Sócrates, José

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Sócrates costuma citar Kant, mas o seu comportamento está mais próximo dos antigos filósofos de Cirene. O ex primeiro-ministro não sairá da política pelo seu pé.

A revista “Visão” publicou hoje um depoimento escrito por Fernanda Câncio, antiga namorada de Sócrates. Um depoimento, sob vários aspetos perturbador, que nos fez refletir e sobre o qual nos apraz dizer o seguinte.

1- Há pessoas com as quais nos cruzamos que podem devastar a nossa vida. São pessoas destrutivas, ambiciosas, doentes, pessoas que conseguem desintegrar a nossa personalidade, por vezes de forma irreversível. Não há forma de evitar que isto ocorra, a não ser que não nos envolvamos com elas.

2- Há órgãos  de comunicação social que atuam como predadores sociais. Deliciam-se sugando almas humanas. E há almas humanas que se deliciam com o espetáculo macabro que isso constitui.

3- A Justiça é uma coisa muito relativa. Além de dois pesos e duas medidas, a) está diretamente relacionada com o atraso dos povos (não é por acaso que estamos na cauda da Europa) e b) constitui, no caso português como no de outros países onde funciona mal, a forma mais perversa de desigualdade social.

4- Há três reações possíveis quando se comete um erro: a) assumi-lo; b) negá-lo; c) atribuí-lo a terceiros. Há pessoas especialistas nesta terceira vertente, conseguindo uma verdadeira transmutação de personalidade, assumindo o papel de vítimas. Esta atitude só está ao alcance dos verdadeiros charlatães.

5- Estes indivíduos não sentem vergonha e – coisa estranha – somos nós que, quando os vemos representando o seu papel, acabamos por sentir a vergonha que eles não têm. Talvez isto seja uma forma de sublimar a repulsa que existe em nós.

6- Há quem não só acredite na representação destes charlatães como se disponha a segui-los e apoiá-los até o fim. É difícil aceitar esta atitude como racional. A dimensão religiosa da política e a adoração destes semi-deuses deveria fazer pensar aqueles que metem política e religião em gavetas distintas. Na verdade, elas estão intrinsecamente ligadas, no sentido em que ambas exploram a tendência humana para acreditar, mais do que numa boa história, num bom narrador.


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