Alfamenses ilustres

Alfama 1930Nenhuma História da Alfama dos últimos 50 anos ficará completa sem uma referência aos personagens mais conhecidos do bairro, cidadãos ilustres, míticos, mais ainda porque nenhum deles teve consciência do seu estatuto de alfamense imortal.

Entre todos, o maior era o Mata-Gatos. Bom rapaz, mas que não se metessem com ele! A malta cumprimentava bom dia Zé, boa tarde Zé – e o Zé sempre sorria e cumprimentava também. E se havia alguém que, escondido num beco ou dissimulado num grupo, gritava ó Mata-Gatos!, aí era certinho, voavam os pombos sem asas que o Zé levava nos bolsos do casaco. Às vezes acontecia quebrar uma cabeça ou o vidro de um carro, mas o mal do Zé era batatas.

Grande Mata-Gatos! Era uma figura – daquelas que não se fazem mais!

Outro personagem – o único que pode ainda estar vivo – é o Vítor Beatas, que continuava a apanhar restos de cigarros (“beatas” ou “grilas”) do chão, há cerca de um ano, a última vez que o vi, em Alfama. Nunca comprou tabaco. E durou, pelo menos, até os 85 anos. Espero que esteja ainda vivo, e revê-lo a apanhar beatas, como sempre, desde há cinquenta anos, quando voltar em breve a Alfama.

Os demais ilustres – sobretudo na Alfama de Cima, onde mais convivi – eram o Teófilo Borda d’Água, o Augusto Galinha (também conhecido por Augusto É Bom), o Magala, o Esticó Braço, o Rei do Sebo e o Doutor Maluco.

Curvo-me perante a memória de cada um deles.