Timor-Leste — 2026

A praia do Cristo-Rei vista do próprio Cristo-Rei, em Díli.

Os timorenses têm orgulho do seu país. Cozinham muito bem. São simpáticos e tímidos. Falam muito mal línguas estrangeiras, incluindo o português, que é língua oficial. São pobres, mas são também um povo com futuro, com uma taxa de natalidade acima da média e uma idade média de 19 anos. O próprio país é jovem: 24 anos.

Visitar Timor-Leste não é para qualquer um. Em primeiro lugar, chegar aqui não é tarefa fácil. Partindo de Portugal, ou da maior parte dos países do globo, tem de se apanhar vários voos — quatro, no nosso caso — mas no final vale a pena.

Em segundo lugar, aqui chegados, confrontamo-nos com uma série de dificuldades, e a língua não é certamente a maior delas. Em Timor-Leste, excluindo algumas lojas na zona mais chique de Díli, não se aceitam pagamentos com cartões bancários. Por isso é preciso ter sempre dinheiro disponível, em espécie. E convém que se aterre já com bastantes dólares no bolso (a única moeda aceite em Timor) porque também não é fácil sacar dinheiro nos ATMs. Os únicos que realmente funcionam para os portugueses são os que se atuam nas instalações do BNU Timor (atualmente pertença do grupo CGD), bem perto do Palácio do Governo e do Parlamento, ou na zona do Timor Plaza, pelo que é melhor fornecer-se aí se se pensa viajar para fora de Díli.

A belíssima praia de Jaco.

E é aí que surge nova complicação. As estradas em torno de Díli encontram-se em bom estado (embora não seja de excluir uma outra surpresa pelo caminho), por exemplo a rodovia que vai até Lautém, passando por Baucau, é bastante aceitável, mas se quisermos continuar para Leste, como foi nosso caso, aí entramos num mundo completamente diferente e a condução torna-se um verdadeiro pesadelo. Este é um real problema para quem queira visitar a ilha de Jaco, sem dúvida, em termos de praias, o lugar mais bonito de todo o Timor-Leste e, para nós, um destino imperdível.

Conhecemos várias pessoas, turistas como nós, que não foram a Jaco devido às difíceis condições de acesso. Para se chegar lá de transporte público são necessários no mínimo 4 dias para ir e voltar. Se se optar por algum tipo de passeio turístico, ou simplesmente por um veículo com motorista, poderá fazer a viagem em 2 ou 3 dias, mas isso custar-lhe-á, no mínimo dos mínimos, 500 dólares. A última opção — e a melhor —, se sentir confiante, é conduzir você mesmo.

Antes de viajarmos para Timor procurámos informar-nos sobre a melhor forma de ir a Jaco pelos próprios meios, lemos e ouvimos opiniões diversas, díspares mesmo, havia quem dissesse que poderíamos ir num carro normal ou de moto, mas a maioria das pessoas afirmava de que necessitaríamos de um 4X4. Hoje estamos em condições de dizer que as últimas e só elas têm razão. Se uma pessoa não tiver muito tempo, se não quiser suportar poeira, calor, saltos na estrada e sabe-se lá mais o quê, dentro de uma van que faz o transporte público entre Díli e Los Palos, no primeiro dia, e depois entre Los Palos e Tutuala, no segundo (depois de Tutuala ainda há que arranjar forma de descer os 10 kms até a praia de Valu, passar aí a noite num dos dois alojamentos disponíveis e no dia seguinte ser transportado num pequeno barco de pescadores até Jaco), a única opção é alugar um 4X4, com ou sem motorista. Nós fomos sem motorista, como veremos à frente.

O Pajero que nos levou atá Valu, a povoação em frente à ilha sagrada de Jaco.

Estas idiossincracias exigem duas condições prévias para quem quer visitar Timor-Leste: bom planeamento, primeiro, e tempo, depois. A nossa experiência talvez possa ajudar, por isso passamos a descrevê-la detalhadamente. Como de costume, construímos o esqueleto do nosso planeamento nos últimos dois meses que antecederam a viagem, que ficou assim.

DATAORIDESTTEMPOESCLACIAPREÇO
9 setFAO
08:50
AMS
12:55
3:05diretoTransavia98
9 setAMS 21:00KUL 19:45+115:50AUH
(06:40)
(08:25)
Ethiad Airway 606
11 setKUL
02:15
DIL
07:30
4:15diretoBatik Air 444
11 set a 15 setDa TerraVilaverdequarto
duplo
c/ banheiro privDíli132
15 a 17 setBarry’s
Place
Atauroquarto duploc/ todasrefeições240
17 a 19 setTaibessiRua da Prisãoquarto duploc/ banheiro privDíli39
19 setDilitoKupangby busBabadok70
19 a 21 setRed DoorzPlus Plus atKrishna HomeStayKupang22,33
21 setKOE
12:10
LBJ
14:20
2:10diretoWings Air168
22 setpasseio de barcoum dia a ilhaKomodo140
21 a 25 setPieter
Home
Stay casa de banhoprivada c peq.almoço49,54
25 setLBJ
15:00
KUL
18:40
3:40diretoAir Asia216
25 setKUL
22:40
CDG
11:15+1
18:35DEL
(01:45)
(03:35)
Air India519
26 setORY
20:55
FAO
22:35
2:40diretoTransavia90
seguroviagemIATI12 seta 26 set98,28
TOTAL€2.929

A partir daqui foi a viagem propriamente dita.

