Algo que caracteriza fortemente a humanidade é a luta contra uma natureza indiferente às suas necessidades, sonhos e ambições. Habitações, saneamento básico, vacinas, óculos, e tantos outros instrumentos, são invenções humanas, na tentativa de limitar os danos que a Natureza impõe.
Mas a maior vitória sobre as forças naturais é, sem dúvida, o controlo do poder (logo, da violência). Uma limitação de danos imposta a nós próprios, que somos também “natureza”, um autocontrolo que nos distingue dos outros animais.
Este autocontrolo pode ser individual ou, desde que os gregos antigos inventaram a democracia, abranger toda a sociedade. Com a separação dos poderes legislativo, executivo e judicial, a democracia atingiu a maturidade.
Nas atuais democracias desenvolvidas o controlo do poder (individual e social) é efetivo, enquanto nas democracias menos desenvolvidas o abuso do poder, seja através da corrupção ou do autoritarismo, é bastante mais elevado. (Não será necessário falar das ditaduras, onde são cometidas as maiores atrocidades).
É também nas democracias maduras que aqueles sem qualquer poder — crianças, presos, doentes mentais, idosos em fim de vida — são tratados com dignidade.
O controlo do poder é a marca de água da humanidade libertada da força bruta; é o alicerce indispensável para a construção da tão almejada e sempre adiada Paz.
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