza que aquela música é para os nossos ouvidos. Tudo é sensualidade. E neste jardim refrescante o que apetece mesmo é ficar, esquecer o relógio e fruir.
Centro Cultural Dragão do Mar.
No domingo fomos ao Dragão do Mar. Este centro cultural é constituído por auditórios, salas de espectáculos, pracinhas ao ar livre e vários edifícios estilo arte-deco, que funcionam como restaurantes e bares. Aqui pode-se assistir a música ao vivo, teatro, cinema, exposições, conferências e é possível também jantar ou simplesmente tomar um copo ou um sorvete numa das esplanadas. Jantámos no Alma Gêmea: uma bela galinha, ao molho tártaro, e uma excelentíssima torta de limão gelada, como sobremesa, desta vez acompanhados pela Orquestra de Sopros de Mulungu. Seguiu-se a peça “História de São Francisco segundo Dona Cremilda”, um conto de José Mapurunga, adaptado, encenado e interpretado pela actriz Katiana Monteiro. Tudo sem sair da mesa do jantar…
Praia de Meireles.
Além de cidade virada para as artes, Fortaleza é também uma cidade desportiva. Iracema e Beira-Mar, locais quase desertos durante o dia, enchem-se, ao crepúsculo, com praticantes de jogging, patinadores, ciclistas, ginastas e todo o tipo de transeuntes. Milhares e milhares de pessoas. Talvez as mesmas, ou pelo menos algumas delas, que mais tarde enchem as barracas de praia e os bares circundantes; vendedores de tudo e mais alguma coisa tentam também retirar o melhor deste espaço, onde o mar está sempre presente e o frio nunca vem.
E tal como o mar vai e volta, também o vento sopra forte e recolhe, numa sequência perpétua: Fortaleza respira! Este bafo quente dá-nos até coragem para um mergulho na praia de Meireles, embora saibamos que tanto aqui, como em Iracema, as águas não são as melhores para banhos. A praia do Futuro, que a Deus pertence, e, sobretudo, outras das redondezas cumprem bem melhor essa função. Porém, em Fortaleza, mesmo não lavando o corpo, pode sempre lavar-se a vista – e a alma. É o que acontece na Beira-Mar quando, de repente, na mesa ao lado, debaixo das castanholas (árvores muito comuns aqui), duas mulheres e um homem fazem maravilhas com um simples cavaquinho que passa de mão em mão.
Vista de Fortaleza.
Por fim, e como não podia deixar de ser, o Pirata. O espaço e a maioria das pessoas são bonitos. A música, se tivermos em conta que serve, ali, essencialmente para dançar, é excelente e a quadrilha junina que se apresenta a rigor é deslumbrante – a sua actuação foi uma agradabilíssima surpresa. E apesar da ordem ser dançar, dançar, dançar, ainda se pode petiscar ali com qualidade: a carne de sol que degustámos estava mesmo muito boa! A gastronomia popular não é, porém, maravilhosa nem muito diversificada em Fortaleza, e não difere muito da de outras zonas do Nordeste: peixe frito, arroz, feijão (aqui é comum o “baião-de-dois”: o feijão vem já misturado no arroz, aos que se acrescentam ainda queijo, creme de leite salgado e salsa ), carne de sol, água de coco, paçoca, tapioca, mandioca, lagosta, camarão. Pena que algum do camarão seja de viveiro (aqui dizem “cativeiro”) e que, apesar de por vezes ser grande e de bom aspecto, não tenha sabor a mar, o que é, de facto, bastante frustrante. Não se compreende também como, com tanto mar à volta, a maioria dos restaurantes serve tilápia, um peixe de rio, e, ainda por cima, a preços exorbitantes. Isto acontece, porém, sobretudo nos locais mais turísticos; comemos muito bem quando deambulámos pelos restaurantes frequentados pelos residentes.
Teatro José de Alencar.
Fortaleza é ainda uma cidade onde se pode passear agradavelmente pelo centro histórico. Aqui estão localizadas as construções mais bonitas, as principais praças e jardins, e o comércio tradicional, como naturalmente seria expectável. As pessoas são simpáticas, acessíveis e alegres. Construções como a Catedral Metropolitana, o Mercado dos Pinhões, o conjunto do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, o Mercado Central e, sobretudo, o lindíssimo teatro José de Alencar, entre outros, valem bem uma visita.
Numa semana os sentidos saciam-se plenamente em Fortaleza, uma das mais interessantes cidades no Nordeste do Brasil.