Dia 1

Saímos de casa cedo para apanharmos o comboio das 5 e 52 em Conceição, à porta de casa, até Faro, aonde chegámos às 6 e 30. Daqui apanhámos um Uber para o aeroporto. O voo partiu no horário e 3 horas depois estávamos em Amsterdão, num cenário climático completamente diferente. No Algarve estava um tempo de verão, magnífico, em Amsterdão estava frio, vento e tinha chuvido de manhã. Os agasalhos que trazíamos, dois casacos de meia-estação, não foram suficientes para andarmos na rua, pelo que nos abrigámos na livraria OAB por um bom par de horas, rezando para que a borrasca passasse, receosos de, logo no primeiro dia de viagem, ficarmos doentes.

A OAB, em Amsterdão.

Saímos a passo apressado da livraria rumo à estação central de comboios, havia greve, mas lá conseguimos seguir para o aeroporto após uma espera de meia-hora. O nosso voo para Abu Dhabi estava previsto para as 9 da noite mas só partimos muito depois das 10. Estávamos preocupados porque tínhamos pouco tempo para apanhar o voo seguinte para Kuala Lumpur, na Malásia.

Dia 2

Felizmente este voo também saiu atrasado, pelo que chegámos a tempo. Em Kuala Lumpur já eram 9 da noite do dia seguinte, e só às duas da manhã do dia 12 apanhámos o último voo para Díli, pela Batik Air, aonde chegámos, como previsto, às 7 da manhã, quase dois dias completos desde que saíramos da nossa casa, em Conceição de Tavira.

Algo que nos vem várias vezes à cabeça, enquanto viajamos para Timor-Leste, é: o que é que os malucos dos portugueses vieram fazer a estas ilhas malucas tão distantes? Sabemos que foi pelo comércio das especiarias, mas chegar aqui velejando desde Portugal exigia certamente alguma dose de loucura ou de desespero, e certamente de ambição também, em muitos casos.

O nosso local de refeições no Da Terra Vilaverde.

Dia 3

Ainda no aeroporto comprámos dois cartões da Telkomcel por 9 dólares cada, já com ativação e validade de 30 dias, os quais nos foram muitos úteis durante toda a estadia em Timor-Leste. De seguida apanhámos um táxi para o Da Terra Vilaverde, ocupando o único quarto duplo com casa de banho privativa deste alojamento. Teríamos de esperar até depois do meio-dia, pois o quarto ainda estava ocupado, então tomámos o pequeno-almoço (pago à parte) e saímos a pé para visitarmos alguns pontos de Díli.

Fomos ao Museu da Resistência, muito bem documentado, e percorrêmo-lo demoradamente. Não pude deixar de recordar os anos de ocupação indonésia, a luta dos timorenses, o gigantesco cordão humano que fizemos em Portugal (eu estava na Calçada de Santos à hora marcada) e uma outra vez que saímos do escritório para protestarmos na rua, em silêncio, durante um minuto, a ida do navio Lusitânia até ao Mar de Timor, o envolvimento dos americanos (Bill Clinton) e da ONU (Kofi Annan), que forçaram a Indonésia a aceitar o referendo e, finalmente, a independência plena de Timo Loro Sae.

Quando regressámos ao alojamento, seriam umas 14:30, tomámos um duche e atirámo-nos para cima da cama, adormecendo de imediato. O despertador tocou às 19:30 e às 20:00 estávamos a jantar. A seguir voltámos para o quarto e dormimos, de novo, até de manhã.

No Museu da Resistência, em Díli.

Dia 4

No dia seguinte, às 9 da manhã, depois do pequeno-almoço, vieram entregar-nos um Pajero Sport 4×4, no qual seguimos, pouco depois, em direção ao extremo Leste da ilha, até a pequena povoação de Valu. Todas a palavras são poucas para elogiar a empresa Timor Vehicles e particulamente o seu manager, Jefri Liong. O carro estava impecável, cheiroso, e era extremamente fiável. Graças ao seu bom estado geral, a nossa viagem pela região oriental da ilha foi menos cansativa, demorada e arriscada do que seria, à partida, expectável. Dois dias de aluguer custou-nos 240 dólares (mais 89 dólares de combustível), uma valor muito aceitável face à qualidade do carro.

