Europa

Se há uma ideia que une as Esquerda e Direita mais radicais é a do nacionalismo. Isso é patente pela visão que ambas têm sobre a Europa, contrária à federação dos estados europeus, a qual radica, invariavelmente, no argumento da perda de soberania.

Esta visão talvez fosse expectável nos partidos retrógrados da Direita, mas a mesma é difícil de admitir aos progressistas de Esquerda. É por esta e por outras que não consigo enxergar nesta Esquerda mais radical a vanguarda, o progresso, o farol das ideias avançadas. Antes pelo contrário, estas forças revelam-se de um conservadorismo atroz, algo que facilmente poderemos constatar se analisarmos o que foi no último século o nacionalismo.

A mim pouco me importa – aliás, muito me importa – a integração de Portugal num Estado Federal Europeu. Isso não alterará a nossa História nem a nossa Cultura, herdadas de nossos ancestrais. Alterará apenas o nosso futuro, coisa de que necessitamos como de pão para a boca, para sairmos deste marasmo, para o qual tanto contribui esta coisa de sermos e não sermos europeus, de sim e não, de nim, da ambiguidade tão querida a esta Esquerda, que tanto gosta de ter um pé na Europa e outro fora dela.

Esquerda progressista e nacionalista não dá. Apesar da propaganda, jamais conseguirão resolver esse antagonismo.