Trump e Putin

Foto retirada de https://ilovealfama.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=26392&action=edit

Trump e Putin são dois ditadores, amigos de conveniência, que não hesitam em derrubar chefes de estado de outros países para ampliarem o seu poder. Mas enquanto Trump acaba de fazê-lo cirurgicamente na Venezuela, sem a perda de um único soldado americano, Putin está a tentá-lo há quatro anos na Ucrânia, à custa de centenas de milhares de baixas russas (há quem fale em mais de um milhão) sem obter o resultado pretendido.

E porque Putin sacrifica estupidamente a vida de tantos jovens compatriotas (uma geração inteira deles) e Trump não?

Por três razões fundamentais.

Em primeiro lugar, porque pode. A Rússia é uma sociedade intoxicada, sem liberdade, onde somente a narrativa oficial conta, enquanto a América, apesar de Trump, ainda tem meios de comunicação livres.

Em segundo lugar, porque em termos económicos e tecnológicos, logo militares, a Rússia está a anos-luz dos Estados Unidos.

Em terceiro lugar, porque Putin já demonstrou que é um assassino para quem a vida humana não tem qualquer valor (ele vem da tradição em que “uma morte é uma tragédia, um milhão é uma estatística”), enquanto Trump, neste campo, é ainda um aprendiz.

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Trump

Inicia-se hoje mais um mandato de Donald Trump. Por razões várias e evidentes, este simples facto constitui uma desgraça para o mundo e questiono-me sobre quantos, dos milhões que elegeram o novo presidente americano, terão alguma vez consciência disto. No entanto, há razões para admitir que não é apenas o mundo, mas também a velhinha democracia americana que corre sérios riscos. É apenas sobre esta que nos vamos debruçar neste pequeno artigo.

A liberdade (como fim) e a democracia (como meio) nunca estão garantidas. A democracia é caracterizada pela separação de poderes, pela diluição do poder entre o maior número de mãos possível, mas é precisamente o contrário disto que agora acontece na América, com a tomada de posse de Trump. O perigo para as democracia e liberdade advém de resultados eleitorais que concentraram o poder no Partido Republicano e no seu chefe, que dominam as principais instituições democráticas: Presidência, Senado, Câmara dos Representantes e, indiretamente, o Supremo Tribunal Federal.

O maior perigo vem, precisamente, do mais alto tribunal do país. Tribunais superiores independentes são vitais para as democracias liberais, garantindo os direitos das minorias e o funcionamento dos mecanismos democráticos. É por isso que os juízes dos tribunais supremos não deveriam ser nomeados e confirmados por políticos, como acontece nos Estados Unidos, no Brasil e, embora de uma forma diferente, em Portugal; deveriam, antes, ser propostos por corpos profissionais do sistema judicial e da sociedade civil, como acontece, por exemplo, na Dinamarca, na Suécia, na Noruega, na Nova Zelândia ou no Reino Unido, entre outros, onde são dadas mais fortes garantias da sua independência.

Os tribunais são o último reduto da democracia, e a sua autonomia não pode ser desvalorizada.

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