Convém referir, neste ponto, que em Timor-Leste se circula pela esquerda, ao contrário de Portugal, mas nós já tínhamos tido essa experiência noutros países (Seychelles, Maurícias, África do Sul, entre outros) e, curiosamente, conduzir ao contrário é algo como andar de bicicleta, não se esquece. Por isso, cada vez que voltamos a conduzir pela esquerda adaptamo-nos mais rapidamente, retirando mais prazer da condução.

Fomos passando por belas praias e por pequenas povoações e, numa destas, vimos várias bancas em ambas as bermas da estrada. Pareceu-nos que estavam a grelhar peixe. Parámos. Era efetivamente peixe grelhado na brasa com um pau espetado da boca até ao rabo. Era muito bom. A Fla comeu um que parecia (e sabia) salmonete, chamado baraka, e eu deliciei-me com outro, para nós desconhecido, que, apesar de demasiado assado, era mesmo assim saboroso. Para acompanhar, arroz servido dentro de uma caixinha feita com palha de milho, a qual tem de se romper com uma faca. Cada peixe, com o arroz, custou 2 dólares.

A praia de Caibada, em Bacau.

Seguimos viagem e pouco depois fizemos um pequeno desvio para visitarmos Manatuto, uma pequena cidade, onde não nos demorámos. Daqui até Baucau é um pequeno salto e nesta cidade, a segunda maior de Timor-Leste, decidimos fazer um desvio maior para conhecermos uma praia (sempre esta mania das praias!), o que nos empatou mais de hora e meia. O desvio será de uns 10 kms, mas face à péssima estrada — esburacada, estreita, sinuosa — demorámos imenso tempo para ir e voltar. Mas nunca se sabe se vale a pena ir ou não, e o lema é “na dúvida, vamos”. Às vezes o google engana-nos com classificações que, na nossa ótica, não correspondem à realidade, e este foi um desses casos. A classificação de 4.9 das praias de Caibada e de Fatuk faria antever algo deslumbrante, mas, para os padrões de Timor, estas são praias banais.

O tempo escasseava, não queríamos de forma alguma conduzir de noite, pelo que decidimos não parar mais antes de chegarmos a Valu. A partir de Lautém começou o verdadeiro desafio. É difícil, para não dizer impossível, descrever a estrada que liga Lautém a Valu. Tem de tudo um pouco: troços de 500 metros com bom piso, outros com crateras que ocupam metade do que devria ser a estrada; quilómetros e quilómetros de piso coberto por uma camada, de espessura variável, de um pó branco tão fino que forma uma nuvem imensa quando passa um veículo, não se conseguindo enxergar mais do que um espesso muro branco quando se olha pelo retrovisor (o carro tem de ir todo fechado, mas mesmo assim o pó infiltra-se e crava-se na nossa garganta); quilómetros de estrada esburacada, de piso muito duro, que parece ter sido de cimento que agora se degradou; crateras gigantes aqui e além; declives e curvas com gravilha solta, o que multiplica o risco de despiste.

Na pequena aldeia de Valu. Em frente a ilha sagrada de Jaco.

Eu e Fla interrogámo-nos sobre como será o interior daquelas casas à beira da estrada com todo aquele pó. É difícil imaginar. Espantosamente, os últimos 10 quilómetros até chegarmos a Valu, depois de Tutuala, que fica no topo de uma colina, têm um piso impecável, embora a vegetação nas margens do asfalto estejam a tornar a estrada cada vez mais estreita. Mas ainda passámos bem, e chegámos a Valu quando o sol se pôs, e quando estacionámos no parque de um dos únicos dois alojamentos no local, o Guest House Valu, já tínhamos os médios do Pajero ligados.

Este alojamento é gerido pela pequena comunidade local, que recebe 75% dos lucros (os restantes 25% são para o Parque Natural), e não oferece as melhores condições, embora se note que todos fazem o melhor que podem. O jantar é simples e custa 5 dólares por pessoa. O nosso quarto, com uma cama bem simples, custou 25 dólares. As casas de banho são partilhadas, com sanitas turcas, e há uns bidões com água de onde, com uma espécie de caneca grande de plástico, se retira água para o banho.

Dia 5

Eram 5 da manhã e ainda noite quando acordámos e decidimos partir. Tivemos de acordar um “funcionário” para pagar a estadia e o jantar, pois não quiseram receber no dia anterior. Fomos de carro até a pequena praia de Valu, onde se encontram meia dúzia de casas e uns quantos barcos onde os pescadores transportam os visitantes para a pequena ilha de Jaco, por 10 dólares. O trajeto é pequeno — uns 500 metros e uns 5 minutos de barco com motor de 8 cavalos.

Jaco: uma praia só para nós.

