Nelson Mandela

nelson mandelaMorreu, no último dia 5, Nelson Mandela. Como seria de esperar, um volume incomum de comentários e opiniões surgiu em todos os meios de comunicação social, após o seu desaparecimento. Tudo o que possa ser dito será, assim, recorrente. Arrisco, porém, o seguinte. Mandela figurará, como um grande vulto, na História da Humanidade por várias razões, mas, para mim, a razão maior da admiração generalizada de que é alvo resulta do facto de o próprio Nelson Mandela nunca se ter considerado um herói; considerava-se, pelo contrário, um ser falível, imperfeito, como outro qualquer. Sob este aspeto, pode ser comparado a outras personalidades, como Sócrates (o grego, evidentemente), Popper ou Einstein, todos homens que buscaram até o fim um caminho melhor, sem nunca terem a certeza de o ter encontrado, manifestando-se, nas suas dúvidas, falhanços e incertezas, tão humanos quanto nós – e tão diferentes daqueles que apregoam, supostamente, a verdade, a moral, a essência ou qualquer outra coisa absoluta e certa. Com o seu exemplo, eles dão-nos força e alento para procurarmos nós próprios o nosso caminho e, não menos importante, dão-nos também a esperança de nos transformarmos, nessa busca, em seres humanos melhores. É por isto que Mandela – esse homem extraordinário que derrotou o ódio com o perdão, que nunca exigiu nada aos outros mas deu tudo de si próprio  – foi e será amado pela generalidade dos que se debruçaram ou debruçarão sobre as suas vida e obra – por ser, afinal, um de nós.