Alfama descobriu o mundo. O mundo descobre Alfama.
Autor: Jorge Costa
Fez percursos académicos nas áreas das Filosofia, Comunicação Social, Economia, Gestão dos Transportes Marítimos e Gestão Portuária, e estuda outras disciplinas científicas. Interessa-se igualmente por Arte, nas suas diversas manifestações, e também por viagens. Gosta de jogar xadrez. O seu autor preferido, desde que se lembra, é Karl Popper. Viveu em locais diversos, sobretudo em Portugal e no Brasil, pelo que se considera um cidadão do mundo. Atualmente vive em Cabanas, no Sotavento algarvio. Gosta de revisitar, sempre que pode, a bela cidade de Lisboa e, nela, o bairro onde nasceu, Alfama, o mais popular da capital, de traça árabe, debruçado sobre o Tejo — esse rio mítico, imortalizado por Camões e Pessoa, poetas maiores da Língua Portuguesa. Não é, porém, um bairrista, característica que deplora, a par dos clubismo, partidarismo e nacionalismo. Ama a Liberdade.
Uma belíssima embarcação oriunda das Bermudas e estacionada na marina de Ponta Delgada fez-nos pensar na localização estratégica dos Açores, no centro do Atlântico, entre a Europa e a América.
Pedacinhos de terra perdidos na imensidão do oceano. Pedacinhos que, vistos de dentro, são mundos inteiros de beleza e diversidade: um desses mundos é a ilha de São Miguel.
Verde em terra, azul no mar, areia negra que a espuma branca das ondas cobre e descobre, céu azul ou cinzento, consoante o local da ilha em que nos encontremos – em São Miguel, dez quilómetros, apenas, podem separar um dia luminoso de um outro cinzento e triste.
As águas são virtuosas, tanto em terra quanto no mar. Quentes ou tépidas, elas teimam em aquecer o corpo, literalmente, em todos os sentidos. Sentidos que se abrem naturalmente, sem esforço, despertos e dilatados…
Na ilha vulcânica de São Miguel lagoas se formaram em velhas crateras, criando espelhos de água de rara beleza: Furnas, Sete Cidades, Fogo.
A gastronomia está de acordo com o local: simples, natural, viva. O peixe é fresquíssimo, com destaque para os “chicharros”, carapaus pequenos, que aqui se comem, em geral, fritos ou cozidos (alimados). Os mariscos tradicionais são as lapas e os cavacos. O cozido das Furnas, embora sem tradição antiga, é bom, ficando a carne tenrinha pelo cozinhar lento. Pena não incluir farinheira… A cerveja Especial é excelente e a água potável que brota e corre é variada e medicinal.
Mas o estômago quase que é esquecido em São Miguel… Aqui come-se e bebe-se o ar que se respira! E o tempo é, sobretudo, de contemplar, não de comer.
A arte xávega consiste numa técnica específica da pesca de arrasto, na qual a rede é puxada de terra, antigamente à força de braços, hoje por meios mecânicos. Da mesma forma, as embarcações que dantes eram puxadas pelos remos dos homens a bordo, hoje são movidas a motor.
O barco tem de passar a zona de rebentação para se afastar, 1 500, 2 000 e às vezes ainda mais metros, e fazer o “cerco”, regressando à praia com uma das pontas do cabo que, de imediato, começa a ser puxado. Este tipo de pesca pratica-se ao longo de toda a costa portuguesa e o termo “xávega”, que deriva do árabe e quer dizer “rede”, era usado apenas no Sul de Portugal, acabando, por necessidade de unificação, de se estender ao Norte do país, onde o mar é mais alteroso e os barcos, consequentemente diferentes, com a proa muito mais alta, própria para cortar as vagas.
