Lula, de novo

É nas situações-limite da política externa que se avalia com mais propriedade a posição ideológica dos governos. Normalmente os mais extremistas são também os mais avessos a consensos internacionais. Isto acontece em situações tão diversas como a adesão à União Europeia, a assinatura de acordos internacionais sobre o clima ou a tomada de posição sobre conflitos mundiais em votações da ONU, por exemplo. Tendo isto em conta, é possível dizer-se que o governo brasileiro dos últimos quatro anos foi um desastre. Bolsonaro é um péssimo político (foi-o também interna e externamente) e a posse de Lula que hoje se realiza inaugura um novo ciclo da política brasileira, que se augura muito melhor que o anterior.

Apesar disto, é lamentável que Lula se recuse a condenar a invasão russa da Ucrânia, tal como fez o seu antecessor.

Não apenas porque a esmagadora maioria dos governos condene o despotismo de Putin, e o Brasil, juntamente com algumas ditaduras do mundo, esteja relativamente isolado no panorama mundial, mas sobretudo porque, com esta posição, o Brasil se afasta dos valores do Direito Internacional, da Justiça e da Paz. Relativamente à Guerra da Ucrânia, o Brasil tinha tudo a ganhar se Lula, com o seu carisma, condenasse inequivocamente a invasão da Ucrânia, como fazem quase todos os líderes democráticos mundiais. Para lá dos valores, o antiamericanismo tem custos mais comezinhos que afetam a vida do cidadão comum — políticos, económicos e sociais.

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