Enquanto atravessamos o canal, que de acordo com os pescadores é fundo e com forte corrente, o mar vai mudando de cor: esmeralda, primeiro, azul profundo, depois, e esmeralda de novo, bordeando toda a praia de Jaco. O senhor Hermínio ficou de nos vir buscar às 9:30, afastou-se com o barco e ficámos sozinhos na ilha. Alguns veados observavam-nos, de longe. Não tardou muito até provarmos a água, incrivelmente transparente. É boa, com uma temperatura perfeita, mesmo às 7 da manhã. Quando chegou outro barco com um grupo de turistas, já nós tínhamos percorrido a ilha de uma ponta à outra, mergulhado várias vezes, relaxado sobre a areia fina, de um branco imaculado. Esta praia é espantosamente bonita.

Lembrei-me dos tempos em que fazíamos campismo na praia. Como seria fantástico poder estar em Jaco uma semana, dormir ao som das ondas, pescar, fazer uma fogueira e assar um peixe sobre ela. Mas por vários motivos e mais um, não pode ser: esta ilha é sagrada para os timorenses e ninguém pode pernoitar aqui.

Ficámos bastante surpreendidos quando percebemos, ainda na pousada em Díli, que a maioria dos turistas não vem a Jaco. Nem a maioria dos próprios timorenses. Mas depois percebemos porquê. Nem todos estão dispostos a passar por tantos incómodos por causa de uma praia… Mas um português e uma brasileira malucos estiveram. Quando a pequena embarcação conduzida pelo senho Hermínio apontou à aldeia piscatória de Valu, a praia de Jaco, nas nossas costas, já estava instalada na nossa memória para sempre.

Na zona de Bucoli, na viagem de regresso a Díli.

O trajeto de volta a Díli não custou tanto porque já tínhamos tido a experiência do dia anterior e sabíamos com o que contar. Além disso, a parte mais difícil surgia agora no início e não no final do percurso, pelo que foi mais fácil de superar. Em breve estávamos em Lautém, com o carro coberto de pó branco (como viemos mais depressa, levantámos ainda mais pó), mas satisfeitos por ultrapassarmos sem problemas, em cerca de duas horas, os 60 quilómetros mais difíceis do percurso.

Depois de Lautém a estrada segue junto ao mar por dezenas de quilómetros e as vistas são muito bonitas. A dada altura, parámos num restaurante de beira-da-estrada, onde os viajantes timorenses almoçam. Comemos frango assado, acompanhado por aquele arroz envolto em tiras de milho que se tem de soltar com uma facada. O frango estava bom, crocante, e é sempre uma alegria estar entre os timorenses porque há sempre muitas crianças. Timor é um dos países mais jovens do mundo, com uma média de idades de 19 anos, e o próprio país é jovem, tem apenas 24 anos (a independência foi alcançada em 2002). A taxa de natalidade é uma das mais elevadas do mundo.

Chegámos a Díli calmamente e fomos primeiro atestar o depósito de gasóleo (89 dólares) e depois mandar limpar o carro por dentro e por fora (5 dólares), pois não tivemos coragem de entregar o carro impregnado de poeira. Depois estacionámos no Da Terra, onde jantámos, e não pegámos mais no carro. As refeições no Da Terra Vilaverde são muito boas, simples mas bem confecionadas e a um preço muio acessível: os nossos dois jantares custaram 12 dólares, tudo incluído.

A forma mais livre de circular em Díli é de scooter.

Dia 6

Às nove da manhã, tínhamos terminado o pequeno-almoço, chegou Jefri Liong, com um motorista, para recolher o Pajero. Processo simples, sem burocracia, não houve sequer uma inspeção minuciosa ao carro, Jefri agradeceu, eu agradeci-lhe, o motorista levou o carro, ele partiu numa scooter, e nós ficámos extremamente satisfeitos e só podemos recomendar esta excelente empresa. Não esqueçam: Timor Vehicles, o melhor serviço de aluguer de viaturas em Díli.

E, por falar em scooter, nós também alugámos uma, nesse mesmo dia, no Da Terra, por 20 dólares, mas só depois do almoço, que foi num restaurante indonésio, na mesma rua do alojamento. Deu um jeitão. Fomos até o Palácio do Governo para entregar uma carta solicitando uma entrevista com Xanana Gusmão. Até hoje não obtivemos resposta de vovô Nana, ou dos seus acessores, nem de Ramos-Horta, a quem dirigimos um e-mail umas 3 semanas antes de sairmos de Portugal. Valeram as tentativas.

Depois fomos ao cemitério de Santa Cruz, onde se deu o massacre de pelo menos 250 timorenses (os números não são certos, mas há quem refira mais de 300 mortos) e centenas de feridos, no dia 12 de novembro de 1991. Nesse dia realizava-se o funeral de Sebastião Gomes, morto por um militar indonésio na noite de 27 de outubro. O massacre foi filmado pelo jornalista e repórter de guerra britânico Christopher Wenner, que adotou o nome de Max Stahl, pelo qual é mais conhecido, quando regressou a Timor em 1999, por razões de segurança.

Campa de Sebastião Gomes no cemitério de Santa Cruz.

