A Filosofia é a aspiração do homem à racionalidade

A Filosofia é a aspiração do homem à racionalidade. Isto pode ser deveras surpreendente, pois muitos poderão perguntar: “Mas, afinal, o homem não é o animal racional por excelência!?”

A resposta simples é: não. Todos somos influenciados pelo menos por alguns dos mais variados fatores, genéticos ou adquiridos pela experiência, que afetam a nossa racionalidade: medos, anseios, traumas, mitos, crenças, sonhos, ambições, invejas, esperanças, ressentimentos, megalomanias e, sobretudo, claro, as visões do mundo que dão pelo nome de ideologias — esses medicamentos fora de prazo, como tantas vezes as apelidei.

Melhor rótulo que o de animal racional, seria o de animal religioso. Pelo menos, por enquanto.

De facto, se fôssemos seres essencialmente racionais, todos seguiríamos o mesmo rumo da razão, da paz e do pragmatismo, ainda que por caminhos diferentes.

Apesar de tudo isto — de ter perfeita consciência da impossibilidade de alcançar a racionalidade absoluta — o verdadeiro filósofo assume o dever de trazer ao mundo o máximo de racionalidade possível, em busca de um mundo melhor.

Foi isso que fizeram os maiores filósofos da história humana (que não são, necessariamente — muito pelo contrário — os que têm mais adeptos), destacando-se, entre eles, Sócrates, Kant e Popper, os três desconstrutores de castelos.

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Autor: Jorge Costa

Fez percursos académicos nas áreas das Filosofia, Comunicação Social, Economia, Gestão dos Transportes Marítimos e Gestão Portuária, e estuda outras disciplinas científicas. Interessa-se igualmente por Arte, nas suas diversas manifestações, e também por viagens. Gosta de jogar xadrez. O seu autor preferido, desde que se lembra, é Karl Popper. Viveu em locais diversos, sobretudo em Portugal e no Brasil, pelo que se considera um cidadão do mundo. Atualmente vive em Cabanas, no Sotavento algarvio. Gosta de revisitar, sempre que pode, a bela cidade de Lisboa e, nela, o bairro onde nasceu, Alfama, o mais popular da capital, de traça árabe, debruçado sobre o Tejo — esse rio mítico, imortalizado por Camões e Pessoa, poetas maiores da Língua Portuguesa. Não é, porém, um bairrista, característica que deplora, a par dos clubismo, partidarismo e nacionalismo. Ama a Liberdade.