A importância da bandeira

bandeira do Brasil

Foi quase há um ano que deixei aqui o meu artigo “Base de um Programa Eleitoral para Mudar o Brasil, em 10 Pontos Prioritários”. Entretanto, ocorreu a campanha eleitoral e o que se debateu? Tudo, menos aquilo que realmente importava discutir: os problemas gravíssimos que o país enfrenta. Um mês depois do fim da campanha para a presidência, a luta política continua nos mesmos moldes: quem é mais corrupto; se se rouba mais hoje que ontem; se este governo é mais ou menos ladrão que o anterior…

As cidades brasileiras continuam sem saneamento; as estradas e ruas e passeios do Brasil continuam esburacados; continuam a ser assassinados mais brasileiros todos os anos do que soldados em muitas guerras; nem 10% dos crimes de morte são investigados; os brasileiros continuam sem educação de qualidade e isso reflete-se em todos os setores da vida comunitária; a produtividade é confrangedoramente baixa; a inflação ameaça o rendimento dos mais desfavorecidos; a corrupção do Estado é gigantesca; o investimento é anémico; a dívida externa não pára de crescer; a burocracia tolhe o desenvolvimento económico e a paciência dos cidadãos; a Saúde Pública é deficiente; a Justiça não é independente; etc, etc, etc.

E o que se discute é quem é o maior ladrão – se o partido A ou o partido B…

Talvez fosse preferível o Brasil seguir a frase escrita em sua bandeira. “Ordem e Progresso”. Primeiro “ordem” e depois “progresso”, e não o contrário.

Se isto parecer pouco importante, talvez um economista do desenvolvimento, o britânico Paul Collier, seja mais elucidativo[1]. Diz ele que o estabelecimento do Estado de Direito num país acontece em quatro etapas:

1ª (e indispensável) – Reduzir a violência.

2ª – Proteger os direitos de propriedade.

3ª- Impor controlos institucionais sobre o governo.

4ª- Combater a corrupção no setor público.

Parece que, sob estes critérios, o Brasil não é, de facto, um Estado de Direito. Mas pode vir a sê-lo se os brasileiros se convencerem que têm de seguir, sem inversões e sem cedências à demagogia, o que está escrito na sua bandeira.

Ontem, já era tarde…

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[1] http://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Collier