Alfama descobriu o mundo. O mundo descobre Alfama.
Autor: Jorge Costa
Fez percursos académicos nas áreas das Filosofia, Comunicação Social, Economia, Gestão dos Transportes Marítimos e Gestão Portuária, e estuda outras disciplinas científicas. Interessa-se igualmente por Arte, nas suas diversas manifestações, e também por viagens. Gosta de jogar xadrez. O seu autor preferido, desde que se lembra, é Karl Popper. Viveu em locais diversos, sobretudo em Portugal e no Brasil, pelo que se considera um cidadão do mundo. Atualmente vive em Cabanas, no Sotavento algarvio. Gosta de revisitar, sempre que pode, a bela cidade de Lisboa e, nela, o bairro onde nasceu, Alfama, o mais popular da capital, de traça árabe, debruçado sobre o Tejo — esse rio mítico, imortalizado por Camões e Pessoa, poetas maiores da Língua Portuguesa. Não é, porém, um bairrista, característica que deplora, a par dos clubismo, partidarismo e nacionalismo. Ama a Liberdade.
A Fundação Iberê Camargo situa-se na margem oriental do Guaíba, em Porto Alegre, num edifício projetado pelo arquiteto português Álvaro Siza Vieira, premiado com O Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2002, referência arquitetónica da capital gaúcha.
Iberê Camargo (1914-1994) foi um ilustre artista plástico rio-grandense, nascido em Restinga Seca, que produziu mais de 7000 obras, entre desenhos, guaches, gravuras e pinturas, uma grande parte das quais faz hoje parte do acervo da fundação.
Camargo é um dos grandes nomes do panorama artístico do século XX brasileiro e, embora nunca se tenha filiado em quaisquer corrente ou movimento, exerceu forte influência no meio intelectual do seu país. Resistiu às correntes modernista e concretista, mantendo um estilo próprio, mas sempre extremamente exigente consigo próprio. Para muitos, é o maior pintor brasileiro de todos os tempos.
Tal como Caravaggio (1571-1610) um assassínio marca a sua biografia. Matou um engenheiro, a tiro, alegadamente em legítima defesa, num dia em que saiu à rua para comprar postais de Natal.
O acervo da fundação é constituído por um núcleo documental e um núcleo com a coleção Maria Coussirat Camargo (esposa de Iberê), o qual inclui obras do pintor, acumuladas pelo casal ao longo dos anos.
Para lá das obras de Iberê, o espaço reúne também exposições temporárias. Até 4 de março de 2014 é possível visitar uma exposição denominada ZERO, a qual reúne obras de seguidores (de vários países) daquele movimento, fundado em 1958, pelos alemães Heinz Mack e Otto Piene 1.
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1 Grande parte das informações aqui divulgadas consta de folhetos disponibilizados pela própria Fundação Iberê Camargo.
A Marcha de Alfama vai participar na parada de celebração do Novo Ano chinês, em Macau, agendada para os dias 2 e 8 de fevereiro, anunciaram os serviços de turismo da Região Administrativa Especial chinesa.
O grupo português será o único ocidental a participar no evento, que contará ainda com a presença de sete grupos de animação asiáticos, provenientes, nomeadamente, da Coreia do Sul, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, Taiwan e Tibete, além de mais de 20 locais.
A população de Macau vai poder escolher, através de uma mensagem de telemóvel, o seu grupo favorito, que irá participar nas Marchas Populares de Lisboa.
A diretora dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes, disse, em conferência de imprensa, que o “evento deste ano, ‘Celebrar a Alegria e Abundância do Ano do Cavalo’ [um dos 12 signos do zodíaco chinês], será mais atraente do que o do ano passado”, dada a participação de grupos artísticos do exterior [1].
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[1] Fonte: Jornal de Notícias. A foto é de Julio Pimentel (Global Imagens).
La Boca é um bairro portenho [1], situado na antiga zona portuária, na margem direita do rio da Prata, onde nasceram dois grandes clubes argentinos, River Plate e Boca Juniors . Não vou alongar-me sobre a história deste típico bairro, até porque isso está disponível para consulta em muitos sítios da internet. Vou apenas mostrar as semelhanças, algumas delas muito curiosas, que o mesmo tem com Alfama.
1- Situam-se na margem (direita) de um rio.
2 – Estão na origem das cidades de que fazem parte, Buenos Aires e Lisboa.
3 – Têm em frente um mar que não é mar – mar da Prata [2] e mar da Palha.