Max Stahl correu risco de morte, mas acompanhou e filmou a marcha de homenagem a Sebastião Gomes desde a igreja de Moatel até a campa deste no cemitério de Díli, nunca parando de filmar. Sabendo que seria capturado pelos indonésios se não fosse morto, Stahl conseguiu esconder as cassetes com as imagens do massacre dentro de uma vala do cemitério, regressando à noite, depois de ter sido libertado, para as recuperar. Posteriormente, estas imagens foram difundidas pelas televisões de todo o mundo. Esta divulgação constituiu o ponto de viragem a favor da independência de Timor-Leste, cuja luta era escondida pelo ocupante, que queria mostrar ao mundo que os timorenses estavam bem integrados na Indonésia.

A partir daí, o mundo viu que não era assim e tomou consciência da luta dos timorenses. As Nações Unidas e o Presidente dos Estados Unidos (sobretudo estas entidades, mas também o papel ativo dos políticos portugueses) forçaram a Indonésia a aceitar um referendo. E o resultado foi um expressivo “sim” à independência (78,5%), com uma participação recorde de mais de 98% dos eleitores. O desejo de independência não pode ser compreendido sem a ligação a ligação histórica dos timorenses a Portugal, pois foi Portugal que introduziu a religião cristã em Timor-Leste (o maior estado cristão em percentagem da população depois do Vaticano), fator de união entre o povo, a par da língua portuguesa.

Durante o longo período de ocupação dos indonésios (de 7 de dezembro de 1975 até 31 de outubro de 1999), os guerrilheiros timorenses escondidos nas montanhas faziam questão de comunicar em português, como forma de resistência à tentativa de imposição do bahasa, a língua do ocupante, ainda hoje falado como língua de trabalho por uma parte significativa da população. Estima-se que pouco mais de 200 guerrilheiros contra mais de 20 mil soldados indonésios e 40 mil colaboracionistas. “Ridículo”, nas próprias palavras de Stahl. Curiosamente, o tétum, que foi utilizado pelos missionários para cristianização das populações e pela própria Igreja para a celebração da liturgia, era uma língua minoritária. Hoje é a língua que toda a gente fala, sendo raríssimo encontrar um timorense que fale fluentemente português.

Marco que assinala o local onde Max Stahl filmou o massacre de Santa Cruz.

Ficámos imaginando como Timor-Leste seria diferente se Max Stahl não decidisse viajar para lá com visto de turista, à espera que algo acontecesse. Naquela época, ninguém no exterior do território acreditava que a ocupação indonésia fosse revertida. E a maioria dos timorenses, bem como dos portugueses, não sabem que muito provavelmente não existiria Timor-Leste sem Max Stahl.

A história deste jornalista, que sobreviveu a vários conflitos — na América Latina, na ex-Jugoslávia e em Timor — mas que, aos 66 anos, perdeu uma longa luta contra um cancro (foi sepultado em Brisbane, Austrália, exatamente 30 anos depois de ter filmado o massacre de Santa Cruz), está intimamente ligada à própria História de Timor-Leste, sendo aqui considerado um herói nacional. Em 2000, um ano depois do regresso a Timor-Leste, Max Stahl recebeu o maior prémio mundial para repórteres de imagem freelancer, o Rory Peck Award.

Stahl viveu em Timor-Leste, foi cidadão timorense desde 2019, e fundou em Díli o Centro Audiovisual Max Stahl, onde estão guardadas mais de 5 mil horas de filmagens captadas durante 25 anos. Este arquvo foi considerado pela UNESCO como Registo da Memória do Mundo. Em 2016, a Universidade de Coimbra assinou um protocolo com o Centro Max Stahl para obter uma réplica sincronizada do arquivo original, à qual se pode aceder em http://www.uc.pt. Vale a pena fazer uma pausa. E vem-nos à memória a vida de outro britânico, também Christopher, falecido recentemente em Vila Velha, Pernambuco, Brasil.

Um dos ferrys que ligam Díli a Ataúro.

Do cemitério de Santa Cruz, seguimos na scooter em direção ao Cristo-Rei, passando pela bonita praia homónima. O esforço para ultrapassar os 500 degraus é compensado pela vista do topo da colina. Regressámos ao fim da tarde ao Da Terra, e pouco depois estávamos desfrutando do excelente jantar confecionado pela Tina, uma das simpáticas funcionárias do hostel.

Dia 7

Levantámo-nos cedo para apanharmos o ferry para Ataúro. Fomos a pé até o cais de embarque. Tivemos de esperar bastante, o embarque estava atrasado, e depois mais de 3 horas de travessia. Passava do meio-dia quando pisámos pela primeira vez a ilha de Ataúro. Até ao nosso alojamento — Barry’s Place — foram uns meros 500 metros. Uma diária nesta pousada ecológica, incluindo 3 refeições (pequeno-almoço, almoço e jantar) custa 60 dólares. A comida é excelente, os quartos são confortáveis, a maioria em cabanas individuais com um pequeno átrio à entrada, onde se pode relaxar numa cadeira ou numa rede, no seio da natureza. O que pode provocar mais impressão são as casas de banho coletivas e ecológicas.

