As Cidades Bálticas

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Através desta mapa é possível deduzir a extrema importância do Báltico – e da sua ligação ao Mar do Norte, ao Atlântico e ao mundo – para todos os países da região.

Ao que parece, antes de ser mar, o Báltico foi um enorme lago. O derretimento das grandes caleiras de gelo que o circundavam fez subir o nível das águas e abriu, durante a última glaciação, canais navegáveis para outros mares. A nossa viagem pelo Báltico foi feita de navio. Procurámos o melhor cruzeiro e temos a presunção de tê-lo encontrado, através do Costa Pacífica [1]. Foram doze dias intensos, em que visitámos nove cidades (e oito países)[2] desse mar quase mítico, onde se desenrolaram tantos capítulos cruciais da história europeia e, logo, da história mundial.

As disputas no Báltico são muito antigas[3], e alguns dos seus povos confrontaram-se com invasões sucessivas de vizinhos mais poderosos, sobretudo dinamarqueses, suecos e, nos últimos séculos, russos e alemães. Os russos foram os últimos a abandonar alguns países bálticos que integravam a então União Soviética, como são os casos de Estónia, Letónia, Polónia e Lituânia. Dos que foram atacados pelos soviéticos, o único país a resistir com sucesso foi a Finlândia.

Como sempre acontece em ocupações mais ou menos prolongadas, largas minorias da potência ocupante permanecem nos Estados que reconquistam a independência. É o que acontece, por exemplo, na atual Ucrânia[4], com as graves consequências políticas, que todos vamos conhecendo através da comunicação social. A Rússia procura, nitidamente, alargar a sua zona de influência, através das minorias (e partidos representativos das mesmas), espalhadas por esses países.

Estamos, portanto, a falar de uma zona instável, de países que reconquistaram recentemente a independência, de uma zona tampão, estratégica, alvo de disputas políticas entre a Rússia e a Europa Ocidental. Mas estamos também a falar de povos muito antigos, povos com uma vontade inquebrantável de autonomia. Todos eles – excetuando obviamente a própria Rússia – parece terem achado que a melhor forma de garantir essa autonomia era no seio da União Europeia. São, portanto, nossos parceiros de jornada e, só por isso, já estaria justificada esta viagem. Na realidade, porém, são muito mais. São países fascinantes com histórias e culturas riquíssimas – a maioria das cidades que visitámos estão classificadas como Património Mundial – que justificam amplamente a decisão de visitá-los.

KIEL

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A nossa equipa de reportagem no primeiro jantar no navio, à saída de Kiel.

Foi em Kiel que se iniciou a nossa viagem pelo Báltico. Esta cidade é a capital da Schleswig-Holstein Busdesland, fundada, em 1223, pelo conde Adolfo IV de Schauenburg, e está situada no extremo norte da Alemanha, junto à fronteira com a Dinamarca. Para aqui chegarmos tivemos de apanhar o avião (de Lisboa) para Hamburgo, onde dormimos uma noite, e, na manhã seguinte, tomar o comboio para Kiel. Quer numa, quer noutra cidade encontrámos alemães simpáticos e prestáveis, em contraste notório com o tempo sombrio e chuvoso, embora estejamos em pleno Verão. No regresso do cruzeiro voltámos a passar por Kiel, onde ficámos um dia e uma noite. Na manhã do dia seguinte apanhámos o comboio até o aeroporto de Hamburgo, tendo sido necessário mudar uma vez de composição. O transporte ferroviário é barato por estas bandas, com bilhetes coletivos, o que facilita muito a vida quando se viaja acompanhado, como foi o nosso caso. Às oito horas da tarde, embora seja pleno dia, as pessoas recolhem-se em casa e as ruas ficam praticamente desertas. O clima é mesmo agreste por aqui, como, de uma forma geral, em toda a Alemanha.

ESTOCOLMO

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A célebre Praça Stortorget, em Estocolmo.