A maior tranquilidade do mar, a Sul, nem sempre é real, sendo a pesca pela arte xávega uma atividade arriscada onde quer que ocorra, como prova o acidente de há 50 anos na costa alentejana, mais propriamente em Santo André, onde pereceram dezassete homens, que puxavam a rede, em terra, atingidos por uma onda gigante. Devido a essa tragédia não mais se praticou a arte xávega naquela praia. [1]
Na Costa da Caparica, porém, são muitas as embarcações que todos os dias se fazem ao mar, fazendo várias viagens de ida e volta (lances) na esperança de uma boa pescaria. Claro que um bom lance acontece quando o peixe mais valioso, que é também o mais raro, é aprisionado na rede (robalo, linguado, sargo, etc). As espécies são variadas, sendo as mais comuns a cavala e a sardinha, logicamente, as de menor valor comercial. A sardinha da Costa da Caparica, muito grande, é de qualidade inferior, não sendo a mais indicada para grelhar no carvão – a forma como os portugueses, sobretudo no verão, adoram comê-la. Ao invés, o carapau é de excelente qualidade.
Dizem que a melhor sardinha – talvez o peixe mais popular, em Portugal, a par do bacalhau – é pescada no Algarve (Sul) e em Matosinhos (Norte). Talvez. Seja como for, assistir ao pôr-do-sol, comprar peixe fresco aos pescadores e assistir à gritaria e ao esvoaçar das gaivotas é um ritual – e um espetáculo! – que repito, várias vezes, ano após ano, nos fins de tarde cálidos, no verão, na Costa da Caparica — onde tirámos as fotos incluídas neste artigo.
Um dos momentos mais interessantes do Santo António, em Alfama, é quando a marcha sai do bairro, no dia 12, para o desfile na Avenida da Liberdade. Os moradores vêm em peso para a rua e juntam-se aos turistas formando uma claque sempre diferente em cada ano e sempre vibrando com a alegre passagem dos marchantes e músicos da grande Marcha de Alfama.
Marcha de Alfama que, por sinal, foi a grande vencedora da edição deste ano do concurso das marchas populares, que já vai na 81ª edição. Desde 1932 que existe o concurso da Marchas de Lisboa, o qual, nesse ano, foi organizado por Leitão de Barros.
Atualmente, as Marchas Populares são avaliadas com uma pontuação de 0 a 20 e em dois momentos, no Meo Arena, antigo Pavilhão Atlântico, este ano nos dias 7, 8 e 9 de Junho e na Avenida da Liberdade, dia 12 de Junho, nas categorias de Coreografia, Cenografia, Figurino, Melhor Letra, Musicalidade, Melhor Composição Original e Desfile da Avenida.
Resultados das Marchas Populares de Lisboa 2013[1]:
1º lugar – Alfama
2º lugar – Alto do Pina
3º lugar – Bica
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Nota:
[1] Alfama só não participou em quatro edições das marchas – 1969, 1981, 1982 e 1983. Até hoje o concurso realizou-se por 46 vezes (teve várias interrupções, embora se realize ininterruptamente desde 1988), tendo Alfama conquistado 17 primeiros lugares, 11 segundos e 4 terceiros. É de longe a Marcha com mais títulos e também a única que venceu em cinco anos consecutivos (1996 a 2000).
Portugal é um país pequeno. Para se ter uma ideia, o Brasil é cem vezes maior que Portugal. Apesar disso, este pequeno país sempre quis ser independente. É um dos países mais antigos do mundo e o Estado que mantém as atuais fronteiras há mais tempo na Europa. Resistiu, desde a sua fundação por D. Afonso Henriques, às ocupações de castelhanos e de franceses, quer no seu território peninsular, quer nas colónias espalhadas pelo mundo, estas muito cobiçadas também pelos holandeses.
Apesar do reduzido território, Portugal teve “engenho e arte” para se expandir além fronteiras. A história não é totalmente clara, mas para além das ilhas Canárias, Madeira, Açores, das costas leste e oeste africanas, da Índia, Malásia, Brasil etc. — aquelas terras cujas descobertas é consensual atribuí-las aos lusitanos — há quem defenda que os portugueses chegaram também primeiro à China, à Austrália, ao Japão e mesmo à América do Norte [1].