Entrada do Barry’s Place.

A água residual dos banheiros é utilizada para irrigar bananeiras situadas atrás de cada bloco de instalações sanitárias. Essas bananeiras prosperam graças ao nitrogénio proveniente do sabão contido nas águas residuais. O sistema utilizado na pousada baseia-se no modelo VIP — Ventilated Improved Pit — Latrina de Fossa Ventilada, que utiliza as correntes de ar naturais para dispersar odores através de uma abertura na tampa da sanita. Os tubos de ventilação pretos na parte traseira, bem como a cor preta no interior da bacia sanitária, foram projetados para impedir a entrada de moscas, aproveitando as correntes de convecção (o ar quente sobe). Os dejetos vão diretamente para a fossa. O líquido é drenado para o solo enquanto o material sólido permanece. A estrutura fica bem acima do lençol freático, razão pela qual há degraus para se aceder à casa de banho.

Quando o tanque/fossa enche, é lacrado e a sanita transferida para outro lado, onde há um tanque novo e vazio. O tanque cheio permanece inactivo pelo menos 12 meses, antes de o conteúdo estar pronto para usar em jardins ornamentais, mas nunca em hortas vegetais.

Exteriormente, as casas de banho parecem cabanas normais, com duas entradas elevadas, de um lado a sanita para as necessidades fisiológicas e do outro um tanque de água com um pequeno balde com pega para retirar a água e despejá-la numa espécie de tacho com furinhos, pendurado por cima das nossas cabeças a servir de duche. A Fla estava neste lado do banheiro quando ouviu entrarem na porto ao lado, o som do tampo da sanita bater na parede e alguém exclamar “Oh, meu Deus!”. Era uma algarvia de Tavira que conheceramos no Barry’s, chamada Madalena Mangas, que se alarmou ao observar as baratas circulando na fossa. Ela confessou-nos, depois, que tinha horror a esses insetos. Nós também. Isso não invalida que o sistema ecológico no Barry’s Place não seja um bom sistema.

Na praia de Acrema, em Ataúro.

Ainda na tarde da chegada, depois do almoço, alugámos no Barry’s uma scooter por 24 horas. O preço da diária são 25 dólares. Já montados, seguimos para Nordeste, rumo à praia de Acrema. De início a estrada é boa, mas depois piora significativamente. A dada altura, numa bifurcação, o Google Maps mandou-nos para uma estrada, ou melhor, por um caminho interior e, logo à frente, apanhámos um troço em obras (numa zona íngreme) que tivemos imensa dificuldade em transpôr. A Fla teve de saltar da garupa e montar de novo uns 100 metros mais à frente. Pouco depois, verificámos que estávamos a embrenharmo-nos pelo interior da ilha e voltámos para trás. Um sujeito que passava de moto confirmou que deveríamos ter optado pela direita na bifurcação, e não pela esquerda.

Excetuando uma ladeira de uns 50 metros com o mesmo problema que encontráramos no caminho errado — uma camada de areia (mais pó que areia) fofa, onde a scooter perde aderência — o caminho até Acrema faz-se tranquilamente. Passámos por duas ou três aldeias de pescadores, a última das quais é a própria Acrema. Quatro meninas vieram ter connosco e ficaram sempre por perto, rindo muito, brincando com a Fla e tirando fotos com ela. Oferecemos-lhes um pacote de bolachas que trazíamos na mochila e elas ficaram entretidas a comer enquanto nos observavam mergulhando no mar.

A água é magnífica. Quando saímos perguntámos às meninas se elas costumavam entrar no mar e todas responderam que não. Para nós pode parecer estranho, mas a verdade é que quase não vimos timorenses a banhos. Encontrámos imensas praias desertas, e algumas com meia-dúzia de pessoas fazendo piqueniques à sombra das árvores, mas apenas na praia de Baucau vimos uma família timorense se divertindo no mar, que em Timor-Leste é muito mais uma fonte de rendimento do que de divertimento.

Fadista de Ataúro.

Voltámos de Acrema ao final do dia e ainda fomos à Vila Maumeta, a principal povoação de Ataúro, onde se concentra a maior parte da população desta ilha de 10 mil habitantes. Antes do regresso ao Barry’s ainda parámos para provar dois espetinhos, junto a uma casa à beira da estrada onde um rapaz grelhava frango num carrinho de mão a fazer de fogareiro. Estava divinal, com um tempero que só Deus sabe qual é — o tipo do fogareiro que é um carrinho de mão deve ter-Lhe perguntado.

