Cavaco

Perguntavamo-nos algumas vezes por que razão alguém apoiaria uma pessoa que a nós parecia tão notoriamente inadequada para Chefe de Estado. Demorou algum tempo, porém, até percebermos que esta questão está mal colocada. Haverá sempre alguém que goste de pessoas que nos parecem execráveis, e vice-versa. A verdadeira questão não é essa. O importante é saber por que razão a Esquerda (e nós somos de Esquerda e nunca votámos no Sr. Silva) não soube angariar um candidato que galvanizasse as pessoas, que as fizesse não optarem por Cavaco – pois é evidente que, se elas votaram em Cavaco, é porque não tinham alternativa melhor. E a resposta é só uma: a Esquerda, apesar de toda a propaganda, está-se nas tintas para o povo. Esta afirmação pode constituir alguma surpresa, mas só para quem ande muito distraído. Desde o 25 de abril que a Esquerda coloca acima do povo – de quem apregoa ser a principal e, mesmo, única defensora – a ideologia, a estratégia e a rigidez de princípios. Esta falta de flexibilidade é aproveitada, e bem, pela Direita, que se une, no essencial, quando é preciso, como aconteceu nas duas eleições de Cavaco Silva.

Outro grande problema da Esquerda mais conservadora (ou, se preferirem, ortodoxa) traduz-se na incapacidade de autocrítica. Evidentemente, não assume qualquer responsabilidade pelo desastre que Cavaco representa para o país. Essa incapacidade de autocrítica impede a Esquerda de melhorar e afasta-a do povo.

E o povo responde afastando-se dela.

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Foto retirada de: https://www.comunidadeculturaearte.com/cavaco-silva-anda-a-explorar-a-netflix-e-gostou-imenso-da-serie-the-crown/

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Os Ricos

Está na moda, de novo, bater nos ricos. Belmiro de Azevedo e Américo Amorim, entre outros, são ricos. Isto é quase tudo o que sei sobre eles. Será o suficiente para os detestar? E, por outro lado, “rico” foi, é ou será sinónimo de “pulha”? Eu diria que “não” a estas duas perguntas, também por duas razões. A primeira, geral, porque pulhas existem e existirão sempre entre pobres, ricos e remediados. A segunda,  mais concreta, porque existem ricos que são nobres, bondosos e altruístas.

Não me darei ao trabalho de citar exemplos, sempre demasiado subjectivos, nesta matéria. Acrescentarei apenas que a nobreza ou vileza de carácter não se mede pelo dinheiro ou bens que se possuem. Uma boa medida para avaliação seria, talvez, a análise da forma como nos relacionamos com o próximo.

“Próximo”, como o termo indica, podem ser os nossos filho, pai, vizinho, amigo, colega ou periquito. Se amarmos o próximo, será mais provável que amemos também a sociedade, o mundo e até o universo. De facto, eu tenho as maiores dúvidas sobre aquele, seja qual for a sua condição social, que tem as mais belas ideias sobre o mundo, mas maltrata seu cão.

À parte a inveja que provoca em alguns seres completamente insuspeitos, a riqueza, em si mesma, não é má. Má, vil e inútil continuará a ser, sempre, a estupidez.

Dado que não é realisticamente possível eliminar quer a riqueza quer a estupidez, a separação entre ambas constitui, na minha perspectiva, um dos pilares de um mundo minimamente decente. A sua junção, essa sim, constituiria — constituirá sempre — o desastre completo.

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Ranking dos 10 políticos portugueses mais detestáveis

1º- Cavaco Silva “O Conspirador”

2º- Francisco Louçã “O Moralista”

3º- Alberto João Jardim “O Troglodita”

4º- Nuno Melo “O Malandreco”

5º- Manuel Maria Carrilho “O Cínico”

6º- José Pacheco Pereira “O Convencido”

7º- Bernardino Soares “O Ortodoxo”

8º- Miguel Relvas “O Hedonista”

9º- Marcelo Rebelo de Sousa “O Quadrilheiro”

10º- Paulo Portas “O Oportunista”

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