Em 1494, o Papa dividiu o mundo ao meio atribuindo metade aos espanhóis e a outra metade aos portugueses. O povo desse pequeno retângulo “à beira-mar plantado” virara-se para o mar ignoto e conquistara-o. Ninguém pode duvidar dos feitos desses navegadores oriundos da Escola de Sagres (que, na verdade, parece ter-se localizado mais para os lados de Lagos), os maiores da história marítima mundial. Isto cingindo-nos aos livros de história oficiais, porque, com maior ou menor credibilidade, muitos autores apresentam evidências do pioneirismo português noutras paragens. O caso da Austrália (e da Nova Zelândia) é paradigmático, dado que existem mapas portugueses da costa deste continente 250 anos antes da chegada do capitão Francis Cook [2].
Seja como tenha sido, um país tão pequeno, com número tão reduzido de habitantes, dificilmente poderia dar-se ao luxo de ter tão vastas e dispersas colónias, num mundo onde outros países muito maiores emergiam: o feito de manter essas terras não foi, talvez, menor do que aquele de as encontrar. Para o efeito, Portugal usou uma estratégia baseada em dois pontos essenciais:
1º A miscigenação com os povos nativos e também com os escravos, para fazer face à escassez de indivíduos.
2º A aliança com outros países, nomeadamente a Inglaterra, para fazer face às ameaças aos territórios encontrados.
A consequência do primeiro ponto foi o aparecimento do mulato, do caboclo, de povos e países interraciais, cujo paradigma é, sem dúvida, o Brasil, talvez o povo com mais mistura genética recente do mundo, fruto da miscigenação de portugueses, índios e negros. Os portugueses são, sem dúvida, um dos povos mais exogâmicos do mundo. E muitos brasileiros e portugueses, quando se afastam afetivamente uns dos outros, talvez desconheçam que as culturas de ambos têm necessariamente muito em comum e que, mesmo biologicamente, existe uma ligação fortíssima entre os dois povos. Portugal e Brasil são literalmente países irmãos[3].
A consequência do segundo ponto foram a pobreza e a estagnação económica patentes durante séculos em Portugal. A aliança com a Inglaterra permitiu que conservássemos integralmente o Brasil, mas esta proteção política e militar teve graves contrapartidas económicas. Portugal foi obrigado a comprar os tecidos ingleses, pagando-os com o ouro do Brasil: manter este território saiu muito caro a Portugal! Porém, só assim seria possível conservar o Brasil; e só assim foi possível chegar ao grandioso Brasil atual.
Hoje Portugal é de novo apenas aquele quadrado debruçado sobre o Atlântico, ao qual se acrescentam uns pontinhos no meio do mesmo oceano – os arquipélagos da Madeira e dos Açores (embora tenhamos uma vasta e estratégica ZEE ainda não explorada). E mais uma vez passamos por uma grave crise, depois dos anos eufóricos que se seguiram ao 25 de abril, e do sonho europeu. O país que abriu o caminho da globalização torna-se numa das suas maiores vítimas. Aderindo de boa fé ao projeto europeu pela mão de um dos maiores europeístas de sempre, Mário Soares, vê-se agora esmagado por regras impostas pela cúpula europeia, que se mostra renitente em avançar para uma união política e fiscal, única forma de construir uma Europa mais solidária.
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Notas:
[1] Em Dighton, Massachussets, nos EUA, existe uma rocha, com cerca de 40 toneladas de peso, que contém uma série de inscrições, as quais vêm, desde há séculos, sendo alvo de várias tentativas de decifração. A teoria mais recente, enunciada em 1918 pelo americano Edmund B. Delabarre e mais tarde defendida em obra do mesmo autor, publicada em 1929 (“Dighton Rock”), sugere que parte dessas inscrições foram feitas, em 1502, por Miguel Corte Real, um açoriano que teria embarcado de Lisboa em busca de seu irmão que partira desta mesma cidade um ano antes. Esta teoria foi retomada e desenvolvida pelo historiador e médico luso-americano Manuel Luciano da Silva. Devemos, obviamente, nós ainda mais, pois não somos historiadores e não tivemos acesso às fontes, ter cuidado com a divulgação destas teorias. De forma alguma queremos deixar a impressão de que as mesmas têm rigor científico. A verdade é que, pura e simplesmente, não podemos aquilatar esse rigor, pelo que as apresentamos a título meramente informativo.