4 – Desenvolveram-se a partir das atividades portuárias.
5 – São o coração de dois tipos de música, ambos Património Cultural Imaterial da Humanidade, assim classificados pela UNESCO – o tango e o fado.
6 – São bairros extremamente populares e a sua população é, em geral, pobre [3].
7 – Em La Boca usa-se uma interlíngua que se chama “lunfardo”, a qual se deve à passagem de marinheiros estrangeiros pelo bairro, sobretudo italianos, mas também portugueses. Muitos vocábulos dessa gíria são usados também em Alfama. Aqui ficam alguns exemplos que a maioria dos alfamenses certamente reconhecerá. “Guita” (dinheiro); “cana” (prisão); “canoas” (sapatos); “engrupir” (enganar); “fachada” (cara); “fanar” (roubar); “farra” (festa); “gagá” (debilitado mentalmente); “garfos” (dedos do carteirista); “lábia” (facilidade para dialogar); “mancar” (entender, compreender); “morfar” (comer); “palpitar” (imaginar); “tanga” (fraude, engano); “untar” (subornar); “zarpar” (ir-se rápido) [4] [5].
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[1] Relativo a Buenos Aires.
[2] O rio da Prata, dada a extensão do seu enorme estuário foi confundido com um mar. Daí terem-lhe chamado Mar da Prata. Ainda hoje há quem o chame assim.
[3] Como se pode ver pelo exemplo que mostramos na foto de La Boca (registada em 2009), muitas casas foram pintadas com cores vivas e variadas. Isto teve origem no aproveitamento dos restos das tintas usadas para pintar os navios, que os locais recolhiam para pintarem suas próprias casas.
[4] Existem até dicionários de Lunfardo, como pode ver-se pelo exemplo aqui:
[5] Já agora, fica também a referência a outro tipo de interlíngua que se fala na região – o “portunhol” (ou portanhol). Uma mistura, como a termo indica, de português com espanhol, falado sobretudo na zona da tríplice fronteira, entre Brasil, Argentina e Paraguai (ver foto no artigo deste blog sobre as Cataratas do Iguaçu) e também na zona da fronteira sul do Brasil, entre o estado do Rio Grande do Sul e o Uruguai.
O rio da Prata sempre foi uma via estratégica muito cobiçada por portugueses e espanhóis, os primeiros para exportarem os produtos agrícolas do Brasil e os segundos para escoarem as riquezas mineiras peruanas. Foi na sua margem esquerda, na confluência com o rio Uruguai, praticamente em frente à atual Buenos Aires, que os portugueses edificaram, em 1680, uma praça fortificada, a que chamaram Nova Colónia do Santíssimo Sacramento. O fundador foi Manuel Lobo, governador do Rio de Janeiro, a quem o rei de Portugal incumbira tal missão.
As disputas entre portugueses e espanhóis por aquele lugar, haveriam de durar quase 100 anos. Logo após a construção da fortaleza, uma força enviada pelo governador de Buenos Aires, composta por 300 soldados espanhóis e milhares de indígenas, provocou um massacre na reduzida guarnição lusa. Porém, em 1681, a diplomacia portuguesa, com ameaças de fortes represálias, impôs ao débil rei espanhol D. Carlos II, negociações que resultaram na devolução pacífica da cidade aos portugueses. Durante 24 anos, aquela praça permaneceu sob a bandeira de Portugal. Em 1704 ascendeu ao poder, em Espanha, Felipe V, que ordenou uma ação militar para desalojar os lusitanos, ação que viria a ser executada, mais uma vez, por uma força de Buenos Aires, comandada por Baltasar García Ross. Atacados por terra, os portugueses escaparam em embarcações que acorreram em seu auxílio [1] [2].
Em 1715, na sequência do Tratado de Utrech [3], Portugal obteve o direito à posse da cidade, comprometendo-se a não a expandir para lá da distância percorrida por uma bala de canhão. Apenas em 1777, com a assinatura do Tratado de San Ildefonso, terminaram as querelas entre Espanha e Portugal, e a cidade passou definitivamente para mãos espanholas.
O bairro histórico da cidade, ou seja, precisamente o antigo burgo fundado pelos portugueses, foi declarado Património Histórico da Humanidade pela UNESCO, em 1995. A cidade está bem preservada e é notória a presença portuguesa ali. No Museu do Azulejo existe um interessantíssimo espólio e em cada canto, mesmo nas pedras das calçadas, se respira Portugal. A nossa visita foi feita a partir de Buenos Aires, do outro lado do Prata, através de um catamaran que percorre os 50 kms de distância em cerca de uma hora.
