Progresso ou degenerescência

A evolução das ideias é semelhante à evolução das espécies. Umas ramificam-se, outras morrem, outras renascem quando se pensava que já estavam extintas. Quando um homem quer difundir as suas ideias, a primeira coisa que faz é fundar uma escola. O pioneiro desta estratégia — que se revelou até hoje incrivelmente bem sucedida — foi Platão, quando criou a sua célebre Academia. Desde aí, as escolas vêm florescendo, dentro das ciências ditas “humanas”, na Filosofia, na Sociologia, na própria Economia, e a sua influência estende-se, talvez surpreendentemente para os mais distraídos, até às ciências ditas “naturais”. (Há sempre quem lute pela integridade da Ciência e essa luta é, enquanto espécie, a nossa maior esperança).

Quase todos nós somos, hoje, mesmo sem o sabermos, discípulos de uma ou outra escola. O homem é um animal religioso, precisa de acreditar em algo, e, nesse sentido, as ideologias transmitidas pelas escolas sociológicas são as religiões modernas, tanto mais fervorosas quanto mais radicais. As ideologias podem ser enquadradas em dois grandes grupos. Os indivíduos que pertencem ao primeiro grupo acreditam que vivemos no melhor mundo de sempre; os membros do segundo grupo, sob forte influência da ideia platónica de degenerescência, acreditam que o mundo corre para o abismo e que, portanto, é urgente salvá-lo. Os do primeiro grupo acreditam mais nas instituições do que nos líderes; os do segundo grupo acreditam em líderes messiânicos que conduzirão as massas — há demasiado tempo encerradas na caverna — à descoberta da verdade.

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Autor: Jorge Costa

Fez percursos académicos nas áreas das Filosofia, Comunicação Social, Economia, Gestão dos Transportes Marítimos e Gestão Portuária, e estuda outras disciplinas científicas. Interessa-se igualmente por Arte, nas suas diversas manifestações, e também por viagens. Gosta de jogar xadrez. O seu autor preferido, desde que se lembra, é Karl Popper. Viveu em locais diversos, sobretudo em Portugal e no Brasil, pelo que se considera um cidadão do mundo. Atualmente vive em Cabanas, no Sotavento algarvio. Gosta de revisitar, sempre que pode, a bela cidade de Lisboa e, nela, o bairro onde nasceu, Alfama, o mais popular da capital, de traça árabe, debruçado sobre o Tejo — esse rio mítico, imortalizado por Camões e Pessoa, poetas maiores da Língua Portuguesa. Não é, porém, um bairrista, característica que deplora, a par dos clubismo, partidarismo e nacionalismo. Ama a Liberdade.