[2] A teoria de que foram os portugueses os primeiros a chegar às Austrália e Nova Zelândia pode ler-se no livro (2007) do australiano Peter Trickett, “Beyond Capricorn: How Portuguese adventurers secretly discovered and mapped Australia and New Zealand 250 years before Captain Cook”, entre outras obras anteriores. Tudo leva a crer, porém, que esta obra tem pouco rigor científico e (apesar dos aplausos – e condecorações – que Trickett obteve em Portugal), apesar das pistas que levanta, não passa de uma obra de ficção. Isto mesmo refere o historiador português Paulo Jorge de Sousa Pinto no excelente artigo, A Austrália descoberta pelos portugueses? Ficções aquém e além de Capricórnio, publicado na revista Brotéria, volume de maio/junho de 2014, nº 178. (Esta nota foi acrescentada ao presente artigo em data posterior à primeira edição do mesmo).
Naquele dia saí cedo de casa e corri para a Baixa. Pelo caminho, vi soldados estendidos no asfalto em posição de combate. Vi tanques de guerra. Vi gente chegando. Vi, em pouco tempo, uma multidão encher o Rossio, o Chiado, o Bairro Alto e todo o centro de Lisboa. Vi senhoras que traziam flores vermelhas, em cestos de verga, e as ofereciam aos soldados — os nossos heróis. Vi o Largo do Carmo apinhado, com jovens, como eu, empoleirados das árvores e em cima dos tanques do exército. Vi as pessoas saudarem-se, sorrirem-se, abraçarem-se — vi a felicidade estampada em seus rostos.
E também eu — que estive lá! — participei de pequenas manifestações espontâneas, que se juntavam a outras manifestações espontâneas. Vagas de júbilo que cirandavam no coração de Lisboa, na maior e mais bonita festa que já vivi. Hoje, 39 anos passados, o 25 de abril não é mais a bela festa que foi em 1974. Muitos reclamam que não se cumpriu o “espírito de abril”. Arrogam-se seus legítimos defensores ou representantes. Acham que o país não segue o rumo que abril preconizou.
Pois, nada disto é verdade. Abril não se fez para nos dar (ou apontar) um rumo. Abril fez-se, coisa muito diferente, para nos dar a possibilidade de nós próprios escolhermos um rumo. O 25 de abril, através dos militares e desse herói que foi o Capitão Salgueiro Maia, restituiu-nos apenas o valor mais elevado da vida social, o único pelo qual, alguém disse um dia, vale a pena morrer e aquele que uniu o povo no 25 de abril de 1974. Eu estive lá e posso testemunhá-lo. A palavra gritada pelo povo era: “LIBERDADE”!
A atual política económica brasileira é claramente protecionista. Esta política defende as empresas e indústrias brasileiras – sobrecarregando com impostos os produtos importados — e visa manter baixa a taxa de desemprego. Porém, há que considerar algumas consequências perniciosas do protecionismo, dado que as empresas:
– acomodam-se e não investem na formação e qualificação dos seus quadros, tornando-se obsoletas;
– contratam funcionários em número excessivo, de baixa produtividade e auferindo baixos salários;
– praticam preços elevados para cobrirem o custo da ineficiência e obterem, ainda assim, lucros chorudos, face à ausência de verdadeira concorrência;
– prestam, em geral, serviços de baixa qualidade [1].