A parte mais interessante de Estocolmo é o burgo antigo (Gamla Stan), erguido sobre uma das catorze ilhas em que a cidade repousa. Ali pudemos observar belos edifícios, ruas e praças – como aquela onde se situa a Academia Sueca e o Museu do Nobel. Estocolmo é bastante antiga e a sua localização estratégica fez com que fosse capital da Suécia desde o século XIII. Atualmente, é uma das cidades mais limpas, organizadas e seguras do mundo. Nos arrabaldes de Gamla Stan, numa ilha vizinha, visitámos o edifício do City Hall[5], construído em 1923, uma das edificações mais visitadas da cidade. Um senhor muito simpático perguntou-nos se sabíamos quantos tijolos tinham sido usados na construção daquele edifício. “Oito milhões”, disse-nos, sorrindo, acrescentando que sempre faz essa pergunta aos netos quando por ali passam…

Entrar e sair de Estocolmo por navio é um espetáculo à parte: são quatro horas a navegar entre milhares e milhares de pequenas ilhas (cerca de vinte e quatro mil!), muitas delas habitadas, arborizadas, graníticas, com suas casas e seus ancoradouros, junto aos quais flutuam embarcações de todos os tipos – veleiros, barcos a motor, motas de água e, até, pequenos barcos a remos. O nosso grande navio serpenteou por entre essas ilhas (muitas delas apenas ilhéus e ilhotas), por canais que só os pilotos locais podem conhecer. Ao percorrê-los, ficamos com uma noção mais perfeita da localização estratégica desta magnífica cidade.

Como se sabe, a Suécia é um dos países mais desenvolvidos do mundo, e é o terceiro maior país da União Europeia. No entanto, a densidade populacional é muito pequena (21 habitantes por quilómetro quadrado) e a Suécia tem menos habitantes que Portugal, cerca de 9,3 milhões.

HELSÍNQUIA

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Monumento a Sibelius, Helsinquia.

Se Estocolmo surpreendeu, Helsínquia não ficou atrás. Historicamente, a vida dos finlandeses não tem sido fácil, entalados entre as potências Suécia e Rússia, ambas ocupantes da Finlândia por períodos bastante longos: foi parte da Suécia até 1809 e, posteriormente, Grão-Ducado autónomo pertencente ao Império russo. Muitas das construções de Helsínquia são ainda desse tempo, algumas delas bastante interessantes. Mas os finlandeses nunca se conformaram com as ocupações e sempre deram mostras de serem um povo valoroso e empreendedor. Em 1917 foi declarada a independência. Seguiu-se uma guerra civil e guerras contra russos e alemães. Em 1939 resistiram a Estaline, com um terço das tropas do adversário e com um arsenal bélico igualmente muito inferior. Não é de admirar, portanto, que aqui existam vários militares heróis nacionais, com estátuas espalhadas pela cidade. Os finlandeses são, além de determinados, naturalmente tímidos, mas muito afáveis e educados. O seu sistema educativo é de primeiríssimo nível, o melhor que se conhece no mundo. Tudo isto se reflete nas ruas. Helsínquia é uma cidade calma, musical, ordeira, alegre e civilizada; e, talvez a brindar-nos pela nossa visita, inesperadamente soalheira. Esta belíssima cidade sempre foi relativamente pequena, contando hoje em dia com cerca de 600.000 habitantes. Toda a Finlândia terá pouco mais de cinco milhões, cerca de metade de Portugal. A língua finlandesa é parecida com o estoniano e, curiosamente, não tem origem indo-europeia[6].

SÃO PETERSBURGO

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Foi sobre o delta do Neiva que construíram São Petersburgo.

São Petersburgo tem algumas semelhanças com as cidades que visitámos antes – Estocolmo e Helsínquia – sobretudo no que se refere à geografia[7] e ao clima, mas também quanto às numerosas catedrais e igrejas ortodoxas. No resto, é bastante diferente. São Petersburgo tem as características de uma cidade imperial, com seus palácios, guarnições militares e monumentos eminentes; e é igualmente uma cidade de grande atividade cultural, com um número considerável de museus, teatros, bibliotecas, salas de espetáculos e livrarias.