[2] Ver também o artigo anterior deste blog, sobre São Miguel das Missões.
[3] “O mesmo agente inglês que negociou o acordo comercial de 1703 (John Methuen) também tratou das condições que garantiriam a Portugal uma sólida posição na conferência de Utrecht. Aí conseguiu o governo lusitano que a França renunciasse a quaisquer reclamações sobre a foz do Amazonas e a quaisquer direitos de navegação nesse rio. Igualmente nessa conferência Portugal conseguiu da Espanha o reconhecimento de seus direitos sobre Colónia do Sacramento. Ambos os acordos tiveram a garantia direta da Inglaterra.” in https://ilovealfama.com/2013/02/08/formacao-economica-do-brasil/
São Miguel das Missões, antigo povoado de São Miguel Arcanjo, integra-se no chamado território missionário, uma vasta zona que inclui parte dos atuais Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil. As aldeias, fundadas pelos jesuítas espanhóis, chamavam-se Reduções[1] e, das trinta que foram criadas, podemos encontrar sete no Brasil: São Miguel, Santo Ângelo, São Nicolau, São João Batista, São Lourenço, São Luís Gonzaga e São Francisco de Borja – os Sete Povos das Missões, situados na margem oriental do rio Uruguai.
O que ainda resta da Igreja de São Miguel, cuja construção se iniciou em 1735, bem como o Museu das Missões, erguido na área da antiga Redução, em 1940, estão classificados como Património Mundial, pela UNESCO, desde 1983. San Ignacio Miní, na Argentina, e Trinidad, no Paraguai, são outras Missões classificadas como Património Mundial. Todas elas se situavam, no início das construções, na província jesuítica do Paraguay, território pertencente à coroa espanhola. [2]
Apesar do abandono a que foi votada durante muitos anos e aos saques de que foram alvo as Missões no decorrer da Campanha Cisplatina, a Igreja de São Miguel é a única, das três classificadas como património mundial, que mantém a fachada completamente preservada. O projeto da igreja, em estilo barroco tardio, é atribuído ao arquiteto jesuíta Gian Battista Primoli e foi, provavelmente, inspirado na igreja central da Ordem dos Jesuítas, a Igreja de Gesú, em Roma.
Onça pintada e coruja. Os índios ganham algum dinheiro vendendo artesanato aos poucos turistas que visitam São Miguel das Missões.
No museu podemos encontrar esculturas, a maioria em madeira, reunidas pelo seu primeiro zelador, Hugo Machado, que muitas vezes se apresentou como beato, para as conseguir recolher das mãos de particulares, constituindo, este conjunto, a maior coleção pública missioneira. Há obras de escultores europeus, mas a maior parte foi executada pelos índios guarani, como se pode comprovar pelos traços dos rostos, pelos detalhes dos cabelos, pelas vestes, etc. [3]
Ainda hoje os guarani continuam esculpindo a madeira, como tivemos oportunidade de comprovar, em toda a região. A uma linda menina guarani compramos, em São Miguel da Missões, duas miniaturas – uma de onça pintada e outra de coruja.
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[1] Reduções, precisamente, por reduzirem o espaço de circulação dos índios ao território da Missão.
