Cidade do Panamá e Colón

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Na Cidade do Panamá sente-se e vê-se uma dinâmica enorme, um pulsar constante, uma pujança permanente. Os arranha-céus multiplicam-se, conferindo à cidade aquele ar de moderna capital americana (ou de algumas capitais asiáticas) – uma urbe palpitante.
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Vários desses arranha-céus têm um desenho arrojado, como este, em espiral, obra da empresa de arquitetura Pinzón Lozano & Asociados. A sua silhueta vê-se praticamente de qualquer lugar da cidade e é como um íman que atrai o nosso olhar. Magnífico.
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Mas a ousadia arquitetónica está patente não apenas em edifícios particulares. Também no património público. Repare-se neste pormenor do atraente e colorido Museu da Biodiversidade, desenhado pelo renomado arquiteto americano (nascido no Canadá), Frank Gehry. Os museus são muito bem organizados na Cidade do Panamá. Destacamos, além do da Biodiversidade, o Museu do Canal Interoceânico do Panamá, situado no Casco Antigo da cidade, e o Centro de Visitantes de Miraflores, onde se pode ver uma magnífica exposição sobre o Canal, assistir a um filme em 3D e, ao vivo, ao movimento dos navios que passam pelas eclusas (ver foto abaixo).
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Além da arquitetura, a Cidade do Panamá possui também um moderno sistema de transportes. O metro é recente e excelente, e liga-se a um centro modal de transportes, situado em Albrook, na periferia. O Canal do Panamá – obra gigantesca levada a cabo pelos norte-americanos e que está a ser objeto de ampliação – está finalmente em mãos panamianas. Através dele, acede-se ao porto da cidade que, tal como o aeroporto, é um “hub” estratégico. O aeroporto une as Américas do Norte e do Sul, e o Canal une o Atlântico, a Leste, e o Pacífico, a Ocidente.
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O custo dos transportes, incluindo o táxi, é muito acessível (convém sempre discutir o preço com o taxista) dado que os combustíveis são bastante baratos. Os hotéis também não são caros e têm boa qualidade. Os restaurantes são igualmente acessíveis. Apesar da comida não ser extraordinária, há coisas interessantes. Vale a pena comer uma sopa de marisco ou tomar uma limonada adoçada com melaço de cana no Mercado do Marisco; comer um ceviche na zona do porto de pesca; e, sobretudo, almoçar ou jantar no El Trapiche, na Calle Argentina. À noite, a movida passa-se na Calle Uruguay (foto).
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Esta dinâmica panamiana ocorre por duas razões principais: 1- o potenciamento da sua extraordinária localização geográfica, o que inclui as receitas elevadíssimas da exploração do Canal do Panamá; 2- e uma política económica aberta e pragmática, o que levou, inclusivamente, à adoção do dólar como moeda oficial. Mas nem tudo são rosas. Apesar do progresso, há muita desigualdade ainda, mesmo no interior da Cidade do Panamá, com zonas mais pobres, mas sobretudo noutras cidades, como Colón (na foto), que visitámos também. Além disso, não é possível esquecer o papel de “paraíso fiscal”, pelo  qual o Panamá é conhecido no mundo, como ficou patente através dos recentíssimos “Panama Papers”.
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E foi aqui, em Colón, que encontrámos um amigo de longa data. Ele é testemunha da dinâmica panamiana, pois é um dos responsáveis pela construção de uma terceira ponte que unirá as duas margens do Canal do Panamá, que ocorre em Colón. Foi ele quem nos levou a conhecer o local onde estão a construí-la e também as eclusas de Gatún. Dois amigos de Alfama encontraram-se em plena selva tropical. Evento histórico.