À noite, depois do jantar no Barry’s já não saímos, até porque não estamos a ver o que poderíamos fazer se saíssemos, não se passa nada à noite por aquelas bandas, talvez unicamente em alguma ocasião especial.

Dia 8

Após o café da manhã fomos de novo à Vila, desta vez com o propósito de visitarmos o ateliê da Boneca, onde trabalham várias costureiras de Ataúro, produzindo lindos objetos, desde bonecas (o primeiro motivo a ser criado) até chapéus, carteiras, mochilas, bibelots e muito mais. O projeto iniciou-se em 2007 com a colaboração entre o padre missionário italiano Luis Fornasier e a designer suíça Ester Zücher, visando a criação de uma cooperativa de mulheres-costureiras e a produção de artigos de artesanato para venda, com a intenção de proporcionar a essas mulheres um rendimento que, face à falta de oportunidades de trabalho, dificilmente conseguiriam de outra forma nesta pequena ilha de Ataúro.

Feliz com as compras na Boneca.

Tem sido um sucesso. A cooperativa que começou com quatro mulheres tem hoje mais de 40 e, às vezes, precisa de ainda mais colaboradores para fazer face a encomendas específicas. Mais de meia centena de famílias beneficiam hoje dos rendimentos gerados pela cooperativa. Embora não se possa dizer, pelo menos por enquanto, que os produtos gerados sejam tradicionais de Ataúro ou mesmo de Timor-Leste, a maioria dos materiais usados são locais.

Várias pessoas e instituições se têm interessado por este projeto, como é o caso, entre muitos outros, do Instituto Camões e do catalão David Palazon, que realizou em 2016 o documentário animado “Boneca de Ataúro: Searching for the Lost Love”, vencedor nesse mesmo ano do prémio para a melhor curta-metragem asiática na 4ª edição do Festival de Cinema Asiático de Salamindanaw, nas Filipinas.

Comprámos uma linda boneca, uma mochila e dois passarinhos, despedindo-nos assim das costureiras presentes e particularmente da Anastácia Ximenes Saldanha, que nos recebeu quando chegámos e nos acompanhou durante a nossa visita à Cooperativa Polivalente Boneca de Ataúro, e da própria Vila Maumeta, já com saudades, mas felizes. Entregámos a scooter, fomos almoçar e ficámos o resto da tarde no Barry’s, lendo, escrevendo, relaxando, deixando-nos envolver pela languidez do lugar. E assim até o jantar e depois até o dia seguinte.

Na estrada entre a Vila Maumeta e Acrema.

Dia 9

No último dia em Ataúro decidimos fazer snorkeling. Barry tinha-nos dito que a maré não estava de feição, mas o senhor António, que é quem leva o barco até junto do recife, disse-nos que, sim senhor, podíamos ir, estava bom para ver os paixes e os corais, apesar da maré vazia. Fomos com a Madalena Mangas, que se juntou a nós, e até que foi bem legal. Mais tarde, nesta viagem, acabaríamos por fazer snorkeling noutros locais, e vermos não só mais peixes e corais, mas também tartarugas e até mergulhadores com garrafas de oxigénio e tudo.

Antes de apanharmos o barco de volta à ilha de Timor, ainda almoçámos no Barry’s e ficámos por ali fazendo tempo até pouco antes da hora de partida, que foi às 3 da tarde. É pouco provável que alguma vez voltemos a Ataúro, mas nunca se sabe. Chegámos a Díli por volta das 6 da tarde, quando o sol se estava quase a pôr. Tivemos um problema com o novo alojamento chamado Sunmoon Apartments, que supostamente seria numa rua junto ao Timor Plaza, mas que à última hora mudaram para um local perto do cais onde desembarcáramos. Quando lá chegámos o quarto era miserável e recusámo-lo. Tivemos de marcar um quarto no Plaza Hotel, e depois de deixarmos as mochilas no quarto fomos jantar ao Tavirense.

Este restaurante, na mesma rua do Plaza Hotel, tínha-nos sido indicado pela Madalena Mangas, em Ataúro, quando ela soube que morávamos em Tavira, e, logicamente, não podíamos deixar de lá ir. Toi, o dono, quando lhe disseram que morávamos em Tavira (mais propriamente, em Conceição), fez-nos uma festa. Durante largos minutos estivemos à conversa e ficámos a conhecer todo o percurso de Toi e da sua mulher em Timor-Leste. Foi como se nos conhecêssemos há muitos anos. Um pouco surreal, mas também bastante interessante e engraçado. Além disso, come-se muito bem no Tavirense. Quando chega o São João, o padroeiro de Tavira, Toi importa sardinhas em vácuo de Portugal, enfeita a rua onde fica o restaurante e faz uma enorme festa para celebrar o dia do seu santo.

O Tavirense, em Díli.

Saímos satisfeitos do Tavirense, andámos um pouco a pé para fazer a digestão, e fomos para o hotel.