[2] Só em 1801 os sete Povos das Missões foram conquistados pelos luso-brasileiros e, desde então, fazem parte do Rio Grande do Sul. Os territórios da América do Sul foram sempre muito disputados pelas coroas portuguesa e espanhola e, em 1750, através do Tratado de Madrid, ficaram quase completamente definidas as fronteiras atuais do Brasil, com grande vantagem para os luso-brasileiros, que perdiam Colónia del Sacramento, no atual Uruguai, cidade fundada pelos portugueses, em1680, na margem esquerda do Rio da Prata, mas ganhavam os sete Povos das Missões e, no fundo, todo o Rio Grande do Sul, todo o atual estado se Santa Catarina e ainda a Amazónia e mais alguns territórios que estavam na parte espanhola definida pelo Tratado de Tordesilhas, revogado pelo Tratado de Madrid. O rio Uruguai seria a fronteira entre Brasil e Argentina.Tratado tão desvantajoso não foi bem aceite pelos espanhóis e novos tratados foram firmados. Em 1761, o Tratado de El Pardo, que estipulava o regresso à situação anterior a 1750, e, em 1777, o Tratado de Santo Ildefonsoonde foram criados os “campos neutrais”, faixa de terra onde nenhum dos impérios teria jurisdição. Era esta a situação dos sete Povos das Missões, território neutro, em 1801, quando os luso-brasileiros, a pretexto da guerra que a Espanha declarou a Portugal, por pressão dos franceses (invasões napoleónicas da Península Ibérica), decidiram conquistá-los. José Borges do Canto, filho de pai açoriano e mãe de Colónia del Sacramento, e Gabriel Ribeiro de Almeida, filho de português e índia, que viviam na zona, falavam o idioma guarani e conheciam bem os índios, foram os homens a quem geralmente é atribuída a conquista das Missões, para o que contaram com a colaboração de um pouco número de homens e dos próprios índios guarani. Tratou-se, portanto, de uma conquista local. Sobre estes episódios pode ler-se o excelente texto de Elisa Frühauf Garcia, aqui:
Face à classificação de há 10 meses (01/03/2013), releva o seguinte. “O Conspirador” mantém, incontestável, e desde sempre, o primeiro lugar. Entradas de Rui Machete, Poiares Maduro, Nuno Melo (um regresso), Aguiar-Branco e João Semedo. Saídas de Miguel Relvas, “O Hedonista”, João Jardim, “O Troglodita”, Vítor Gaspar, “O Apontador”, Rebelo de Sousa, “O Quadrilheiro” e Marques Mendes, “O Concentrado”.
Não podíamos publicar melhor artigo para inaugurar 2014 do que este — exemplo feliz (e delicioso) da dinâmica cultural luso-brasileira — cujo protagonista é Serafim Cunha, 55 anos, no Brasil desde os dezasseis, onde casou e teve dois filhos.
Após mais de uma década de investigação, ele conseguiu produzir o melhor pastel de nata do mundo, na cidade brasileira de Palhoça, em Santa Catarina, mesmo ao lado de Florianópolis.
Serafim tem, por enquanto, uma pequena produção, mas a tendência natural é que a mesma aumente, seja no que diz respeito aos pastéis de nata, seja em relação a cerca de uma dezena de outros bolos que fabrica, dado que o nível dos produtos é de primeiríssima qualidade.
Os pasteis de nata de Serafim, já com açúcar em pó. Deliciosos.
Já tínhamos provado pastéis de nata no Brasil (lembro de uma casa em Porto Seguro, por exemplo), mas nada, nem aqui nem em Portugal, excetuando, naturalmente, os pastéis de Belém, se pode comparar ao sabor magnífico dos pastéis produzidos em Palhoça. De facto, este pastel é em tudo idêntico ao pastel de Belém, há apenas uma pequena diferença na massa, e é muito difícil dizer qual é o melhor.
Jamais imaginaríamos que uma réplica de tamanha qualidade pudesse ser encontrada a oito mil quilómetros de Lisboa, numa cidade desconhecida para a maioria dos portugueses. Tesouros como este enriquecem ainda mais o já vasto património cultural luso-brasileiro e merecem ser divulgados e conhecidos.
O espaço onde é fabricada esta iguaria situa-se no centro comercial Via Catarina Shopping e chama-se Ateliê Português.
O volume de água que cai a cada segundo é assombroso. Chega a atingir 11,3 mil metros cúbicos.
O primeiro europeu a chegar às Cataratas do Iguaçu foi o espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca, no século XVI. Situadas na zona onde os jesuítas fundaram as missões, um território vasto, onde viviam índios dos atuais Paraguai, Brasil e Argentina, as Cataratas do Iguaçu são constituídas por mais de 250 quedas de água, o que lhes confere o título de “maiores do mundo”.
É possível subir o rio de barco e tomar um banho debaixo de uma das quedas de água.
Foi precisamente aqui que foi rodado grande parte do filme, “A Missão” (1986), com realização do britânico Roland Joffé, interpretações de Jeremy Irons, Liam Neeson e Robert de Niro, e música do grande Ennio Morricone [1].
As cataratas de Iguaçu são o maior conjunto de quedas de água do planeta.