É também diferente por ser uma cidade relativamente nova. Fundada há 312 anos por Pedro, o Grande, primeiro imperador da dinastia Romanov, foi capital da Rússia por cerca de 200 anos, e mudou de nome várias vezes (foi Petrogrado e Leninegrado) até voltar a ser São Petersburgo. A cidade repousa sobre mais de quarenta ilhas, no delta do rio Neiva, e conta, atualmente, com mais de cinco milhões de habitantes. A estes acrescem os inúmeros turistas que visitam, sobretudo no Verão, a cidade mais ocidentalizada da Rússia[8], apesar da política reacionária de Putin e seus comparsas, apoiados pela maioria do povo russo. Neste aspeto a Rússia difere muito quer da Suécia, quer da Finlândia, países com os quais manteve conflitos ao longo de vários anos. Isto mesmo podemos confirmar através de um guia local que acompanhava um grupo de italianos. Ouvimo-lo dizer, à porta da catedral de S. Pedro e S. Paulo, que os russos apoiam Putin; que detestam Gorbatchov; que a maioria deles acha positiva e patriótica aquilo que foi a política de Estaline.

Como ficou dito, São Petersburgo é uma cidade monumental. É fácil descobrir pela internet quais os seus lugares de interesse, que são mesmo muitos. Evidentemente, no pouco tempo que estivemos na cidade, visitámos apenas uma pequena parte deles. São Petersburgo é daquelas cidades que merecem uma visita demorada, pelo menos de uma semana.

TALIN

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Placa evocativa do terror comunista, no centro histórico de Talin.

Talin é uma cidade completamente diferente das três anteriores. Mais pequena; mais modesta; mais sombria (pelo menos no dia em que a conhecemos) – o que não quer dizer, forçosamente, menos bela. No seu casco velho, dividido em duas zonas, encontramos os mais interessantes edifícios, alguns dos quais medievais, que nos contam muito da sua história. Uma história de repressão imposta, desde cedo, por povos mais poderosos, como os dinamarqueses, os alemães, os suecos e os russos. O próprio nome da cidade quer dizer “Fortaleza dos Dinamarqueses”, “Taani Linnus”, que deu origem a Tallin.

Fustigados pelos soviéticos durante grande parte do século XX (com breve intervalo durante a II Guerra Mundial, quando os alemães tomaram a Estónia), este povo sempre teve um fortíssimo desejo de independência. Esta seria alcançada apenas no fim dos anos oitenta e, enquanto não conseguiam a liberdade, os estonianos reuniam-se para cantar em grandes manifestações que, embora culturais, eram também, e sobretudo, de protesto. Em celebração desses tempos, ainda hoje, de cinco em cinco anos, se realiza em Talin o Festival da Canção, que reúne, durante dois dias, todo o povo da Estónia[9]. A tradição destes festivais remonta a 1869. De Talin trouxemos um CD (Tabula Rasa) de um dos seus músicos mais emblemáticos, Arvo Pärt.

RIGA

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A Praça da Câmara Municipal, em Riga, onde se situa o célebre edifício dos Cabeças Negras.

Riga é uma cidade belíssima. Esta afirmação é reforçada pelo espanto que nos provoca o conhecimento dos terríveis bombardeamentos a que foi submetida durante a II Guerra Mundial, bem como a determinação de seus habitantes em recuperá-la, após o longo período de ocupação – e abandono – soviético, que apenas terminou em 1991. Riga deve o seu nome ao pequeno rio sobre o qual, depois de aterrado, a construíram. Os primeiros a desenvolverem a cidade foram os alemães, que aqui chegaram em 1202 e permaneceram, com suas língua e cultura, por cerca de 700 anos, embora escavações realizadas em 1938 tenham provado que tribos locais se haviam estabelecido em Riga muito antes da chegada dos alemães.

Riga é, pois, um burgo muito antigo. Isso se comprova por toda a parte central da cidade (Vecrïga), através de edifícios medievais, quase saídos de contos de fadas. Destes, destaca-se, pelas suas incríveis beleza e singularidade, a “Casa dos Cabeças Negras”. Inicialmente construído em 1334, este magnífico edifício foi alvo de reformas ao longo dos anos e, em 1721, tornou-se propriedade dos Blackheads. Destruído por um incêndio logo nos primeiros dias da II Guerra Mundial, tal como Fénix, renasceu, literalmente, das cinzas.

Mas Riga não é inesquecível apenas pelos seus belos edifícios medievais. Os amplos espaços verdes, os cafés, com belíssimas esplanadas, e as praças, onde convivem harmoniosamente, monumentos, esculturas, plantas e flores, artesãos e meros transeuntes – tudo lhe confere um colorido inigualável. Nota-se também um enorme dinamismo em Riga, sobretudo entre a população mais jovem (quase todos falam bem inglês), que augura um futuro risonho a esta notável cidade báltica.