Quem paga esta ineficiência é o consumidor. Porém, quem tem muito dinheiro não tem problema, mesmo que o preço a pagar seja exorbitante, e pode até dar-se ao luxo de comprar mais barato no exterior, quando viaja pela Europa ou pelos EUA. Do outro lado da moeda ficam os menos abastados, que compram a prestações (parcelado) e que, para pagarem carro, celular, etc, têm de muitas vezes cortar em bens de consumo básicos[2]. A estes, chamam aqui no Brasil, “classe média”, mas a verdade é que – em comparação com os países mais desenvolvidos – se tratam de pobres encapotados[3]. O Brasil ainda é, em larga medida, um país de (poucos) ricos e (muitos) pobres.
No protecionismo não existe uma justa concorrência de preços e o ambiente económico torna-se pernicioso para os mais pobres dado que, com o aumento dos preços, é inevitável a subida da inflação. Assim, mesmo com programas destinados a acabar com a pobreza extrema, o fosso entre ricos e pobres não diminui[4]; ou diminui apenas aparentemente, pois, como se sabe, a inflação afeta sobretudo os mais desfavorecidos. Um outro efeito desta política protecionista é que ela se torna viciosa, difícil de eliminar a curto prazo, a não ser com elevado custo social (sobretudo, desemprego).
Com a deterioração do tecido empresarial, cai enormemente a taxa de exportação de produtos de maior valor acrescentado, permanecendo o Brasil um exportador de matérias-primas, como sempre foi no passado, vulnerável às grandes flutuações dos preços nos mercados internacionais, vivendo quase em exclusivo, nos outros setores, do consumo interno.
Talvez o protecionismo alguma vez tenha feito sentido. Mas o Brasil — este extenso, rico e belo país — precisa criar as condições para abandoná-lo, caso queira finalmente dar o salto para a modernidade.
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Notas:
[1] É o caso, por exemplo, das empresas de comunicação (telefonia), particularmente daquelas que prestam serviços de internet: caros e muito longe dos padrões dos países desenvolvidos. Porém, quando as empresas brasileiras têm de se abrir à concorrência as coisas melhoram, como é o caso do mercado da aeronáutica, só para citar outro exemplo.
[3] Para se ter uma ideia, compare-se os salários desta “classe média” brasileira e os das suas congéneres norte-americanas ou europeias. Verificar-se-á que no Brasil os salários são muitíssimo menores e que o custo de vida – que há meia-dúzia de anos era, generalizadamente, bem menor aqui – é hoje, em vários bens, mais caro no Brasil do que naqueles países.
There are seven hills in Lisbon, like in Rome. At the top of one of them – perhaps the most beautiful of all – lies São Jorge castle (11th century), which has a spectacular view of Lisbon, the Tagus and the small satellite towns across the river. It is precisely along the slopes of the hill facing the Tagus river that we find the historic district of Alfama. The relationship between Alfama and the river is, therefore, ancestral.
The first to arrive by ship in Alfama came from the Mediterranean, then from the North Seas and later from other parts of the world. In the first half of the 16th century, when Portugal was at the heights of the epic Discoveries, Lisbon was the center of the world and the main port of the most important trade routes. The movement of ships along the Tagus was intense and the people of Alfama were the first to have contact with individuals from faraway lands, namely from Africa, Asia, America, or those who they met in distant lands when they set off on – and survived – their voyage of the Discoveries[1].
Phoenicians, Carthaginians, Romans and Arabs were in Alfama long before the Portuguese Discoveries even began. And it was the Arabs who gave Alfama its unique character, with its narrow streets and alleys, quaint courtyards, picturesque stairways, and its name, which comes from the Arabic, al–hamma, meaning “bath” or “hot springs”.
In addition to the Arab presence, buildings and inscriptions reveal the passage of Jews, Christians and Romans, thus making Alfama a veritable outdoor museum. The historic buildings and layout of the district has remained unchanged for centuries, as if time stood still.
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[1] The great popular Portuguese singer, Fausto Bordalo Dias, in his album “Por Este Rio Acima” (“Up On The River”), from 1982, exemplarily depicts those voyages. Below, the record of one of the songs from that album, “O Barco vai de Saída” (“The Ship Goes Out”), which is for many, including myself, the popular hymn of Alfama.