As Cataratas de Iguaçú estão classificadas como Património da Humanidade e são uma das sete maravilhas da natureza. O som da água tombando ouve-se a grande distância e, quando chegamos suficientemente perto, ficamos encharcados pela água que vem com o vento. Para além dos passeios a pé, vale a pena fazer uma viagem de barco pelo rio Iguaçu e tomar um duche gigante debaixo de uma das quedas de água. Isso é possível fazer, tanto do lado brasileiro quanto do argentino. Os passeios pelo rio são muito idênticos e bastante divertidos. Na moeda europeia, ao câmbio atual, o preço a pagar por pessoa rondará os 25 euros.
Natureza em estado puro.
Os parques naturais (argentino e brasileiro) estão muito bem organizados e estruturados, proporcionando bons serviços ao visitante. Ali bem perto podemos também visitar uma das maiores barragens do mundo, Itaipu, no rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai, e também o local da união entre aquele rio e o Iguaçu, onde se observam, em cada um dos lados do “T”, os três países: Brasil, Paraguai e Argentina.
Deste lado a Argentina, em frente o Brasil, à esquerda o Paraguai.
As cidades de Puerto Iguazú (Argentina), Ciudad del Este (Paraguai) e Foz do Iguaçu (Brasil) distam entre si apenas alguns minutos de carro e valem também uma visita, a primeira pela boa carne argentina, a segunda pela possibilidade de fazer compras baratas, e a terceira por ser um polo de acesso a toda a região, com boas pousadas, como seja a Pousada do Alemão, onde nos hospedamos nesta segunda visita às Cataratas.
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[1] Aqui fica o registo de uma interpretação do tema principal da banda sonora de “A Missão”, dirigida pelo próprio Morricone. Belíssima.
Morreu, no último dia 5, Nelson Mandela. Como seria de esperar, um volume incomum de comentários e opiniões surgiu em todos os meios de comunicação social, após o seu desaparecimento. Tudo o que possa ser dito será, assim, recorrente. Arrisco, porém, o seguinte. Mandela figurará, como um grande vulto, na História da Humanidade por várias razões, mas, para mim, a razão maior da admiração generalizada de que é alvo resulta do facto de o próprio Nelson Mandela nunca se ter considerado um herói; considerava-se, pelo contrário, um ser falível, imperfeito, como outro qualquer. Sob este aspeto, pode ser comparado a outras personalidades, como Sócrates (o grego, evidentemente), Popper ou Einstein, todos homens que buscaram até o fim um caminho melhor, sem nunca terem a certeza de o ter encontrado, manifestando-se, nas suas dúvidas, falhanços e incertezas, tão humanos quanto nós. Com o seu exemplo, eles dão-nos força e alento para procurarmos nós próprios o nosso caminho e, não menos importante, dão-nos também a esperança de nos transformarmos, nessa busca, em seres humanos melhores. É por isto que Mandela — esse homem extraordinário que derrotou o ódio com o perdão, que nunca exigiu nada aos outros mas deu tudo de si próprio — foi e será amado pela generalidade dos que se debruçaram ou debruçarão sobre as suas vida e obra — por ser, afinal, um de nós.
Lima é uma cidade enorme, com um tráfico caótico, pobre, que fica na costa do Pacífico. Apesar disso, a cidade não é boa para banhos. A água do mar é poluída e é necessário andar muitos quilómetros até encontrarmos boas praias. Em grande parte do ano (inverno), a cidade fica coberta por uma camada de humidade, um lençol cinzento, baixo, que não deixa vislumbrar o sol. Foi assim durante a semana que aqui passámos. Uma chuva miudinha cai frequentemente. Lima é quase exclusivamente habitada por peruanos, com poucos turistas, o que facilmente se constata nas ruas.
Aspeto da cidade de Quito.
Quito tem algumas semelhanças com Lima. Verifica-se que é uma cidade relativamente pobre, com uma população em larga maioria nativa, mas em desenvolvimento (vimos muitas obras públicas a decorrerem). No entanto há algumas diferenças significativas. Desde logo, o clima. Devido à altitude, Quito, uma cidade em cima do equador, é fresca, embora o frio aqui se suporte melhor que em outras paragens, pois é relativamente seco. As pessoas são em geral afáveis e o nível de preços bastante acessível para um europeu.
Centro de Bogotá.
Bogotá é outra cidade que partilha com Quito e Lima algumas características: a grande maioria da população é constituída por nativos; é uma cidade relativamente pobre; apesar da proximidade ao Equador, não é excessivamente quente; as edificações mais interessantes são do período colonial; existe dinamismo, nota-se ritmo de investimento.
Parece que o desenvolvimento é real nestas três cidades.