KLAIPEDA

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Vista sobre Klaipeda e o rio que cruza a cidade.

Apesar de ser também muito antiga – fundada em 1252 – Klaipeda não tem o fulgor das restantes cidades que visitámos, sobretudo do ponto de vista histórico-cultural (e, logicamente, turístico). Não deixa, porém, de ser uma cidade importante (a terceira maior da Lituânia), sobretudo porque é a única que tem um porto marítimo, de vital importância económica. Trata-se, aliás, de um porto extenso e completo, com terminais para todo o tipo de cargas e também para passageiros. Se do ponto de vista arquitetónico Klaipeda não é uma relíquia, ela é harmoniosa e singela do ponto de vista natural. O rio Dane, que a corta ao meio, confere-lhe alegria, frescura e paz. Tal como a Estónia e a Letónia – suas parceiras na União Europeia e no Euro – a Lituânia tem tudo para sonhar com um futuro melhor.

GDANSK

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Edifícios de uma das ruas centrais de Gdansk, cidade natal de Arthur Schopenhauer.

É um pouco estranho que se fale tão pouco de Gdansk – ou, então, temos andado demasiado distraídos. Isto é o mais provável, dado que a cidade estava repleta de turistas quando a visitámos: Gdansk é um grande museu ao ar livre. Esta realidade impõe-se com tanta evidência que chegamos a esquecer-nos do seu relevante papel económico, sobretudo na vertente portuária, vital para o comércio com o exterior, o qual já era importante no século XIII.

Gdansk é, pois, uma cidade muito antiga. Foi no período entre 1580 e 1650 – considerado “época dourada” – que a faceta artístico-cultural da cidade se desenvolveu enormemente. Uma das causas deste desenvolvimento foi a Reforma. Ao Gótico seguiu-se o Renascimento e a este, sob influência holandesa, o Maneirismo. Naqueles tempos prevalecia a tolerância religiosa e esta proporcionou o ambiente propício para que ali se estabelecessem milhares de artesãos e artistas, oriundos de todas as partes da Europa. Assim surgiram obras de arte que tornaram esta cidade uma das mais belas do mundo.

A invasão prussiana, a partir da segunda metade do século XVIII, vem estancar este processo criativo e, mais tarde, o próprio desenvolvimento económico de Gdansk. Em 1793, a cidade passou a fazer parte da Prússia e foi submetida a um longo processo de germanização, interrompido apenas no curto período de soberania francesa, de 1807 a 1814. Após a Grande Guerra, e com a influência inglesa, foi declarada, em 1920, a cidade livre de Gdansk, sob protetorado da Liga das Nações. No final da II Guerra Mundial, em 1945, as tropas soviéticas destruíram quase 90% do centro histórico da cidade. Depois da guerra, os polacos reconstruíram-no e, nas décadas de setenta e oitenta, foram em Gdansk que se deram as revoltas e greves operárias contra o regime pró-soviético, sobretudo através do sindicato independente Solidariedade e do seu carismático dirigente, Prémio Nobel da Paz em 1983 e, mais tarde, presidente da Polónia (1990-95), Lech Walesa.

GDYNIA

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Perspetiva dos elevadores centrais do Costa Pacifica, na última noite a bordo, após saída de Gdynia.

Gdynia é uma cidade muito mais recente que Gdansk, situada a poucos quilómetros desta[10], igualmente nas margens do Báltico e igualmente portuária, ainda na baía que deve o nome à sua magnífica vizinha. Enquanto esta está muito vocacionada para o turismo externo, Gdynia é uma cidade onde se podem ver muitos veraneantes locais. Podemos observar uma praia repleta de gente, com boas infraestruturas, muitas crianças brincando num parque infantil em plena praia e, em local contíguo, uma marina repleta de embarcações de recreio. Na envolvente, muitos bares e restaurantes (almoçámos num deles), parque de diversões, jardins, numa área generosa, plana e de fácil acessibilidade, praticamente no centro da cidade. Neste país é mais difícil encontrar pessoas que dominem línguas estrangeiras, nomeadamente o inglês; nota-se  que a população não tem os níveis de educação que encontrámos em outros países bálticos. Mas parece que a Polónia apresenta um dinamismo económico que lhe garante um bom futuro. Não podemos esquecer que também ela é um país recentemente independente. Com a dimensão que tem e o rumo que leva, a Polónia será em breve uma potência económica e – espera-se – social.