Dia 10

Este foi o dia em que experimentámos os incríveis microlets de Díli. São bastante eficientes, pois há muitos e nunca tem de se esperar demasiado tempo para apanhar um. Além disso, há 13 rotas diferentes, o que resulta numa rede eficiente, que satisfaz, como pudemos comprovar, as necessidades dos dilienses.

Após o pequeno-almoço apanhámos a carreira 10 até ao Timor Plaza, o centro comercial mais famoso de Díli, de cujo parque de estacionamento partem os autocarros de longo curso, inclusive para a parte indonésia de Timor, nomeadamente para Kupang, para onde viajaríamos no dia seguinte. Do Timor Plaza, onde fizemos algumas compras, apanhámos a carreira 13 até o hotel onde dormiríamos a próxima noite, o Arbiru Beach Resort. Escolhemos este hotel precisamente por ficar relativamente perto do Timor Plaza, porque o autocarro para Kupang partiria às 7 da manhã. Felizmente, este hotel providencia serviço de transporte gratuito, o que se revelaria de grande utilidade no nosso caso.

No interior de um microlet: Fla com Elhy Pereira.

O hotel tem também uma boa piscina, onde demos algumas braçadas, sem nos demorarmos muito tempo. Antes disso, porém, ainda voltámos a apanhar um microlet, desta vez o nº 9, para irmos almoçar. Ficámos espreitando para vermos se topávamos algum restaurante interessante, parámos no mercado municipal, mas a comida era demasiado básica para o nosso gosto, e acabámos por apanhar ainda outro microlet que passou numa avenida próximo do Timor Plaza, onde vimos um restaurante indonésio e aí almoçámos. Aproveitámos a tarde para então estarmos um pouco na piscina, mas sobretudo para descansarmos. Jantámos no Arbiru, a comida era aceitável, mas não nos entusiasmou. Fomos dormir cedo.

Dia 11

Acordámos às 5:45 da manhã, tomámos banho, arrumámos as trouxas e às 6:15 estávamos dentro da carrinha do hotel prontos para seguirmos para o parque de estacionamento do Timor Plaza e apanharmos o autocarro para Kupang, em Timor Ocidental, Indonésia. Tínhamos comprado os bilhetes com antecedência na empresa Babadok, por isso conseguimos dois bons lugares, bem na frente do autocarro, com vista privilegiada para a estrada. Partimos com algum atraso, e alguns minutos depois parámos num pequeno mercado, à saída de Díli, onde os passageiros compraram o que quiseram para comer ou beber.

Uma das últimas imagens de Díli.

A estrada até à fronteira bordeja a costa, numa primeira fase, com vistas bonitas sobre as praias, passa por pequenas localidades, até que inflete para o interior, entra em zona montanhosa, cheia de curvas e contra-curvas, transpondo os quilómetros penosamente. Depois, volta a seguir junto à costa. A bordo a música não para e os dois motoristas vão-se revesando ao volante de x em x quilómetros. Finalmente chegamos à fronteira, primeiro Timor-Leste e, uns metros depois, a Indonésia. Há filas. Para passarmos a fronteira demoramos mais de uma hora e meia, mas lá continuamos, agora já no interior da Indonésia, onde as estradas melhoram significativamente.

Na região de Atambua paramos para almoçar, mais propriamente no restaurante Rindu Minang, na cidade homónima. Para nosso espanto, quando íamos pagar, disseram-nos que o almoço estava pago. Perguntámos porquê, e disseram-nos que o proprietário do restaurante, de seu nome Viktor Gogo, fazia anos e que neste dia ninguém pagava nada. Ainda por cima provámos um excelente café de Timor-Leste, pelo que agradecemos ao Viktor Gogo através das funcionárias de serviço, na impossibilidade de o fazermos pessoalmente. Foi aqui que conhecemos uma jovem timorense que ia como nós para Kupang, para depois apanhar um voo para Jacarta, onde estuda numa universidade. Seu nome é e, como seria de esperar, fez amizade com a Fla.

Passagem de Timor-Leste para a Indonésia, em Mota’ain.

O melhor das viagens talvez sejam mesmo as pessoas. Tão diferentes de nós e simultaneamente tão próximas. Sentir e refletir sobre esse aparente antagonismo ajuda-nos a ser mais tolerantes e abertos, ou pelo menos deveria ajudar-nos. Também conhecemos nesta longa viagem de autocarro um jovem médico timorense, que estava a tirar uma pós-graduação na Indonésia, e nos foi dando informações preciosas durante o percurso, num português quase perfeito. Começou a anoitecer e o motorista mais jovem conduzia o autocarro com extraordinária perícia, apitando, apitando, apitando a cada ultrapassagem. Depois de cerca de 15 horas de viagem, chegámos ao terminal rodoviário de Kupang. Timor-Leste, esse pequeno país extraordinário, nosso irmão, já nos fazia sentir saudades.

A segunda parte da viagem registar-se-á em próximo artigo.

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