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Notas:

[1] O itinerário que o Costa Pacifica cumpriu é excelente. Porém, o serviço a bordo – para quem conhece outras companhias de cruzeiro, nomeadamente a MSC – deixa muito a desejar. E, a propósito, vamos deixar uma dica preciosa a quem quiser viajar em navios de cruzeiro (e se preocupe com os preços). Existe um sítio na internet onde os preços dos cruzeiros ficam muito mais baratos, em muitos casos, a menos de metade do preço: http://www.cruisedirect.com.

[2] São nove os países bálticos. Destes, apenas não visitámos a Dinamarca. Estivemos em Alemanha, Suécia, Finlândia, Rússia, Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia.

[3] A Grande Guerra do Norte foi uma das maiores da região báltica. Nela se defrontou o Império da Suécia contra uma tríplice aliança formada por Dinamarca-Noruega, Saxónia-Lituânia-Polónia e Rússia. Comandada pelo jovem Carlos XII, a Suécia subjugou todos os adversários até ser derrotada pela Rússia na batalha de Poltava, em 1709, obrigando Carlos XII a exilar-se em território do Império Otomano. A guerra porém ainda se arrastaria por mais 12 anos (durou de 1700 a 1721) e terminou com o Tratado de Nystad, entre russos e suecos, que se confrontariam de novo em 1741-1743 e em 1788-1790. E não se pense que foram apenas estes os confrontos entre a Suécia e a Rússia, que se degladiaram ao longo dos séculos XV, XVI e XVII (e ainda antes, na Idade Média, embora a Rússia ainda não tivesse o seu nome atual), por várias vezes, assumindo-se como as duas grandes potências da região. Uma história do Báltico, ainda que muito resumida, não caberia apenas em um artigo deste blogue.

[4] A Ucrânia, evidentemente, não faz parte dos países bálticos. A Rússia, sendo o maior país do mundo, tem fronteiras longuíssimas, que vão muito para lá do Báltico e que, no quadrante ocidental, cortam praticamente a Europa de Norte a Sul; uma extensa zona, historicamente conflituosa, face a interesses geopolíticos divergentes.   

[5] Câmara Municipal.

[6] Tal como o húngaro e o estoniano, o finlandês é considerado, pela maioria dos linguistas, uma língua fino-úgrica, uma sub-família das línguas uralianas. Pensa-se que as origens das línguas fino-úgricas remontem ao terceiro milénio antes de Cristo, algures no norte e centro da atual Rússia, a oeste dos Montes Urais.

[7] Por toda a região báltica existe um número infindável de ilhas. Estocolmo, Helsínquia e São Petersburgo estão localizadas sobre ilhas. Isto sugere que a profundidade média desse mar deve ser baixa. Notámos ainda que no Báltico a navegação é intensa, devendo este mar ser o principal meio para o comércio entre os países da região.

[8] Cidade mais ocidentalizada, mas não a mais ocidental. Existe um enclave russo chamado Kaliningrado, que também fica no Báltico, mas mais para ocidente, entalado entre a Lituânia e a Polónia, que é a ponta da lança que a Rússia tem na Europa. Este pequeno estado (oblast) russo é simultaneamente o nome da sua principal capital. Uma cidade conquistada na sequência da II Guerra Mundial, uma cidade hoje completamente degradada, que deve o seu nome a um amigo de Estaline,  Mikhail Kalinin, mas que foi durante centenas de anos uma cidade próspera e magnífica – a cidade onde nasceu o grande filósofo Immanuel Kant – a bela cidade medieval de Konigsberg, capital da Prússia Oriental.

[9] A Estónia e a Letónia faziam parte da região histórica da Livónia, muito disputada entre as potências do Báltico (sobretudo russos e suecos)ao longo dos anos.

[10] Cerca de vinte cinco quilómetros. Gdynia, Gdansk e a cidade termal de Sopot formam a região metropolitana de Tricity, a qual tem uma população de mais de um milhão de habitantes.